Soja: falta de direção na CBOT não impacta mercado no Brasil

Publicado em 16/06/2014 13:04 1986 exibições

Nesta segunda-feira (16), o mercado internacional da soja registra mais um pregão de falta de direção na Bolsa de Chicago. Enquanto os primeiros vencimentos seguem sendo sustentados pelos fundamentos fortes e positivos de oferta e demanda, os mais distantes são pressionados pelas perspectivas de uma colheita recorde nos Estados Unidos na temporada 2014/15. 

Assim, por volta de 12h20 (horário de Brasília), os contratos julho e agosto subiam, respectivamente, 2,50 e 1,50 pontos, valendo US$ 14,28 e US$ 13,71 por bushel. Ao mesmo tempo, as posições setembro e março registravam um ligeiro recuo, de pouco mais de 1 ponto. 

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou, no início da tarde de hoje, mais um boletim com os embarques semanais do país trazendo, novamente, bons números para a soja. Foram embarcadas, na semana que terminou no dia 5 de junho, 215,619 mil toneladas, contra 124,242 mil da semana anterior. No ano passado, nesse mesmo período, o total foi de 75.664 mil toneladas. 

Além desse expressivo aumento em uma semana, o volume elevou o total acumulado no ano comercial 2013/14 para 42.460,019 milhões de toneladas, frente à última estimativa do USDA para todo a temporada, que acaba somente em cerca de 10 semanas, de 43,5 milhões de toneladas. 

São números como estes, segundo explicam analistas, que confirmam que o mercado ainda segue sustentado pela situação norte-americana, onde há uma severa escassez de produto disponível, mas, paralelamente, a procura pela oleaginosa não sinaliza um desaquecimento no ritmo. 

O objetivo do primeiro vencimento, portanto, agora é o de buscar a nova resistência dos US$ 14,50 por bushel e romper esse patamar, tentando consolidar novas altas, de acordo com Ênio Fernandes, consultor em agronegócio.

Entretanto, apesar dessa movimentação pouco direcionada para o mercado futuro da soja no curto prazo, os preços nas origens brasileiras, ainda segundo Fernandes, têm se mantido pouco alterados e não têm sentido com tanta força esse impacto dos resultdos em Chicago. E um dos fatores para essa manutenção das cotações se deve à baixa disponibilidade de soja também no Brasil. 

"Nós vimos os preços em Chicago caindo e os prêmios aqui corrigindo isso. A baixa disponibilidade de soja no mercado interno gera sustentação de preços", diz o consultor. "O cenário é de sustentação para os preços da safra velha, e eu acho difícil os preços no mercado interno cederem", completa. 

Outro fator que pode favorecer os preços da soja da safra velha no mercado brasileiro é a boa demanda por farelo e óleo, além dos bons preços dos dois produtos. Ao longo do ano, os valores do farelo registraram bons números e ficaram bem acima do que o registrado em anos anteriores e boas margens de esmagamento. Já no caso do óleo, o aumento da mistura de biodiesel no óleo diesel deverá amenizar as margens negativas que vem sendo amargadas pelas indústrias. 

"O que determina preço é a oferta. As origens estão ofertando muito pouco. O produtor brasileiro está sendo extremamente hábil em vender. A demanda por farelo está forte e as origens estão vendendo pouco, essa combinação sinaliza de preços se mantendo", diz Ênio Fernandes. 

Ajuda do Câmbio 

Ainda nesta segunda-feira, o boletim Focus sinalizou uma melhora para o valor do dólar, o que também poderá contribuir para a formação dos preços no mercado interno. A projeção do reporte mostra a taxa de câmbio podendo chegar, até o final do ano, a R$ 2,40 / R$ 2,45. 

Hoje, a moeda norte-americana trabalha próxima da estabilidade frente ao real, com a atenção focada nos movimentos externos. 
O mercado está atento à situação da crise na Ucrânia e também a novos números que chegam sobre a economia dos Estados Unidos vindos do FED - Federal Reserve, o Banco Central norte-americano. Por volta das 11h30 (Brasília), o dólar subia 0,6%, vendido a R$ 2,23. 

Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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