Soja: mercado volta a subir com incertezas sobre a produção nos EUA

Publicado em 28/08/2013 07:39
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Depois de uma terça-feira (27) de realização de lucros e pequenas mudanças nas condições climáticas, com mapas meteorológicos apontando redução das temperaturas e maior umidade na região produtora de grãos dos EUA, mercado muda novamente de direção e pregão eletrônico trabalha com leves ganhos na manhã desta quarta-feira (28). Por volta das 7h40 (Brasília) , o primeiro vencimento Set/13 trabalhava com alta de 7,75 pontos cotado a US$14,21/bushel. Nov/13 , trabalhava com alta de 4,25 pontos a US$13,74/bushel e o vencimento Mar/14 registrava alta de 3,75 pontos a US$13,43/bushel. 

Ontem o mercado em Chicago teve uma sessão volátil e os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago terminaram o dia do lado negativo da tabela. As cotações da commodity, que ao longo das negociações já registraram altas de mais de 15 pontos no contrato setembro/13, fecharam o pregão regular com perdas entre 13,75 e 21,50 nas principais posições. Os futuros do milho e do trigo também registraram quedas .

Para o consultor de mercado do SIM Consult, Mauricio Correa, o mercado realizou lucros após as altas expressivas registradas no pregão anterior. Apesar do recuo nos preços futuros, o consultor destaca que os preços da soja devem permanecer em um intervalo de US$ 12,50 e US$ 14,50/bushel. “Podemos até ter uma pressão sobre as cotações, no início da colheita da safra norte-americana, mas é uma situação que não deve se prolongar”, afirma.

Outro fator que também pesou sobre o mercado nesta terça-feira (27), foi a atualização dos mapas climáticos, que apontam mais umidade e temperaturas mais amenas em algumas regiões produtoras dos EUA, conforme explica o analista de mercado da FCStone, Glauco Monte. Para o analista, as possíveis chuvas poderiam trazer um alívio para as lavouras de soja, mas ainda não resolveriam a situação. 

Mais cedo, as previsões climáticas indicavam tempo mais seco para o cinturão produtor de grãos nos EUA, durante essa semana. E com temperaturas 5°C acima da média para o período, de acordo com informações de sites internacionais. 

Entretanto, na visão do analista de mercado da Jefferies, Vinicius Ito, enquanto não houver chuvas efetivas nos EUA, dificilmente o mercado tomará uma tendência baixista. “O s preços podem apresentar uma oscilação, mas enquanto não houver precipitações o mercado estará sujeito a novas altas”, ratifica o analista. 

O clima seco e quente segue preocupando os investidores, uma vez que pode reduzir o potencial produtivo das lavouras do país. Segundo projeções de analistas norte-americanos, os EUA deverão produzir 85,2 milhões de toneladas nesta safra. O número é menor do que divulgado no último relatório de oferta e demanda do USDA(Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 88,6 milhões e também dos dados do levantamento Crop Tour Pro Farmer, de 85,95 milhões de toneladas.

Ainda na soja, a produtividade média das lavouras é estimada em 46,5 sacas por hectare, contra 48,3 sacas por hectare reportado pelo USDA. No caso do milho, os analistas projetam a safra em 344 milhões de toneladas frente as 349,6 milhões do departamento norte-americano e 341,9 do Crop Tour. Já o rendimento das plantações do cereal deverá alcançar 160 sacas por hectare, número abaixo do projetado pelo órgão norte-americano no último relatório de 163,42 sacas por hectare. 

O consultor ainda destaca que o mercado já precifica possíveis quebras na safra norte-americana. “Situação que tende a deixar os estoques norte-americanos ajustados. Além disso, a perspectiva do mercado é que os EUA já tenham exportado em torno de 19 milhões de toneladas, das 37,7 previstas pelo USDA, no mês de agosto”, ressalta Correa. 

Milho – Os futuros do milho fecharam o pregão regular desta terça-feira (27) em baixa na Bolsa de Chicago. As principais posições do cereal registraram perdas entre 13,75 e 16 pontos.  Segundo o analista de mercado da Jefferies, Vinicius Ito, os produtores norte-americanos aproveitaram as altas do pregão anterior para vender o produto no mercado físico do país, o que pressionou as cotações para baixo. 

Trigo – As cotações do trigo também encerraram o dia do lado negativo da tabela em Chicago. Os principais vencimentos da commodity exibiram perdas de mais de 3 pontos.  Apesar do recuo nos preços, o consultor de mercado, Mauricio Correa, ainda destaca que o consumo mundial, assim como, as quebras nas produções globais devido aos problemas climáticos, tendem a sustentar as cotações do trigo. 

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Fonte: Notícias Agrícolas

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