No Terra: Obama critica sistema político americano e apela por acordo

Publicado em 29/07/2011 14:04 e atualizado em 29/07/2011 14:49 380 exibições
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em discurso na Casa Branca, nesta sexta-feira, que o sistema político americano não foi 'AAA', em alusão às notas que as agências de risco atribuem aos países. Segundo ele, caso não seja votado o aumento do teto da dívida dos EUA, o país perderá sua graduação máxima.

Para Obama, o povo deve pressionar as autoridades para que o aumento seja aprovado. O presidente disse que os Estados Unidos podem evitar que o não pagamento das dívidas aconteça e que esse é um dever dos políticos. "Podemos perder nosso 'AAA', e não porque não temos dinheiro para pagar", disse, lembrando que o país precisa chegar a um acordo até segunda-feira. "Essa é uma catástrofe que podemos evitar, a solução está em nossas mãos", completou.

Obama também aproveitou para avisar aos críticos que uma medida para aumentar os impostos é algo irreversível. "Para aqueles que são contra o aumento de impostos, os impostos vão subir assim, como a taxa de juros. Isso não tem desculpa", afirmou.

O presidente também fez questão de dizer que não haverá mais dívidas, mas apenas o pagamento daquelas já realizadas. "O teto da dívida só autoriza as dívidas já assumidas", ressaltou. Obama lembrou que um acordo no Congresso é importante para o pagamento de benefícios sociais e contratos com empresas.

Segundo ele, a proposta de lei apresentada pelo presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, "não resolve o problema. O que é claro agora é que qualquer solução para evitar uma moratória precisa ser bipartidária", afirmou. O líder da maioria democrata no Senado americano, Harry Reid, afirmou mais cedo nesta sexta-feira que tomará as medidas necessárias para obter uma votação sobre um texto de compromisso com o objetivo de elevar o teto da dívida e evitar um default por parte dos Estados Unidos. "Esta é provavelmente nossa última oportunidade de salvar este país do default", disse Reid, cuja iniciativa pode ser votada na madrugada de domingo.

Concretamente, Reid deverá dar por finalizados os debates a fim de habilitar uma primeira votação de procedimento, que pode ocorrer até as 02h00 (de Brasília), sobre o projeto elaborado sob sua direção. Uma segunda votação será realizada na segunda-feira às 08h30 (de Brasília), antes de sua passagem final na terça-feira, data limite na qual os EUA cairão em default se não aumentarem o limite de sua dívida, indicou um líder democrata.

Na noite de quinta-feira, os republicanos da Câmara de Representantes adiaram a votação de um plano para reduzir o déficit, enquanto a crise política americana afeta os mercados a cinco dias de uma eventual moratória. O plano alternativo do Senado apresentado por Reid economizaria US$ 2,2 trilhões em 10 anos, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso americano (CBO).

Entenda o caso
No último dia 16 de maio, os Estados Unidos atingiram o limite legal de endividamento público - de US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões). Na ocasião, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, anunciou medidas temporárias, como a suspensão de investimentos em fundos de pensão, a fim que evitar que a dívida ultrapassasse esse limite.

Segundo levantamentos do governo, o país deve ultrapassar o chamado "teto de sua dívida" no próximo dia 2 de agosto. Negociações entre o presidente Barack Obama e o líder do Congresso, o republicano John Boehner, não conseguiram romper o impasse a respeito do tema.

Os republicanos, que fazem oposição ao presidente Obama e controlam a Câmara dos Representantes - o equivalente à Câmara dos Deputados -, exigem que um acordo para elevar a dívida esteja condicionado a cortes no orçamento americano para reduzir o déficit, calculado em cerca de US$ 1,2 trilhão para o ano fiscal que termina em setembro. Por sua vez, o governo americano e o Partido Democrata se opõem a cortar programas sociais.

No Valor

EUA: Plano deve ser bipartidário; acordo antes de terça é possível, diz Obama

O presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou hoje, em pronunciamento de menos de dez minutos na Casa Branca, que qualquer plano sobre a redução do déficit e o aumento do teto da dívida americana deve ser bipartidário.

Ele insistiu que as medidas propostas pelos republicanos não atendem a esse critério e obrigariam o retorno à mesa das discussões dentro de alguns meses.

Obama disse também que os dois partidos não estão tão distantes de chegar a um acordo e pediu ao Congresso que encontre um consenso para a necessidade “cada vez mais urgente” de se elevar a capacidade de endividamento dos EUA. “Há muitas maneiras de sairmos desse imbróglio” afirmou ele.

Obama disse que confia na possibilidade de que o Congresso elevará o limite de endividamento do país antes do prazo final de terça-feira. Ele acrescentou que, dependendo da proposta, está aberto para um mecanismo que obrigaria a cortar gastos.

Fonte:
Valor Online

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