População de Jacareacanga-PA se revolta contra atos de violência dos Mundurukus. Entenda como começou o conflito

Publicado em 14/05/2014 13:11 e atualizado em 28/02/2020 10:23 1801 exibições

O clima de paz entre indígenas e não indígenas em Jacareacanga, no Sul do Pará está  literalmente abalado. As manifestações violentas protagonizadas por um pequeno grupo de guerreiros Munduruku liderados por uma indígena chamada Maria Leuza Munduruku tem um histórico de violência. Lideranças indígenas e políticas de Jacareacanga manifestam preocupação, pois a qualquer momento podem acontecer confrontos entre Munduruku e a população não indígena. 

As ações de violência deste grupo de guerreiros protagonizou uma reunião  com todas as lideranças Munduruku ocorrida em 03 de Agosto de 2013 , para discutir pautas ligadas ao Movimento de Resistência Munduruku. Na ocasião a Associação Pusuru repudiou as ações dos indígenas e anunciou que só os membros da entidade poderiam organizar movimentos e se manifestar em nome do povo Munduruku.

21 de janeiro de 2013

Guerreiros Munduruku liderados por Maria Leuza Munduruku invadem às 17 horas a Comunidade de mamãe Anã e sequestraram três biólogos da empresa de pesquisa Concremat. Na ocasião eles levaram três voadeiras,computadores e material de pesquisa.Os pesquisadores faziam estudos na região em função da construção das hidrelétricas do Complexo Tapajós. 

24 de janeiro 2013

O mesmo grupo de guerreiros invadiu a Câmara de Vereadores de Jacareacangae mantendo os vereadores em cárcere privado por cerca de cinco horas. Alguns vereadores foram hostilizados quando alguns guerreiros passaram nos rostos de alguns parlamentares urtiga que em contato com a pele produz vermelhidão, coceira, ardência (queimaduras) e, consequentemente, muita dor. 

04 de Fevereiro 2014

O grupo desta vez invadiu no final da tarde um garimpo localizado no Rio das Tropas (faz divisa da terra Munduruku), afluente do Rio Tapajós. Em cinco voadeiras o grupo indígena expulsou 12 garimpeiros. Uma cozinheira denunciou na Comissão de Justiça da Câmara que foi estuprada por alguns indígenas durante a ação.

05 de maio de 2014

Insatisfeitos com não recontratação de 70 professores indígenas o mesmo grupo de guerreiros tentou sequestrar o secretário de educação Pedro LúcioSanta Rosa. A ação só não aconteceu porque populares e servidores da Educação se manifestaram com firmeza. O objetivo dos indígenas seria levar Pedro Lucio para uma aldeia próxima para forçar a recontratação dos professores.

12 de maio de 2014

Por volta das 9 horas cerca de 30 guerreiros Munduruku, entre eles a indígena Maria Leuza Munduruku, tentaram ocupar o prédio da prefeitura. Vereadores e lideranças indígenas interviram para evitar um confronto. Durante a manifestação em frente à Prefeitura notou-se que alguns homens não indígenas estavam nas esquinas armados para um possível confronto com os guerreiros Munduruku. 

À noite por volta das 9 horas, moradores flagraram um grupo de indígenas ateando fogo numa casa de propriedade da Prefeitura, local onde são alojados professores que trabalham na área indígena. O fogo só não consumiu a moradia porque moradores debelaram o fogo. 

13 de maio de 2014

Profissionais da educação organizaram uma manifestação pela paz em frente à Prefeitura. Mais de 500 pessoas participaram do evento. O vice-prefeito Roberto Crixi se manifestou repudiando as ações dos parentes. Já Valdelírio Kabá, da Associação Pusuru pediu perdão à população de Jacareacanga. O secretário de educação Pedro Lúcio disse que foi agredido por um indígena durante a tentativa de seqüestro. Pedro Lúcio anunciou que por questão de segurança a Secretaria Municipal de Educação estará retirando da área todos os professores não indígenas. 

Durante a manifestação em frente á Prefeitura um grupo de indígena tentou pegar o secretário de assuntos indígenas Ivânio Alencar. Populares interviram com força e desarticularam os indígenas. A manifestação popular se dirigiu pelas ruas da cidade e num trecho da Rua Raimundo Bernardo da Silva (em frente à casa de Maria Leuza Munduruku) o grupo de guerreiros Munduruku tentou impedir a manifestação armados com lanças e flechas. Houve um confronto e os guerreiros Munduruku bateram em retirada. Jacareacanga vivencia um momento de turbulência e desta vez é a sociedade que se manifesta. 

 

Veja as fotos: 

Jacaré ManifestaçãoJacaré Manifestação 2Jacaré Manifestação 3Jacaré Manifestação 4

Texto e Fotos: Nonato Silva

No Blog Questão Indígena: Conflito étnico no Pará: Ministério Público Federal manda Polícias Militar e Federal contra população não indígena

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofícios à Delegacia da Polícia Federal em Santarém, no Pará, e ao Comando Geral da Polícia Militar, na capital do estado, Belém, solicitando atuação ostensiva e de inteligência em Jacareacanga, sudoeste do estado. Ontem pela manhã a população não indígena do município se revoltou contra índios munduruku depois que o grupo tentou atear fogo à casa de apoio aos professores públicos. Cerca de 500 pessoas atacaram os índios com rojões e fazendo ameaças contra a presença dos indígenas no município.

“Solicito a intervenção deste comando junto à Polícia Militar em Jacareacanga, a fim de que haja efetiva atuação visando controlar a situação”, diz o ofício enviado ao comando da PM pelo procurador da República Camões Boaventura, de Santarém. À PF, o procurador solicitou o envio de uma equipe para fazer diligências no local, com urgência. O MPF também vai solicitar abertura de inquérito policial à PF para apurar as responsabilidades pelas agressões contra os índios.

Conforme informamos aqui no #Qi, os índios exigiam que a prefeitura recontratasse cerca de 70 índios munduruku como professores municipais. Os índios foram exonerados porque não tem qualificação para exercer o cargo, conforme exige a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. A Funai havia se comprometido a qualificar os indígenas, mas não cumpriu o compromisso forçando a prefeitura a exonera-los.

Um grupo de índios munduruku permaneceu por mais de uma semana na cidade, reivindicando uma solução para o problema. O bando invadiu a Câmara Municipal e a Prefeitura e, na manhã de ontem, tentou atear fogo à casa de apoio ao professor como forma de protesto. O ato revoltou os munícipes que reagiram contra os índios.

Agora o Ministério Público pede que as forças militares do estado e a polícia federal entre em campo no conflito étnico. 

Fonte:
AI - Prefeitura Jacareacanga-PA

4 comentários

  • R L Guerrero Maringá - PR

    Selvagens!

    Precisam de cadeia e muita porrada para se civilizarem.

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  • GEOVANE DOS SANTOS FURTADO Itapeva - SP

    Onde vamos parar ??? A lei deste País não vale para os índios ??? Acho que a solução pode ser as eleições que se aproximam - vamos tirar o "PT" do governo, que nada resolve, e talvez poderemos ter uma solução ...

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  • jorge casarin Santo Ângelo - RS

    O que falta neste país é ordem, governo firme, somos todos brasileiros, por que o índio é diferente, nós todos trabalhamos, por que o índio não trabalha? MANDEM ESTA CAMBADA TRABALHAR, 500 ANOS DE MOLEZA E NADA DE PROGRESSO, CHEGA DE PAPARICAR VAGABUNDOS.

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  • beto palotina - PR

    INDIOS OU BANDIDOS

    POR QUE C FOSSEM NAO INDIOS ERAM BANDIDOS

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