Boom de fertilizantes no Brasil mostra problemas nos portos brasileiros

Publicado em 09/05/2011 10:36 e atualizado em 01/03/2020 00:40 810 exibições
O Brasil, que tende a ultrapassar os EUA como o maior mercado de agrotóxicos do Mundo está aumentando também o uso de fertilizantes, colocando pressão extra sobre os portos que lutam para lidar com os volumes de comércio em crescimento.

O analista de commodities Michael Cordonnier alertou para atrasos de até 23 dias em navios que esperam descarregar fertilizantes nas docas brasileiras, para alimentar a demanda por nutrientes, que deverá atingir 25,9 milhões de toneladas neste ano, contra 24,5 milhões do ano passado.
Esta situação ocorre num momento em que os investidores internacionais, nomeadamente os do mercado de açúcar, estão preocupados com o congestionamento nos portos brasileiros, por medo de uma repetição das filas do ano passado, que atrasaram as remessas do produto no país que é o maior exportador mundial, contribuindo para uma elevação dos preços.

Por outro lado, Thomas Kujawa, da Sucden Financial, de Londres, declarou que há também um aumento da construção de navios em portos brasileiros.

Contudo, neste ano, ainda não está claro se o atraso no desembarque de fertilizantes está afetando a logística de embarques de açúcar, até o momento.

Aproveitando os bons preços
O aumento do apetite do Brasil por fertilizantes vem dos seus agricultores que, como os agricultores do resto do mundo,  estão tentando aumentar a sua produtividade para aproveitar os preços elevados das mercadorias.

Além disso, os agricultores do segundo maior produtor de soja, terceiro maior produtor de milho e maior produtor de café e açúcar estão comprando seu adubo no início do ano, novamente, um padrão repetido no exterior desde o temor de 2008, que afetou os preços dos nutrientes.

Segundo pesquisa do Dr. Cordonnier, embora os produtores do Brasil comprem normalmente 35% de nutrientes no primeiro semestre do ano, esta proporção pode chegar a 45% em 2011.
Uma tonelada de fertilizantes custou, no ano passado, o equivalente a 29 sacas de soja ou seja, 1,4 toneladas do produto, em comparação com 40 sacas ou 2,4 toneladas em 2008.

Demanda muito forte
O aumento nas importações de fertilizantes pelo Brasil foi confirmada tanto pela ANDA, Associação Nacional de Defensivos Agrícolas como pela  Vale, a gigante dos minérios de ferro a potássio, que na última sexta-feira previu um aumento de 15% nas importações de potássio neste ano, juntamente com um aumento dos preços.

“Os preços do potássio foram se recuperando e influenciando os preços dos alimentos”, disse a Vale. “Duas das principais culturas que demandam potássio, milho e açúcar, estão tendo seus preços acima dos picos de 2008. Portanto, a demanda é muito forte”.

O grupo revelou que sua divisão de fertilizantes e nutrientes teve lucro de R$ 114 milhões (US$ 71 milhões) no trimestre entre janeiro e março último, bem acima dos R$ 7 milhões do ano anterior, ajudado por uma série de aquisições.

Fonte:
Trigo & Farinhas + Agrimoney

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