Inflação oficial acumulada em 12 meses é a maior desde 2005

Publicado em 06/09/2011 11:04 e atualizado em 06/09/2011 15:23 413 exibições
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação de 0,37% em agosto, ante 0,16% no mês anterior, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador usado pelo governo na meta oficial de inflação apresenta alta de 7,23% - maior nível desde junho de 2005, quando atingiu 7,27% neste tipo de comparação.

O resultado está acima da meta fixada pelo governo para este ano, que é de 4,5% ao ano, com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Apenas em 2011, o indicador registra avanço de 4,42%, valor superior aos 3,14% verificados no mesmo período do ano passado. Em agosto de 2010 a taxa havia ficado em 0,04%.

"Os alimentos, que haviam apresentado queda de 0,34% em julho, voltaram a subir de forma significativa em agosto, atingindo 0,72% de variação e causando impacto de 0,17 ponto percentual, o que representa 45% do índice do mês", afirma o IBGE em nota. A principal influência de alta veio das carnes, que subiram 1,84% ante queda de 1,12% na medição anterior.

Outra pressão veio, em menor intensidade, do grupo Habitação - que passou de alta de 0,27% em julho para 0,32% agora -, pressionado pelo aluguel residencial. Os custos de Vestuário aceleraram a alta para 0,67% ante 0,10%. Os de Artigos de residência subiram 0,57% nesta leitura, contra 0,03%. Já os preços de Transportes caíram, em 0,11% em agosto, após subirem 0,46% em julho.

O IBGE também divulgou os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para as famílias com renda até seis salários mínimos. Neste caso, a taxa teve alta de 0,42% e superou o resultado de julho (0,00%). O INPC acumula inflação de 4,14% no ano e de 7,40% nos últimos 12 meses.

No G1: Mercado prevê mais inflação e menos crescimento para 2011 e 2012

Os economistas do mercado financeiro subiram sua estimativa para a inflação deste ano e de 2012, ao mesmo tempo em que reduziram sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos, informou o Banco Central nesta segunda-feira (5) por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus.

Segundo o documento, que é fruto de pesquisa do BC com os bancos, a expectativa dos economistas das instituições financeiras para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 6,31% para 6,38%. A previsão para o IPCA de 2012, por sua vez, avançou de 5,20% para 5,32%.

Sistema de metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano. Em 12,50% ao ano, a taxa está no patamar mais alto desde o começo de 2009.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Com isso, a previsão do mercado financeiro não está muito em linha com o que acredita o Banco Central. Na última semana, o BC baixou a taxa básica de juros da economia de 12,50% para 12% ao ano. Segundo a autoridade monetária, o cenário internacional, com a nova etapa da crise financeira em curso, manifesta "viés desinflacionário" no horizonte relevante.

Taxa de juros

Sobre a taxa de juros, o mercado financeiro começou a ajustar para baixo suas projeções após ter previsto manutenção na semana passada, quando o Copom baixou os juros.

Para o fim deste ano, a taxa recuou de 12,50% para 12,38% ao ano e, para o fim de 2012, passou de 12,38% para 11,88% ao ano.

Crescimento econômico e câmbio
O mercado financeiro também baixou, na semana passada, a sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 de 3,79% para 3,67%. Esta é a quinta semana consecutiva que a previsão para o crescimento da economia diminui.

Os ajustes começaram após a piora da crise financeira internacional, com a revisão para baixo da nota dos Estados Unidos pela Standard & Poors. Para 2012, a previsão do mercado de crescimento da economia brasileira recuou de 3,90% para 3,84%. Trata-se do segundo recuo seguido no indicador.

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2011 permaneceu inalterada em R$ 1,60 por dólar. Para o fechamento de 2012, a previsão do mercado financeiro para a taxa de câmbio ficou estável em R$ 1,65 por dólar.

Balança comercial

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2011 subiu de US$ 22,9 bilhões para US$ 23 bilhões na semana passada.

Para 2012, o BC revelou nesta segunda-feira que a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial baixou em US$ 12,10 bilhões para US$ 11,6 bilhões de superávit.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de 2011 ficou estável em US$ 55 bilhões. Para 2012, a projeção de entrada de investimentos no Brasil permaneceu intalterada US$ 50 bilhões.


No Valor Econômico: Com 7,23% em 12 meses, IPCA pode passar teto da meta em 2011, diz Link

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) continuará acelerando no fim do ano e tem risco de estourar o teto da meta de inflação estipulada pelo governo, que é de 6,5% ao ano, avalia o economista Thiago Carlos, da Link Investimentos. O centro da meta é de 4,5% para 2011, com tolerância de dois pontos porcentuais acima ou abaixo deste valor. Em 12 meses, o índice ficou em 7,23%.

O indicador de agosto, divulgado hoje, veio pouco abaixo da sua projeção de 0,40%, mas, segundo Carlos, os desvios ficaram bem dissipados e os itens que aceleraram o índice de um mês para o outro continuarão em trajetória de ascensão.

“Teve uma queda mais forte do que tínhamos projetado em energia elétrica, um pouco de queda do preço do papel em educação e o item vestuário veio um pouco abaixo do esperado”, conta Carlos, destacando a pontualidade dos movimentos. A tendência natural, no entanto, é de subida do índice devido aos preços de alimentos, combustíveis e à pressão do mercado de trabalho apertado, que abre espaço para repasses em serviços.

Na atual leitura, o grupo teve elevação de 0,50%, acima dos 0,48% projetados pela Link. “Esse mês ficou mais pressionado por conta dos reajustes de educação, que são sazonais”, explica o analista. O grupo com maior aceleração na medição de agosto foi alimentos e bebidas, que passou de queda de 0,34% em julho para aumento de 0,72%.

Carlos prevê que o IPCA de setembro tenha alta de 0,45%, com sérias chances de ficar acima desse número.  “Os alimentos começam a desacelerar, mas continuam rodando em patamar elevado. Vestuário sazonalmente continua subindo, alguns itens como passagem aérea voltam a reverter sua queda e os preços dos combustíveis começam a impactar”, comenta o economista.

O analista da Link também revisou suas projeções de médio e longo prazo após a surpresa do corte de meio ponto percentual na Selic, que está em 12% ao ano. Sua previsão para o IPCA de 2011 aumentou 0,2 ponto percentual, para 6,6%, incorporando impactos do preço do etanol com a entressafra no fim do ano e o imposto do cigarro.

Já a revisão de 5,3% para 5,8% para o IPCA de 2012 foi feita exclusivamente em função da mudança de rumo da política monetária, conta Carlos, que não trabalha com o cenário de choque externo apontado pelo Banco Central. “É um evento que tem risco de acontecer, mar por enquanto é só um risco, não dá para incorporar isso no nosso cenário”.

Fonte:
Terra + G1 + Valor

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