Aversão a risco cai e dá fôlego às bolsas e ao real

Publicado em 30/08/2011 08:23 214 exibições
A semana começou com bom humor nos mercados locais e externos. O furacão Irene causou menos estragos que o previsto em Nova York, o gasto do americano subiu mais que o esperado em julho e uma fusão de bancos na Grécia melhorou a percepção sobre o setor financeiro do país.

Desde a sexta-feira, a percepção do mercado melhorou conforme prevaleceu o entendimento de que, ao não anunciar novas medidas de estímulo, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, passa a mensagem de que a situação nos Estados Unidos não é tão desesperadora.

Em Wall Street, o Dow Jones teve forte alta de 2,26%, aos 11.539 pontos. O S&P 500 subiu 2,83%, a 1.210 pontos, e o Nasdaq ganhou 3,32%, aos 2.562 pontos. O volume negociado no dia, no entanto, foi o menor em mais de um mês. E a baixa movimentação foi atribuída aos transtornos causados pelo furacão que ainda impedia a livre circulação em Nova York.

Captando essa melhora de sentimento do dia, o VIX, que mede a volatilidade das opções na bolsa americana e é visto com um termômetro do medo do mercado, caiu 9,30%, a 32,28 pontos.

Entre as matérias-primas, o barril de petróleo do tipo WTI mostrou valorização de 2,2%, aos US$ 87,27. O índice de commodities CRB ganhou 0,55%.

Bovespa

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tirou proveito dessa melhora de humor externo, mas, como em Wall Street, o volume foi pouco expressivo. O  Ibovespa terminou com valorização de 2,83%, aos 54.860 pontos, com giro financeiro na Bolsa de R$ 5,42 bilhões.

Para o analista de investimentos da Omar Camargo, Eduardo Dias, o bom humor refletiu a percepção dos investidores de uma maior disposição dos países desenvolvidos em resolver seus problemas.

Segundo Dias, o anúncio na sexta-feira passada de que a próxima reunião de política monetária do Fed terá dois dias está sendo interpretada mais como uma intenção do governo de anunciar um plano maior em setembro do que uma terceira versão do "quantitative easing" (compra de títulos públicos americanos) agora.

Dias lembra que a bolsa brasileira caiu mais que seus pares internacionais neste ano, o que contribui também para a correção de alta. “A percepção de que a economia da China não vai desacelerar tanto como o anteriormente previsto também ajuda”, disse.

Câmbio

Conforme melhora o apetite por risco dos investidores em âmbito mundial, cai a demanda por moeda americana. Por aqui, o dólar comercial encerrou com baixa de 0,80%, a R$ 1,592 na venda. O giro estimado para o interbancário somou US$ 1,8 bilhão.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto recuou 0,68%, para R$ 1,59,18. O volume negociado no dia somou US$ 32 milhões, contra US$ 53,5 milhões na sexta-feira.

Também na BM&F, o dólar para setembro operava com baixa de 0,74%, a R$ 1,592, antes do ajuste final.

O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, recuperou perdas e encerrou próximo da estabilidade a 73,70 pontos. O euro passou o dia com leve alta, defendendo a linha de US$ 1,45.

A movimentação mais expressiva ficou com as moedas emergentes. O rand sul-africano, o dólar canadense e o dólar australiano subiram com consistência ante o dólar.

No mercado local, chama atenção a pouca movimentação dos agentes no mercado de dólar futuro. As apostas de bancos e estrangeiros continuam concentradas em cupom cambial (DDI – juro em dólar).

Atenção à movimentação dos agentes nos próximos dias conforme o mês chega ao fim e é necessário decidir entre rolar posições ou deixá-las “morrer” pela taxa Ptax do fim do mês.

