Soja: Mercado fecha em alta na CBOT, apesar de USDA conservador

Publicado em 09/04/2014 17:32 e atualizado em 09/04/2014 18:30 2233 exibições

O mercado internacional da soja refletiu os números divulgados nesta quarta-feira (9) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e fechou o pregão com boas altas na Bolsa de Chicago. Os traders, no entanto, já vinham antecipando essas informações e se posicionando antes do boletim, o que limitou altas mais expressivas, principalmente nos primeiros vencimentos. 

Com isso, o vencimento maio/14, o mais negociado nesse momento, fechou o dia valendo US$ 14,95 por bushel, com alta de 12,75 pontos. No melhor momento do pregão, o contrato chegou a bater nos US$ 15, mas recuou. Ainda assim, a commodity fechou o dia com os mais altos preços em 10 meses. 

>> USDA reduz estoques de soja dos EUA e leva residual do país a zero

Os estoques finais de soja nos Estados Unidos foram reduzidos de 3,95 milhões de toneladas para 3,67 milhões de toneladas. Paralelamente, o USDA trouxe ainda um aumento das importações norte-americanas, que subiram de 950 mil toneladas para 1,77 milhão e, além disso, reduziram o volume residual de 330 mil toneladas a zero. 

O esmagamento de soja dos EUA também foi reduzido e ficou em 45,86 milhões de toneladas, contra 45,99 milhões do relatório do mês passado. As exportações dos EUA, por outro lado, cresceram expressivamente e sua projeção aumentou de 41,6 milhões para 43 milhões de toneladas. 

O USDA trouxe também informações sobre os demais países exportadores mais importantes do cenário e os números globais para a oleagniosa. A produção mundial de soja também recuou e passou para 284,05 milhões de toneladas, contra 285,43 milhões estimadas em março. Os estoques globais também caíram e passaram de 70,64 milhões para 69,42 milhões de toneladas. 

A safra do Brasil teve sua estimativa revista para baixo, ficando em 87,5 milhões de toneladas, contra 88,5 milhões do boletim anterior. Paralelamente, a produção da Argentina foi mantida em 54 milhões de toneladas, bem como a da China, em 12,2 milhões de toneladas. 

Para Flávio França Junior, consultor em agronegócio, apesar das mudanças, o boletim do departamento norte-americano ainda foi neutro e não trouxe nenhum número muito além das expectativas do mercado. 

"O USDA continua conservador nesse corte feito nos estoques de soja, os quais devem ser mais menores do que o que foi divulgado nesse boletim. As correções estão sendo feitas em doses homeopáticas para, talvez, não criar um grande tumulto no mercado, mas o corte foi feito, comprovou a expectativa do mercado, trouxe uma variável a mais de alta, mas acredito que haja mais correções nos próximos relatórios", disse França. 

Em relação a 2013, as importações de soja dos Estados Unidos aumentaram cerca de 81% para o recorde de 1,77 milhão de toneladas. O número, ainda de acordo com analistas, reflete o cenário de oferta e demanda ainda muito apertado no país, onde há uma escassez de produto e as exportações se mantendo em um ritmo bem acelerado. Para o ano comercial que se encerra em 31 de agosto, as exportações de soja dos Estados Unidos já somam 44,51 milhões de toneladas, um volume 3,5% maior do que a projeção do USDA divulgada hoje. 

"Há uma possibilidade de que o USDA tenha subestimado as exportações norte-americanas com apenas cinco meses para terminar o ano comercial. O problema do aperto dos estoques dos EUA não foi solucionado, então, a única surpresa do dia foi os preços não terem subido ainda mais", disse o analista internacional Jerry Gidel, da Rice Dairy LLC, de Chicago, à agência Bloomberg. 

Com esse quadro, Flávio França acredita que o mercado só deve sinalizar uma mudança de tendência são as informações sobre a nova safra norte-americana, o que deve manter uma volatilidade expressiva sobre os negócios daqui para frente. "O mercado em Chicago continuará firme nas próximas semanas, até o começo de julho, agosto, com preços altos por conta dessa escassez norte-americana", diz. 

Milho: Mercado reflete aumento na produção mundial e fecha em baixa na CBOT

Por Fernanda Custódio 

Após a divulgação dos números do relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago terminaram o dia do lado negativo da tabela. As principais posições da commodity exibiram perdas demais de 5 pontos e o vencimento maio/14 era cotado a US$ 5,02, desvalorização de 0,93% em relação ao último pregão. Ainda assim, os contratos se mantiveram acima dos US$ 5,00 por bushel.

De acordo com o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza, as estimativas de aumento na produção mundial exerceram pressão negativa nas cotações futuras. O USDA apontou uma elevação na produção global de milho para 973,9 milhões de toneladas, contra 966,63 milhões de toneladas reportadas no relatório anterior.

Na contramão desse cenário, o departamento reduziu as estimativas dos estoques finais nos EUA para 33,82 milhões de toneladas. O número ficou abaixo das expectativas do mercado, que esperavam que os estoques ficassem próximos de 35,64 milhões de toneladas. Em março, o número anunciado pelo USDA foi de 36,98 milhões de toneladas.

Em contrapartida, o órgão norte-americano aumentou a projeção para safra brasileira de milho para 72 milhões de toneladas, contra 70 milhões de toneladas reportadas anteriormente. Os participantes do mercado esperavam um recuo na estimativa da safra do país, para 69,8 milhões de toneladas. A safra da Argentina foi mantida em 24 milhões de toneladas. 

Ainda na visão do analista, as quedas registradas nos contratos do trigo nesta quarta-feira também influenciaram os futuros do milho. "Em muitos países, o trigo é concorrente com o milho, como componente principal na fabricação de ração, então são diretamente proporcionais", explica Corazza.

Do lado fundamental, o analista acredita que o cenário permanece positivo para todas as commodities, apesar das quedas registradas na sessão de hoje. E a tendência é que as cotações do milho permaneçam próximas de US$ 5,00 por bushel. Além disso, outra variável que ganha força nesse momento são as previsões climáticas para os EUA. Os investidores estão atentos ao clima, uma vez que, caso as condições sejam desfavoráveis poderá comprometer o avanço do plantio da safra 2014/15 dos EUA. 

BMF&Bovespa

As principais posições do cereal negociadas na BMF&Bovespa operam em campo misto nesta quarta-feira. A comercialização da safra no Brasil, segue em ritmo lento e apenas são feitos negócios pontuais. Os produtores têm segurado o produto à espera de preços melhores.

"As negociações estão bem lentas, por isso, vemos que a BMF&Bovespa não tem uma variação tão forte como no mercado disponível. Os preços têm se mantido e em algumas praças ate tivemos algumas valorizações no mercado interno", diz Corazza.

O analista ainda afirma que as empresas brasileiras, que estiverem abastecidas, poderão ter que pagar mais para ter o produto, uma vez que, as ofertas de milho são pequenas. Nesta quarta, a saca de milho foi negociada a R$ 32,00 em Campinas (SP) CIF, em Campo Mourão (PR), o valor foi de R$ 27,00. Já em Campo Novo do Parecis (MT), a saca foi comercializada a R$ 20,50, enquanto que, em Jataí (GO), o valor foi de R$ 25,50, em Minas Gerais, em Unaí, o valor para venda da saca ficou em R$ 26,00.

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta quarta-feira:

>> SOJA

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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