Dólar vira para o negativo no Brasil apesar de pressão trazida pela guerra no Oriente Médio
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 9 Mar (Reuters) - O dólar reverteu os ganhos do início da sessão e passou a ceder ante o real nesta segunda-feira, com exportadores aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda, enquanto no exterior os mercados seguem pressionados pela guerra no Oriente Médio, que mantém o preço do barril de petróleo acima dos US$100.
Às 11h14, o dólar à vista caía 0,40%, aos R$5,2240 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para abril -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,68%, aos R$5,2535.
No início do dia, em meio às preocupações em torno da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, o dólar chegou a superar os R$5,28 no Brasil, acompanhando o avanço da moeda ante outras divisas no exterior.
Mas alguns agentes aproveitaram as cotações mais elevadas para vender moeda, em movimento semelhante ao visto na sexta-feira.
"Com o dólar nestes níveis, o exportador vende e o (investidor) comprado também desmonta posição", disse o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
Investidores comprados são aqueles posicionados na alta do dólar. Quando as cotações atingem determinados níveis, eles vendem dólares -- em especial no mercado futuro -- para realizar lucros.
O avanço forte do petróleo e do minério de ferro -- dois produtos importantes da pauta exportadora brasileira -- era outro fator de suporte para o real, ainda que no exterior boa parte das demais divisas de países emergentes sigam pressionadas.
No fim de semana o Irã nomeou Mojtaba Khamenei para suceder seu pai, Ali Khamenei, como líder supremo, em uma sinalização de que a vertente linha-dura segue no comando em Teerã, uma semana após o início do conflito com os Estados Unidos e Israel.
Anteriormente, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que a nomeação de Mojtaba seria “inaceitável”.
No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano pouco mudou apesar da guerra: de R$5,42 para R$5,41. A taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 foi de 12% para 12,13%.
Na sexta-feira, o dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,88%, aos R$5,2414.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de abril.
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