Na sexta-feira, os bancos apresentaram estoque comprado (que ganha com a alta do dólar) de US$ 10,64 bilhões, sendo US$ 71,7 milhões em dólar e US$ 10,57 bilhões em cupom cambial. Já os estrangeiros tinham posição vendida (que ganha com a queda do dólar) de US$ 15,948 bilhões, sendo US$ 1,34 bilhão em dólar e US$ 14,60 bilhões em cupom cambial.

Juros Futuros

O mercado de juros futuros operou descolado das projeções de inflação, do comportamento das bolsas de valores e das taxas de juros do mercado americano. Mesmo com essas “forças” contrárias, as taxas futuras continuaram desabando e fazendo mínimas não vistas em alguns anos na BM&F.

Olhando os vencimentos curtos, a probabilidade de uma redução da Selic já no encontro de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) beirou 70%. Olhando o restante da curva de juros, o mercado sugere um ciclo de 1,5 ponto percentual de corte no médio prazo.

O boletim Focus, no entanto, continua sugerindo Selic nos atuais 12,50% até o encerramento do ano. Para 2012, a mediana cedeu para 12,38%.

As mesas parecem se render à conversão do governo de perdulário em austero. Depois de entregar 80% da meta de superávit fiscal para o ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma elevação desse objetivo de 3% para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011.

Mantega também reforçou o discurso de que, com isso, quer ajudar o Banco Central (BC) na redução da taxa de juro. Mas deixou claro que a decisão é da autoridade monetária.

Logo após o anúncio do ministro, as taxas se afastaram das mínimas do dia. A leitura é que não há esforço adicional nesse anúncio: os R$ 10 bilhões a mais de economia já estavam na conta, resultado de arrecadação atípica de cerca de R$ 15 bilhões (Refis da crise e pagamento de imposto pela Vale).

Outra “decepção” do mercado com o anúncio fiscal foi a falta de medidas para 2012. Até quarta-feira, o governo deverá encaminhar ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária 2012.

À parte das discussões fiscais, é inegável que o governo promove um novo mix de política econômica, com aceno de política fiscal restrita e busca de uma política monetária mais frouxa.

Com isso, é natural que o mercado reaja a essa sinalização, mas por ora são apenas boas intenções. O que é fato é que a inflação não parece cair tanto quanto o previsto.

O próprio Focus mostra a mediana do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2011 subindo de 6,28% para 6,31%. E algumas consultorias acreditam que, em função de um já esperado reajuste nos cigarros, que acontece no fim do ano, dificilmente o IPCA fecha o ano muito abaixo de 6,5%, teto da meta. Para 2012, o IPCA segue em 5,20%, contra o centro da meta de 4,5%.

As instituições do Top Five, aquelas que mais acertam, também não estão convencidas de que essa mudança de postura vai trazer a inflação para baixo. O IPCA esperado pelo grupo subiu de 6,30% para 6,34% em 2011 e para 5,10% em 2012.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 perdia 0,02 ponto percentual a 12,36%. Outubro de 2011 apontava baixa de 0,03 ponto, a 12,26%, depois de testar 11,23%. Novembro de 2011 marcava 12,17%, perda de 0,05 ponto. Janeiro de 2012, o mais líquido do dia, projetava 11,92%, queda de 0,07 ponto. E julho de 2012 projetava 11,38%, queda de 0,06 ponto.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 ainda apontava baixa de 0,09 ponto, a 11,10%, mas fez mínima a 11%. Janeiro de 2014 registrava desvalorização de 0,16 ponto, a 11,11%. Janeiro de 2015 tinha baixa de 0,22 ponto, a 11,18%. Janeiro de 2016 perdia 0,27 ponto, a 11,19%. E janeiro de 2017 projetava 11,16%, também queda de 0,27 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 2.099.405 contratos, equivalentes a R$ 118,04 bilhões (US$ 190,21 bilhões), queda de 6% sobre o pregão anterior. O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 625.027 contratos, equivalentes a R$ 37,32 bilhões (US$ 60,14 bilhões).

Fonte:
Valor Online

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