Depois de cair 4,8% em três pregões, dólar segue em alta

Publicado em 28/09/2011 14:12 180 exibições
Sem alteração relevante de cenário o dólar mantém o movimento de alta ante o real. Depois de cair 4,8% em três pregões, por volta das 14 horas, a moeda americana registrava valorização de 0,77%, a R$ 1,818 na venda.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar para outubro mostrava alta de 0,74%, a R$ 1,8205, mas já fez máxima a R$ 1,8225.

Sem mudanças, também, no câmbio externo. O dólar perde para o euro, mas ganha de outras moedas emergentes como o dólar canadense, peso mexicano e dólar australiano.

Há pouco, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, perdia 0,16%, a 77,66 pontos, enquanto o euro subia 0,18%, a US$ 1,361.

O foco dos investidores segue voltado para a Europa, onde não foram anunciadas novas medidas para lidar com a crise de endividamentos soberanos. O que continua acontecendo são mensagens de apoio e acenos de trabalho integrado para salvar a Grécia.

Hoje, a Comissão Europeia (CE) anunciou que um novo time da troika, que reúne Banco Central Europeu (BCE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e União Europeia (UE), chega a Atenas amanhã. Também ficou acertada uma reunião extra dos ministros de finanças em outubro para tratar do tema.

De volta ao mercado local, a rolagem de contratos de dólar começa a ganhar força. No fim da semana, o dólar para outubro deixa de ser negociado e os investidores podem rolar suas posições para novembro (ou outro vencimento) ou deixá-las “morrer” pela Ptax.

Tanto a rolagem quanto a briga entre comprados (pró-dólar) e vendidos (pró-real) se acirram a partir de quinta-feira.

Depois de fortes movimentações na semana passada, as posições pouco oscilam na BM&F. O não residente segue vendido em US$ 3,415 bilhões, exposição composta por US$ 9,997 bilhões comprados em dólar futuro e US$ 13,412 bilhões vendidos em cupom cambial (DDI – juro em dólar).

Já os bancos mostram estoque líquido vendido de US$ 5,258 bilhões, sendo US$ 12,188 bilhões vendidos em dólar futuro e US$ 6,930 bilhões comprados em cupom cambial.

Fluxo Cambial

Como acontece toda a quarta-feira, o Banco Central (BC) apresentou nova parcial sobre o fluxo cambial. Agora em setembro até o dia 23, o saldo é positivo em US$ 8,084 bilhões, sendo US$ 7,789 bilhões na conta comercial e US$ 295 milhões na conta financeira.

No mesmo período, o BC tirou de circulação US$ 327 milhões via compras no mercado à vista. Cabe lembrar que o BC não compra moeda à vista desde o dia 13 de setembro.

Como o fluxo é superior à compra, ocorre uma “sobra efetiva” de dólares no mercado e essa moeda vem sendo utilizada pelos bancos para montar posição comprada no mercado à vista. No período, o estoque comprado em dólar físico ronda US$ 1,5 bilhão, contra uma posição vendida de US$ 6,257 bilhões no fim de agosto.

Esses dados apresentados pela autoridade monetária também elucidam que toda a alta que o dólar acumulou (e acumula) no mês não tem relação com fluxo cambial. Há, de fato, sobra de moeda, mas o preço do dólar no mês até o dia 23 subia 14,8%.

A puxada de alta veio, em grande parte, do mercado futuro, onde os estrangeiros viram a mão e passaram a deter posição comprada em dólar, conforme acima explicitado. O movimento da BM&F foi tão intenso que levou o BC a vender contratos de swap na semana passada, coisa que não acontecia desde junho de 2009. Outro fator que deu força ao dólar foi o aumento da instabilidade externa.

Fonte:
Valor Online

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