Dia traz fluxo cambial e bens duráveis no EUA

Publicado em 28/09/2011 08:31 199 exibições
A quarta-feira não reserva indicadores de primeira linha na agenda local e externa. Por aqui, merece atenção a parcial sobre o fluxo cambial até o dia 23 de setembro.

Antes disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulga a Sondagem da Indústria da Construção de agosto.

Na agenda americana, os investidores olham para as encomendas por bens duráveis em agosto. Está prevista uma queda de 1%, após alta de 4% em julho. Tirando bens de transporte da conta, o resultado deve ser um avanço de 0,2%.

Os investidores também conhecem a demanda semanal por empréstimos hipotecários e a variação nas reservas de petróleo e derivados.

O dia reserva ainda um discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, Ben Bernanke - o tema não é a economia dos EUA e, sim, “Lições dos Mercados Emergentes sobre Fontes de Crescimento Sustentado”.

Amanhã, o foco recai no Relatório de Inflação do Banco Central (BC), ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de setembro e na leitura final sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre.

Mercados Ontem

O dia terminou com alta nas bolsas e commodities e queda no preço do dólar e dos títulos americanos. Interessante que tudo se justifica na expectativa de novas medidas na zona do euro. E a piora dessas expectativas também explica o motivo da quebra de otimismo no fim do dia.

As bolsas americanas subiam quase 3% e o euro avançava firme ante o dólar até o Financial Times (FT) noticiar que surgia uma divisão na zona do euro envolvendo os termos do segundo pacote de socorro financeiro à Grécia, no valor de 109 bilhões de euros. Segundo a publicação, ao menos sete dos 17 membros do bloco defenderam que credores privados aceitem descontos maiores no plano de troca de títulos da dívida grega.

Com a divulgação e a disseminação da notícia pelas mesas, o otimismo perdeu força. O Dow Jones reduziu a alta de quase 3% para 1,33%. O S&P 500 e o Nasdaq ganharam 1,07% e 1,20%, respectivamente.

A própria Europa escapou desse movimento, pois já tinha encerrado negócios. Então, os índices por lá só refletiram “o melhor do dia”. Londres teve alta de 4,02%, Frankfurt subiu 5,02% e Paris se valorizou 5,29%.

Nada de concreto foi anunciado, apenas declarações de ministros e fontes próximas afastando um default da Grécia e falando sobre a possibilidade do fundo de estabilização financeiro da Europa ter seu tamanho ampliado.

Como o dia era de “copo meio cheio”, as manifestações contrárias à ampliação de tal fundo não fizeram preço. A Alemanha seria contra tal movimento, e o chefe do grupo de ministros de finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, descarou elevar o fundo que já conta com US$ 600 bilhões.

Entre as commodities, o barril de petróleo do tipo WTI teve firme alta de 5,3%, a US$ 84,48. E o índice CRB teve acréscimo de 2,73%.

*Bovespa

O mercado local continuou mimetizando os pares externos. Depois de subir mais de 2%, o Ibovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), terminou com leve valorização de 0,32%, a 53.920 pontos. O giro financeiro somou R$ 5,85 bilhões.

O operador de mercado da Icap Brasil Rodrigo Falcão avalia que, mesmo com um aumento do fundo europeu, a crise da dívida não será solucionada. “Não será um ato isolado como esse que vai trazer os mercados para níveis otimistas”, frisou.

O analista da Leme Investimentos João Pedro Brugger assinala que as bolsas apenas ensaiaram uma correção depois das perdas recentes, com o investidor ainda muito focado no curto prazo.

*Câmbio

Com a ajuda do cenário externo, o dólar completou o terceiro dia seguido de baixa ante o real. No período, o preço da moeda caiu 4,80%, mas ainda acumula expressiva valorização de 13,25% no mês.

Apesar da queda, a linha de R$ 1,80 seguiu respeitada. Nas mesas, se notou firme briga entre comprados e vendidos nesse preço.

No fim do dia, o dólar comercial mostrava queda de 0,98%, a R$ 1,804 na venda, mas a moeda fez mínima a R$ 1,796 (-1,43%).

