No Valor: Pânico global leva Ibovespa a cair 5,4% e retomar os 52 mil pontos

Publicado em 04/08/2011 14:01 228 exibições
A atuação vendedora dos investidores disparou nas bolsas mundiais e o Brasil não foge à regra. Nos Estados Unidos a queda supera os 2%, na Europa, ultrapassa os 3%, e, na cena doméstica, o Ibovespa já perde mais de 5%.

O mercado acionário nacional não conseguiu subir desde o começo de agosto e as discussões sobre um novo plano de estímulo nos Estados Unidos ganharam força, diante das preocupações de uma nova recessão global.

Mais uma vez, fica perceptível a busca frenética dos agentes para evitar quedas ainda maiores nas praças acionárias e as ordens de “stop loss” (limites de perdas) são disparadas.

Por volta das 13h, o Ibovespa já tinha queda de 5,44%, aos 52.972 pontos, com giro financeiro de R$ 4,2 bilhões. Esta é a quarta baixa consecutiva do índice, que testou mínima de 52.628 pontos, o que não era visto desde julho de 2009.

Vale lembrar que se o Ibovespa cair 10% será acionado o chamado “circuit breaker”, dispositivo de segurança que interrompe as negociações na ocorrência de movimentos bruscos de mercado, permitindo o rebalanceamento das operações. O mecanismo foi utilizado pela última vez em 22 de outubro de 2008.

Em Wall Street, há pouco, o índice Dow Jones tinha desvalorização de 2,52%, enquanto o S&P 500 caía 2,88% e o Nasdaq recuava 3,09%.

Segundo operadores, a forque queda da Bovespa já estaria levando corretoras a chamar margem de investidores com operações a termo, aquelas na qual se pode comprar ou vender ações a determinado preço em certa data.

No mercado futuro, mais de 90 mil contratos de Ibovespa já foram negociados. O número surpreende, pois em um dia considerado de bom volume são transacionados cerca de 100 mil contratos durante todo o pregão.

“A queda da Bolsa é exagerada, há um movimento de pânico tomando conta dos mercados. Desde que o Ibovespa perdeu os 58 mil pontos ficou perceptível a disparada de diversas ordens de ‘stop loss’ que ajudaram a agravar ainda mais a queda dos últimos dias. É um movimento mais irracional, mas é claro que a situação economia global mostra uma perspectiva mais negativa com os números recentes americanas e a zona euro trazendo preocupação”, afirmou o analista da Leme Investimentos João Pedro Brugger.

Segundo ele, agora o mercado opera em compasso de espera pela divulgação dos dados de criação de postos de trabalho nos Estados Unidos em julho, que serão divulgados amanhã.

As vendas na Bovespa estão sendo em grande parte puxadas pelos investidores locais. Nos dois primeiros pregões de agosto os institucionais retiraram liquidamente R$ 407,7 milhões da Bovespa, enquanto o estrangeiro entrou com R$ 133,4 milhões.

Todas as ações do Ibovespa operam em baixa, com destaque para Duratex ON (-11,04%, a R$ 9,34), LLX ON (-12,50%, a R$ 3,50) e MMX ON (-13,73%, a R$ 6,28).

Dentre as chamadas “blue chips”, Vale PNA cedia 5,72%, a R$ 41,07, Petrobras PN perdia 5,92%, a R$ 20,97, e OGX Petróleo ONN recuava 6,91%, a R$ 11,17.

Cautela com economia e dívida europeia afeta rendimento dos Treasuries

O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de dois anos caiu para o menor nível histórico em meio à preocupação crescente de que a desaceleração da economia americana e os problemas crescentes da dívida na Europa vão levar o Federal Reserve (Fed) a tomar medidas adicionais para impulsionar a economia americana.

Essa forte demanda pelos títulos da dívida americana é um termômetro do momento de incerteza pelo qual o mercado mundial está passando. Os investidores não vão atrás de rendimento, mas de liquidez.

Perto das 13 horas, o rendimento dos Treasuries de dois anos estava a 0,26%. A taxa dos títulos de 10 anos se encontrava em 2,48% e a dos bônus de 30 anos se situava em 3,75%.

Nesta jornada, o governo dos EUA mostrou que os pedidos de seguro-desemprego permaneceram em um nível elevado. Amanhã, sai o relatório sobre o mercado de trabalho americano e a previsão é de que ele mostre que a economia não está criando empregos suficientes para reduzir o nível de desocupação.

O Banco Central Europeu (BCE) indicou que retomou a compra de títulos ao mesmo tempo que ofereceu aos bancos mais recursos para impedir que a crise da dívida envolva a Itália e a Espanha em meio a comentários de que o Fed estuda uma terceira rodada de compra de dívida, conhecida por "quantitative easing".

Os investidores avaliam ainda a intervenção no câmbio pelo Japão e o corte inesperado na taxa de juro pelo banco central da Suíça.

Fonte:
Valor Online

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