Soja: cotações recuam e devolvem ganhos da semana na CBOT

Publicado em 22/02/2013 18:57 e atualizado em 22/02/2013 19:56
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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão desta sexta-feira (22) do lado negativo da tabela. Após uma semana positiva, a commodity registrou uma sessão com bastante volatilidade e terminou o dia com quedas expressivas. Ao longo dia, os preços da soja operaram em alta, as quais não foram sustentadas. 

O analista de mercado da Futures International, Pedro Dejneka, explica que o mercado internacional de grãos não conseguiu ultrapassar o patamar de resistência de US$ 15/bushel. Os preços não tem fôlego para avançar esse nível. E o mercado entende que sem grandes problemas climáticos na América do Sul e com a China entrando no mercado com menos força, os preços não teriam motivo para ter sustentação e, por isso, recuam, explica.

Por outro lado, os mapas climáticos voltaram a indicar chuvas para o sul da Argentina, o que poderia amenizar o stress hídrico das lavouras. Desde o início do plantio no país as principais regiões produtoras sofrem com as adversidades climáticas. Algumas consultorias privadas já teriam reduzido a projeção da safra argentina para 50 milhões de toneladas.

As informações sobre o adiamento da paralisação nos portos brasileiros também teria exercido influência negativa sobre os preços futuros da soja, conforme sinaliza o analista de mercado da Corretora Novo Rumo, Mario Mariano. Nesta sexta-feira (22), portuários vinculados, avulsos e terceirizados de todos os portos do país entraram em greve contra a Medida Provisória 595, que prevê mudanças nas atividades do setor. 

A preocupação com essa situação era grande, uma vez que se houvesse continuidade da paralisação os produtos não chegariam a tempo no mercado, e com isso, os compradores teriam que substituir as compras e buscar produtos em outras origens, provavelmente, nos EUA, que tem os estoques apertados, disse Mariano. 

E paralelo a esse ajustado quadro de oferta e demanda norte-americana, existe o retorno da China às compras. Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou a venda de 410 mil toneladas de soja em grão para a nação asiática, grande parte para entrega na temporada 2013/14. 

Além disso, Mariano sinaliza que hoje o mercado de commodities agrícolas registrou o seu último dia de negociação através das opções, fato que acrescentou volatilidade aos preços futuros em Chicago.

Diante desse cenário, Dejneka, destaca que a tendência para o mercado a curto prazo é altista e os contratos mais curtos devem encontrar suporte na demanda aquecida frente aos estoques apertados dos EUA. No entanto, com as projeções iniciais do USDA sobre uma safra recorde de milho e soja no país, a expectativa é que a produção da oleaginosa alcance 92,67 milhões de toneladas e o cereal poderá somar 369,1 milhões de toneladas, as cotações futuras podem ficar pressionadas. 

Toda essa situação irá depender do comportamento do clima no hemisfério norte nos meses de abril e maio, início do plantio dos EUA. Caso seja favorável, e se concretize uma produção recorde os preços podem ficar pressionados, ratifica Dejneka. 

Confira como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta sexta-feira:

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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