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar pronto cedeu 3,03%, para R$ 1,7958. O giro do dia ficou em US$ 38,75 milhões contra US$ 29,25 milhões no pregão anterior.

Também na BM&F, o dólar para outubro mostrava baixa de 1,01%, a R$ 1,807, mas fez mínima a R$ 1,795 (-1,67%).

No câmbio externo, outras moedas emergentes também ganharam do dólar, com destaque para o rand sul-africano, peso mexicano e dólar canadense.

O Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdeu cerca de 0,44%, a 77,73 pontos, enquanto o euro subiu cerca de 0,44%, a US$ 1,359, depois de fazer máxima a UR$ 1,366.

Segundo o superintendente de tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta, o câmbio local reagiu a essa melhora de ambiente externo, mas ainda não há uma reversão clara da tendência de alta do dólar.

Ainda de acordo com o especialista, o fator determinante da trajetória futura do dólar passa pela condução da política monetária. O que acontece no campo externo ajuda ou atrapalha. “Nessa equação de variáveis que podem impactar o dólar, o Copom tem peso considerável”, explica.

Segundo Trotta, se o BC seguir cortando ou acenando novas reduções de juros, a moeda americana tende a continuar ganhando força. Isso não só pela questão da arbitragem de taxas, mas também pela visão menos rigorosa que o BC transmite ao mercado de reduzir a Selic mesmo com a inflação ainda elevada.

*Juros Futuros

Depois do acentuado movimento de baixa dos últimos dias, o pregão de terça-feira foi de “arrumar a casa” nos juros futuros. Seja por fatores técnicos e/ou realização de lucros, os contratos fecharam o dia apontando para cima na BM&F.

Ainda assim, a tese de que o Banco Central (BC) pode acelerar o ritmo de corte da Selic segue em pauta. Em comunicado, os especialistas do Nomura Securities anunciaram expectativa de corte de 1 ponto percentual na Selic no encontro de 19 de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom).

Na visão do Nomura, eventos recentes confirmam a visão já existente na instituição de que o ritmo de crescimento é a maior preocupação das autoridades brasileiras.

Segundo o banco, a questão do câmbio já foi “resolvida” com o real mais fraco e a inflação deve perder força nos próximos meses no comparativo anual, em função da base de comparação maior no fim do ano passado. (Embora o risco de inflação acima dos 6,5% tenha aumentado em função do real mais fraco).

“Nosso encontro com autoridades brasileiras no fim de semana passado durante a conferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) também reforçou nossa visão, já que as autoridades pareceram bastante preocupadas com a falta de soluções tempestivas para os problemas na Europa, expressando seu desejo de 'antecipar' o impacto da crise na economia brasileira cortando mais o juro mais cedo”, escreveram Tony Volpon e George Lei.

Além do corte de 1 ponto em outubro, que traria a Selic para 11% ao ano, o Nomura trabalha com redução de 0,50 ponto em novembro, com taxa indo a 10,50%, e novas reduções de mesma magnitude ao longo de 2012.

Em entrevista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, amenizou o noticiário dando conta da maior preocupação do governo com o quadro externo. “A situação antes da minha viagem a Washington e agora é exatamente a mesma”, afirmou, mas emendou que ‘a perspectiva no mundo é de recessão, ou seja, crescimento muito baixo por muito tempo”.

Mantega também afirmou que a crise “não piorou”. “A crise não piorou, não sei de onde os jornais brasileiros tiraram essa ideia de que estamos mais preocupados. O governo brasileiro está preocupado há dois, três meses. Não estamos nem mais nem menos”, disse. “O mercado não está pior, o mercado não está pior”, enfatizou.

Em audiência na  Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, avalia que cresceram, nas últimas semanas, as chances de a atual crise mundial se desdobrar num evento mais traumático, do porte do que foi a quebra do Banco Lehman Brothers, em 2008. "O cenário está mais complexo. As probabilidades de ocorrer um acidente de percurso elevaram-se", disse Tombini.

Fonte:
Valor Online

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