China deverá se tornar mais agressiva em compras, prevê consultoria

Publicado em 02/06/2011 17:04 490 exibições
Apesar da desaceleração da economia chinesa nos últimos meses, o país deverá intensificar sua atuação no exterior, avalia o diretor da consultoria Accenture, John Lichtenstein. Ao palestrar no 22º Congresso Brasileiro do Aço, que acontece em São Paulo, Lichtenstein comentou que a expectativa é de que os chineses sejam cada vez mais agressivos em aquisições de empresas e em investimentos em outros países.

“Pela primeira vez, a China vai exportar mais capital que importar”, afirmou, acrescentando que o país está passando por uma nova fase de desenvolvimento. Até 2025, de acordo com o diretor da Accenture, o gigante asiático pretende construir 50 mil novos edifícios. “Isso equivale a dez cidades de Nova York”, comparou.

Dentre as mudanças previstas, encontra-se a do mercado de trabalho. “A China sabe que manter a mão de obra barata para obter vantagens na exportação não é sustentável. Talvez esse seja um passo anterior à mudança cambial”, comentou Lichtenstein.

A China vem sendo fortemente criticada por diversos países por manter sua moeda, o yuan, artificialmente depreciado. Tal medida, aliada ao baixo custo de produção, torna os produtos chineses atrativos no exterior.

Segundo Lichtenstein, a China tem consciência de que precisa elevar os salários para garantir melhor qualidade de vida à população e, assim, criar consumidores. Esse ponto, ressalta o diretor da Accenture, é um dos pilares do plano quinquenal desenvolvido pelo governo chinês para o período que vai até 2015. “O objetivo desse plano é reequilibrar a economia do país”, explica Lichtenstein.

Outros quatro pontos são destacados como prioritários para a China: urbanização, ambiente, globalização e reequilíbrio entre os mercados doméstico e externo.

Para promover as mudanças esperadas, a China deverá continuar investindo internamente. Até 2020, o consumo de aço deverá saltar dos atuais 576 milhões de toneladas ao ano para 1 bilhão de toneladas ao ano, com um crescimento anual entre 4% e 5% entre 2015 e 2020.

Entre as siderúrgicas, a expectativa é de consolidação, com as dez principais empresas do país respondendo por 70% do mercado. “A indústria do aço deve continuar nas mãos do governo”, avalia Lichtenstein.

No que se refere ao minério de ferro, apesar das pressões políticas para que se reduza a dependência externa, a China deverá continuar importando. “As companhias, hoje, não são capazes de comprar um grande fabricante, mas com a consolidação, eu não eliminaria essa possibilidade”, diz o diretor da Accenture.

Fonte:
Valor Online

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