Soja tem fundamentos firmes, mas fecha com realização de lucros

Publicado em 20/03/2014 17:11 e atualizado em 20/03/2014 17:44 1366 exibições

Os vencimentos mais negociados da soja, nesta quinta-feira (20) com leves baixas na Bolsa de Chicago, com exceção do primeiro contrato, maio/14, que fechou com alta de 2,50 pontos, valendo US$ 14,33 por bushel. O recuo dos preços, que variou entre 0,75 e 5,25 pontos, refletiu um movimento técnico de realização de lucros, apesar do quadro de fundamentos ainda bastante firme e positivo. 

Nessa semana, o mercado da soja rompeu o patamar dos US$ 14,50 por bushel, tido como uma resistência pelos investidores, segundo explicou Mauricio Correa, analista de mercado do SIM Consult, motivado pelos fundamentos. E ao se aproximar desse número, em seguida, optou pela realização de lucros, caracterizando, no entanto, um movimento técnico. "Há uma forte resistência no patamar dos US$ 14,60, o mercado não conseguiu quebrar esse número e motivou a realização", disse. 

Assim, o analista acredita que esses movimentos menos expressivos podem se estender um pouco mais, talvez até esta sexta-feira (21) quando se encerra a semana, e ir recuperando a força com o passar dos dias e o quadro fundamental ainda forte e dando suporte às cotações. 

Entre os fundamentos, nada mudou e a situação de preocupante aperto entre os estoques norte-americanos extremamente ajustados e uma demanda ainda muito forte pelo produto dos Estados Unidos foi confirmada pelo relatório de exportações semanais trazido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) hoje. 

Na semana encerrada no dia 13 de março, os EUA exportaram 202,2 mil toneladas da safra 2013/14, ficando acima do volume registrado na semana anterior. As vendas de farelo também foram bastante expressivas, ficando em 242,9 mil toneladas, 52% maiores do que as registradas há uma semana. No acumulado do ano comercial as exportações de soja do país já chegam a 44,4 milhões de toneladas, contra a estimativa da entidade de 41,6 milhões. 

Com isso, Correa acredita que, até o final do mês, o mercado deva fazer uma nova tentativa até o final de março para romper os US$ 14,65 e, conseguindo, buscar os US$ 15 por bushel. 

O analista afirma ainda essa volatilidade é normal em um momento em que os negócios se mostram aquecidos, e faz parte de uma necessidade do mercado essa realização de lucros para trazer um alívio e, consequentemente, uma retomada do fôlego. "Eu acredito que o mercado criou um canal entre R$ 13,60 e US$ 15,20 no momento. O que temos que observar agora é a terceira tentativa de quebrar a resistência", explica. 

Além disso, Mauricio Correa diz ainda que é importante que o produtor brasileiro fique atento ao patamar dos US$ 14,50 para realizar seus negócios, já que a tendência para os prêmios nos portos brasileiros é de que queda à medida em que em Chicago os preços avançam.

"É aconselhável aproveitar a próxima alta e fazer um pouco de vendas para finalidade de conseguir algumas médias, é importante aguardar ainda uma taxa de câmbio e os valores em Chicago ligeiramente mais altos para vender um pouco da produção", aconselha o analista do SIM Consult. 

Milho: Mercado realiza lucros e fecha em baixa na CBOT; No Brasil, preços seguem estáveis

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras da soja fecharam a sessão desta quinta-feira (20) em baixa na Bolsa de Chicago. Durante as negociações, os principais vencimentos da commodity ampliaram as perdas e terminaram o pregão com quedas entre 8 e 9,25 pontos. O contrato maio/14 era cotado a US$ 4,78 por bushel, uma desvalorização de 1,89% em relação ao último pregão.

O mercado realizou lucros nesta quinta, após os ganhos das últimas sessões, conforme afirma o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari. Além disso, as vendas dos estoques do produto por parte dos produtores norte-americanos pressionaram negativamente os preços em Chicago. Os agricultores dos EUA estão tentando se capitalizar para adquirir sementes e insumos para a safra 2014/15.

No curto prazo, a tendência é que as cotações trabalhem com volatilidade até a divulgação do relatório de intenção de plantio do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), no dia 31 de março. “A partir daí teremos um direcionamento para os preços do cereal na Bolsa de Chicago”, relata Molinari.

Ainda nesta quinta-feira, outro fator que também deu tom negativo aos preços foram os números das vendas semanais dos EUA reportadas pelo departamento. Na semana encerrada no dia 13 de março, as vendas totalizaram 745.800 toneladas, contra 683.400 toneladas na semana anterior. O número desta semana representa um aumento de 9% em relação à última divulgação. No entanto, em comparação com a média das últimas quatro semanas, as vendas norte-americanas de milho diminuíram cerca de 20%. 

Em contrapartida, os investidores ainda estão atentos em relação ao clima nos Estados Unidos. A previsão ainda é de clima mais frio para algumas importantes regiões produtoras no Corn Belt, o que na visão dos analistas, se for concretizado poderá comprometer o plantio da temporada 2014/15.

BMF&Bovespa

No Brasil, os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa registraram mais um dia de valorização. A quebra na safra de milho verão devido ao clima e às incertezas em relação à safrinha permanecem como fatores de suporte aos preços. 

Em muitas regiões importantes, os agricultores continuam plantando o milho, mesmo fora da janela ideal, o que aumenta os riscos em produtividade. Para o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, no Mato Grosso, os preços da saca do cereal devem trabalhar no intervalo entre R$ 15,00 e R$ 20,00 esse ano.

“Os investimentos em tecnologia e adubação também são menores nessa safra. Provavelmente, a safrinha deverá ser menor e não teremos um grande excesso de milho para exportar. Será uma briga boa entre os consumidores no sul do país e os embarques”, relata Brandalizze.

Em Campinas (SP) CIF, a saca terminou o dia cotada a R$ 33, 00, em Cascavel (PR) a R$ 28,00. Já em Sorriso (MT) o valor foi de R$ 21, 00, enquanto que em Jataí (GO) o preço da saca ficou em R$ 28,00. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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