G20 chega a acordo para lutar contra volatilidade dos preços agrícolas

Publicado em 24/06/2011 11:35 835 exibições
As vinte economias mais poderosas do planeta adotaram nesta quinta-feira em Paris um plano de ação para lutar contra a volatilidade dos preços agrícolas e evitar futuras crises alimentares.

"Hoje é um grande dia. Chegamos a um acordo histórico", comemorou o ministro da Agricultura francês Bruno Le Maire.

Esta é a primeira vez que a agricultura entra na agenda do G20, que reúne as maiores economias desenvolvidas e emergentes, representando 77% da produção mundial de cereais e 80% do comércio mundial de produtos agrícolas.

"A aplicação deste acordo começa hoje. Espero que os efeitos venham o mais rápido possível", disse Le Maire.

O Plano de Ação adotado pelos ministros, que possui 26 páginas, inclui vários objetivos principais: reforçar a informação e a transparência do mercado, assim como a coordenação política internacional para melhorar a confiança dos mercados internacionais, e evitar as crises alimentares.

Os ministros também se comprometeram a melhorar a produção e a produtividade deste setor que deverá alimentar 9 bilhões de pessoas em 2050, o tornará necessário aumentar a produção atual em 70%, sem que sejam cortadas mais árvores para isso.

A situação é cada vez mais urgente, pois o problema da segurança alimentar, agravado pelas crises de 2007 e 2008, não está resolvido, como indica o aumento dos preços de commodities como o trigo, que passaram de 140 euros a tonelada, em julho de 2010, para 280 euros em fevereiro passado, caindo para os atuais 225 euros.

Apesar disso, o ministro brasileiro da Agricultura, Wagner Rossi, ressaltou no plenário que os "aumentos de preços nos últimos anos compensam em parte o que perdemos no passado", segundo um comunicado distribuído ao término do encontro.

Ele afirmou que o Brasil está preparado para aumentar sua produção.

"Temos mais de 120 milhões de hectares de terras degradadas que podem e devem ser reincorporadas ao processo produtivo e ambiental", disse o ministro.

No entanto, os temas mais controversos, como os biocombustíveis, elaborados com milho ou cana de açúcar, que são em boa parte causadores da penúria e da carestia dos alimentos, como denunciam as ONGs, ficaram fora do acordo.

"O assunto não está maduro", disse Le Maire, preferindo se concentrar nos pontos em que pode haver acordo para poder apresentá-lo na cúpula de chefes de Estado e de Governo do G20 em Cannes (França), em novembro. 

Em relação à transparência dos estoques, ponto delicado para Índia e China, pois estes países consideram que essas informações são estratégicas, o G20 se limitará a estabelecer um sistema de informações sobre os mercados, batizado de AMIS, que será mantido sob supervisão da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).

Essa base de dados tem como objetivo "estimular" os países a "compartilhar seus dados" e aperfeiçoar os sistemas de informação existentes de maneira voluntária.

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, assegurou que este acordo não vai impedir as variações dos preços, mas estas "serão mais suaves", assegurou.

O secretário de Agricultura americano, Tom Vilsack, tinha saudado anteriormente o "consenso" obtido pelos ministros do G20.

"O consenso alcançado hoje pelos ministros da Agricultura do G20 representa uma união histórica para combater os desafios crescentes da fome e da volatilidade dos preços dos alimentos", indicou Vilsack em um comunicado ao término da reunião.
Fonte:
AFP

1 comentário

  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Ninguém precisa se preocupar pela escassez de açúcar e óleos para fritura. Dos três "pozinhos" fatais que existem no mundo, cocaina, sal e açúcar - este ultimo pode muito bem ter seu consumo diminuido. Menos sal, menos doce e menos fritura, melhor a saúde do povo. ONU, FAO e mais uma tropa de POETAS e arautos do Apocalipse estão altamente equivocados sobre a fome no mundo. Não fazem uma conta simples de aritmética que é dividir a produção pelo número de habitantes e veriam que a produção atual já seria capaz de alimentar 12 bilhões de pessoas, regradamente. Porém o ignorante desperdício é a sorte nossa... temos preços remuneradores para a maioria das commodities.

    0