SP: Preços sobem 5,22% na segunda quadrissemana de outubro

Publicado em 21/10/2010 14:34
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O Indice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou alta de 5,22% na segunda quadrissemana de outubro de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) encerrou com elevação de 5,49%,  e o IqPR-A (produtos de origem animal) fechou em alta de 4,53%. As informações  são do Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo (IEA-SP).
Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice (devido a sua  importância na ponderação dos produtos), tanto o IqPR como o IqPR-V (cálculo  somente dos produtos vegetais) fecham, positivamente e com maior intensidade, em 8,44% e 12,16%, respectivamente (Tabela 1). A cana-de-açúcar ao apresentar  preços praticamente estáveis, sendo o principal produto da agropecuária  paulista, acaba puxando para baixo a variação dos índices geral e vegetal de  preços.
Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana  foram: feijão (69,88%), batata (34,42%), laranja para mesa (19,86%), amendoim  (16,42%), milho (16,39%), carne de frango (13,94%), banana nanica (11,40%),  trigo (8,84%), carne suína (5,85%) e algodão (5,64%).
No caso do feijão, manifesta-se a escassez conjuntural decorrente do atraso de safra gerado pela estiagem prolongada de meio de ano. Esta falta de chuvas  ocasionou além de perdas na produção, atrasos na entrada do feijão novo (em  especial nas principais regiões produtoras do Sul-Sudeste). Os preços seguem a  escalada de aumento que ganha ritmo com o aprofundamento da menor  disponibilidade do produto, havendo pouco a fazer pela impossibilidade de  importações em quantidades elevadas e qualidades desejáveis. Esta pressão  altista somente será revertida com as primeiras colheitas de feijão novo da  safra de verão que ocorrerão mais para o fim do ano.
No caso da batata, olerícola perecível em que se manifesta de forma  exacerbada a gangorra de preços derivadas de descompassos conjunturais entre a  oferta e a procura de produto, ocorrem viradas abruptas e expressivas de  tendência em função da realidade pontual do mercado. Essa menor oferta produziu  o aumento exacerbado verificado nas últimas quatro semanas.
Na laranja de mesa, as pressões da demanda da agroindústria citrícola, no  mercado livre de laranja in natura, numa conjuntura de produção menor na  presente safra, associada à elevação do consumo com os primeiros dias mais  quentes deste segundo semestre, pressionou as cotações da fruta e elevou seus  preços. Nos contratos de laranja para indústria, os preços seguem ritmo lento de aumento, manifestando-se inferiores aos da laranja in natura, como reflexo da  predominância de contratos que acabam dando maior estabilidade aos preços  atenuando tanto movimentos de alta (como é o caso) como de baixa (com em  conjunturas anteriores).
No milho, no trigo e no algodão, os eventos de menor produção de países  relevantes, em especial dos Estados Unidos (com redução na produtividade do  milho apesar da safra recorde), produziram a elevação dos preços no mercado  internacional e criaram expectativas de alta que, nas condições brasileiras  superam a valorização cambial, aliviando no curto prazo a queda do poder de
compra da moeda nacional.
O aumento para a carne de frango, assim como os ocorridos em menor  percentual para carne suína e carne bovina se deve ao crescimento da demanda de  carnes pelos consumidores no varejo. Ademais, nas carnes de frango e bovina, as  vendas externas deram impulso mais decisivo aos preços internos.
No amendoim, além do ajuste decorrente de uma situação de menor oferta,  manifestam-se as pressões de demanda e os mesmos efeitos de atraso de safra  ocasionado pela estiagem que postergou a perspectiva de entrada da colheita de  verão, formando expectativas altistas.
Os preços da banana comumente atingem seu pico na primavera, quando há
maior propensão ao consumo e quando a oferta é prejudicada pelas ondas de frio  dos meses anteriores que retardaram a formação dos cachos.
Os produtos que apresentaram as quedas de preços na segunda quadrissemana  de outubro foram: tomate para mesa (6,52%), café (1,95%) e ovos (1,77%).
O tomate, que nas últimas semanas registrou altas nas variações de seus  preços, agora registra queda significativa: esta mudança de comportamento se  deve às condições climáticas favoráveis (com estiagem e sol desde meados de  agosto até o final de setembro), aliadas à consistente base técnica, que juntos  constituem fatores de aumento da produção. Como perecível, manifesta-se a  gangorra de preços, típica desses mercados agropecuários em conjunturas de  volatilidade, derivadas de fenômenos climáticos.
No café, a relativa estabilização das cotações internacionais numa  realidade de cambio em valorização fez recuar os preços no mercado interno, em  especial os preços recebidos pelos produtores.
A oferta de ovos vem acompanhando os movimentos da demanda, com suprimento  maior que o consumo (seja doméstico, seja na agroindústria de panificação)  levando às quedas dos preços.
Neste momento verifica-se uma mudança relevante na evolução dos índices  quadrissemanais de preços, com a desaceleração da tendência de alta dos três  índices (IqPR, IqPR-V e IqPR-A), ou seja, os preços continuam subindo para  maioria dos produtos porém em menor escala. Com isso esses indicadores convergem para patamares compatíveis com a meta de inflação para 2010, fixada pelo Banco  Central em 4,50%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Isso porque os preços agropecuários continuam subindo, mas  com ritmo menos acentuado.
No período analisado, 17 produtos apresentaram alta de preços (12 origem  vegetal e 5 de origem animal), 3 apresentaram queda (2 origem vegetal e 1 origem animal).

 

Fonte: Agência Safras

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