Soja: No mercado interno, preços sobem em média até R$ 5/saca

Publicado em 22/05/2013 11:01 e atualizado em 22/05/2013 15:06 3527 exibições

A oferta de soja disponível nos Estados Unidos quase nula tem estimulado boas altas para os preços no mercado físico local. O avanço dos preços em Chicago e mais prêmios historicamente elevados nos portos norte-americanos tem feito com que, em algumas localidades, o bushel da oleaginosa seja negociado a mais de US$ 16. Com isso, os produtores têm segurado a pouca soja que ainda está no país à espera de preços ainda melhores frente a uma demanda muito aquecida. 

Porém, não é só nos Estados Unidos que os sojicultores têm segurado seu produto. A situação se repete no Brasil e isso, somado às boas altas registradas recentemente em Chicago, tem estimulado uma recuperação dos preços da saca de soja no mercado físico brasileiro. 

Segundo Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, há no máximo 25% da safra brasileira 2012/13 de soja para ser comercializada, o que já caracteriza um período de entressafra. "Nós saímos da colheita e já entramos na entressafra. E os produtores, normalmente, deixam um pouco de soja para comercializar no segundo semestre para pagar insumos. E como isso tem sido feito, seguindo o padrão dos anos anteriores, o mercado está praticamente vazio de oferta", explica.

Com isso, poucos negócios vem sendo efetivados, inclusive nos portos, no balcão, poucos lotes vêm sendo formados e as indústrias também já encontram dificuldades em comprar matéria prima. Essa retenção, no entanto, tem gerado um impacto positivo nos preços, fazendo com que a cotação da soja tenha registrado um aumento de cerca de R$3,00 por saca, ou 8%, em uma média nacional nos últimos 10 a 15 dias. 

Brandalizze explica ainda que maio, no mercado interno brasileiro, é, tradicionalmente, um mês de preços mais baixos, o que não aconteceu esse ano. Segundo o consultor, se mantendo esse ritmo de avanço das cotações, a soja pode terminar o mês com uma valorização de cerca de 10%. 

"Não percebemos interesse dos produtores em vender, principalmente, aqueles que estão capitalizados", disse o vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop/MT. Antônio Galvan afirma que os produtores locais conhecem a realidade de uma oferta escassa tanto no mercado internacional quanto no interno, além de estoques muito ajustados, e por isso aguardam por preços melhores. 

Na região de Sinop, segundo o vice-presidente do sindicato, cerca de 12% da safra ainda precisa ser comercializada e o valor médio da saca de soja disponível fica entre R$ 43,00 e R$ 44,00. Galvan relata ainda que a safra na região sofreu com algumas intempéries climáticas e, com isso, a produtividade média deve ser de 50 sacas por hectare. 

Ainda em Mato Grosso, Antônio de La Bandeira, gerente do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, afirma que a situação se repete em seu município. Com 10% da safra ainda para ser negociada, "os produtores da região só estão negociando o necessário.Eles ainda seguram a safra, em função da indefinição da safra norte-americana”, diz. A média de preços para a região é de R$ 53,00 por saca, com negócios chegando a R$ 54,00. Ele afirma ainda que os compradores têm buscado pelo produto com intensidade, mas os preços ofertados não despertaram o interesse dos produtores. 

Em Parecis, a expectativa inicial de produtividade de 55 sacas por hectare acabou sendo frustrada por algumas adversidades no clima, deixando o rendimento, em média, em 49 sacas. 

Na região de Carazinho, no Rio Grande do Sul, Paulo Vargas, vice-presidente do Sindicato Rural, diz que a comercialização da safra 2012/13 também caminha a passos lentos, com os produtores ainda confiando em preços melhores diante da pouca oferta no mercado. “Somente os produtores que precisam de dinheiro para honrar seus compromissos estão negociando, os que estão capitalizados aguardam preços mais altos”. O município já comercializou cerca de 70% da safra e a média de preços da saca de soja é de R$ 57,50.

Para Mário Mariano, analista de mercao da corretora Novo Rumo, a tendência para os preços é de alta, "independente do que estiver acontecendo nos Estados Unidos". Mariano diz ainda que os preços para a soja que está disponível hoje nos armazéns produtores têm tendência de alta por conta do aumento do farelo e também pelo esmagamento que as indústrias terão que fazer no segundo semestre. 

"Essa tendência de alta está acontecendo. Nos útlimos 15 dias, na região de Diamantino/MT, os preços passaram de R$ 46,00 a R$ 47,00 para R$ 51,00 nesta terça -feira (21). Essa já á uma alta significativa que vem acompanhando não só o ritmo de Chicago no primeiro vencimento, como também a procura das indústrias para fazer seus estoques no segundo semestre", afirma o analista. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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