Ibovespa cai 2% e reverte alta no mês em dia com foco em juros, balanços e petróleo
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 29 Abr (Reuters) - A quarta-feira foi de forte correção negativa na bolsa paulista, com o Ibovespa fechando abaixo dos 185 mil pontos e revertendo os ganhos de abril.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,05%, a 184.750,42 pontos, no sexto pregão seguido de baixa e agora acumulando um declínio de 1,45% em abril. No ano, ainda sobe 14,66%.
Na mínima da sessão, o índice chegou a 184.504,18 pontos. Na máxima, marcou 188.709,96 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$28,94 bilhões.
"O pregão de hoje foi marcado por cautela global", afirmou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, destacando que o Ibovespa foi pressionado por movimentos de realização de lucros após a recente corrida em direção aos 200 mil pontos.
A disparada dos preços do petróleo no exterior, em meio a receios envolvendo a situação no Oriente Médio, apoiou a alta das ações da Petrobras, mas minou o apetite a risco, acentuando preocupações com a inflação e o crescimento global.
O Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, em sua decisão mais dividida desde 1992, e destacou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas.
De fato, o cenário geopolítico continua ditando o rumo dos mercados, mas resultados corporativos no Brasil também ocuparam as atenções, com investidores repercutindo os balanços e perspectivas de empresas como Vale, WEG e Santander Brasil.
O dia ainda reserva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, com economistas estimando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14,75%, mas um tom cauteloso no comunicado.
Dados da B3 continuam a mostrar saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$8,2 bilhões até o dia 27, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançou 3,03% e PETROBRAS ON subiu 3,16%, endossadas pelo salto dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 6%, a US$118,03. Entre as petrolíferas, PRIO ON subiu 3,07%, mas BRAVA ENERGIA ON recuou 0,74% e PETRORECONCAVO ON cedeu 1,16%.
• VALE ON caiu 5,87%, um dia após reportar Ebitda ajustado de US$3,83 bilhões, avanço anual de 23%, mas, de acordo com analistas, ligeiramente abaixo do esperado. O balanço mostrou que o custo caixa C1 do minério de ferro subiu 12% na comparação anual, para US$23,6/tonelada, principalmente impactado pela apreciação do real frente ao dólar. De acordo com o vice-presidente executivo Comercial e Desenvolvimento da Vale, a alta dos preços do petróleo e dos fretes marítimos em meio à guerra no Irã está elevando os custos globais de produção de minério de ferro, ameaçando a oferta de mineradoras menos competitivas e dando suporte aos preços da commodity.
• WEG ON desabou 6,75%, tendo no radar o lucro líquido de R$1,46 bilhão no primeiro trimestre, recuo de 5,7% sobre o desempenho de um ano antes e abaixo das expectativas do mercado, impactado por queda na receita do mercado doméstico, segundo balanço divulgado pela fabricante de motores elétricos e equipamentos de automação e geração de energia. Executivos da companhia comentarão o resultado em teleconferência na quinta-feira.
• SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 2,65%, alinhado ao desempenho do setor, em pregão também marcado pela divulgação do seu resultado do primeiro trimestre, que mostrou lucro líquido de R$3,79 bilhões, abaixo do esperado pelo mercado, e queda na rentabilidade. O presidente-executivo do banco, Mario Leão, afirmou estar confiante na retomada do crescimento do ROE e "garantiu" que o lucro no ano será maior do que em 2021. Leão, que deixará o banco no final de julho, assumiu como CEO em 2022. Entre os bancos do Ibovespa, BANCO DO BRASIL ON caiu 3,68%, ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,79%, BRADESCO PN perdeu 2,35% e BTG PACTUAL UNIT recuou 2,68%.
• BRASKEM PNA saltou 5,55%, em dia de assembleia de acionistas, com a pauta incluindo eleição do novo conselho de administração da empresa, após a Novonor assinar recentemente o contrato de venda do controle da petroquímica para a IG4. A Petrobras, co-controladora da Braskem, indicou a sua CEO, Magda Chambriard, como candidata para o cargo de presidente do conselho da petroquímica.
• HYPERA ON avançou 3,27%, também entre as poucas altas do Ibovespa no dia, com o balanço sob os holofotes. A farmacêutica reportou lucro líquido das operações continuadas de R$345,7 milhões no primeiro trimestre, revertendo prejuízo de quase R$140 milhões registrado um ano antes, acima das previsões de analistas. O presidente-executivo da companhia afirmou que o lançamento de novos medicamentos em 2026 deve ter um crescimento de vendas. "Não é guidance, mas (temos) uma expectativa de contribuição de novos lançamentos em torno de um ponto percentual do nosso crescimento de 'sellout'," disse.
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(Por Paula Arend Laier, edição Alberto Alerigi Jr. e Pedro Fonseca)
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