Soja: novos critérios aumentam eficiência no uso de fertilizantes

Publicado em 22/04/2014 08:23 1328 exibições

Uma das ferramentas importantes para diagnosticar o estado nutricional das plantas é a análise foliar. Para isso, é necessária uma boa amostragem para que a interpretação dos resultados identifique a ocorrência de desbalanços nutricionais e, até mesmo, toxicidade de nutrientes. Os métodos mais utilizados são a faixa de suficiência e o Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (mais comumente denominado como DRIS).

O pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS) Carlos Hissao Kurihara conta que, por muito tempo, foi adotada uma tabela única para interpretar as faixas de suficiências de macro e micronutrientes na cultura da soja, “independente do fato da amostra de folhas ser constituído apenas pelo limbo foliar ou pelo limbo foliar com o pecíolo”, explica.

Recentemente, os pesquisadores Carlos Hissao Kurihara e Luiz Staut, ambos da Unidade de Pesquisa da Embrapa em Dourados, verificaram que alguns nutrientes, como nitrogênio, fósforo e enxofre, estão mais concentrados no limbo foliar, enquanto o potássio encontra-se em maior concentração no pecíolo. “Desta forma, os teores desses quatro nutrientes podem variar consideravelmente na amostra coletada no talhão da fazenda, dependendo do fato da mesma ser constituída apenas pela folha, ou também pelo pecíolo”, explica Kurihara.

Em um projeto, os pesquisadores demonstraram que havia uma margem para a ocorrência de equívocos no diagnóstico do estado nutricional da soja, pelo método das faixas de suficiência (ou faixa de teores adequados), já que os teores dos quatro nutrientes eram interpretados a partir de uma única tabela, independente do tipo de amostra de folha coletada.

Em 2006, foram estabelecidas novas faixas de suficiência para macro e micronutrientes, específicas para amostras de limbo foliar e também para amostras constituídas por limbo foliar mais o pecíolo. “Estas faixas de suficiência tinham como vantagem ser estabelecidas para as condições de solo, clima e potencial produtivo de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso”, afirma Kurihara.

Outra vantagem é que as novas faixas se diferenciavam das faixas de suficiência adotadas anteriormente, por possuírem menor amplitude entre o limite superior e o limite inferior da faixa de suficiência; isto permite maior exatidão no diagnóstico do estado nutricional da cultura da soja. Em 2013, este mesmo grupo de pesquisadores estabeleceu novas faixas de suficiência para a soja, para as condições de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. “A amplitude dos valores é ainda mais estreita. Com isso, é possível melhorar ainda mais o análise foliar”, afirma Staut.

Coleta de amostras

Para realizar a análise foliar, o extensionista deve proceder à coleta de amostras de folha segundo os critérios de época e tipo de amostras de folha estabelecidos para a espécie vegetal que se deseja analisar. “No caso da soja, indica-se a coleta, no estádio de floração plena, do terceiro trifólio completamente desenvolvido, acompanhado ou não do pecíolo, tendo-se em vista que há como realizar o diagnóstico do estado nutricional destes dois tipos de amostra”, relata Kurihara.

Outro aspecto levantado pelos pesquisadores é que em cada talhão da propriedade, o extensionista deve coletar amostras de folhas em cerca de 15 a 30 plantas. Kurihara salienta que, para cultivares com crescimento indeterminado, ainda há necessidade de mais pesquisas sobre a época de amostragem e a localização da folha na planta mais adequada para a diagnose do estado nutricional.

Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes

Para elevar a eficiência agronômica dos fertilizantes e minimizar eventuais impactos ambientais, as Boas Práticas para Uso Eficiente de Fertilizantes (BPUFs), ou o manejo adequado da fertilidade do solo, devem ser adotadas. As boas práticas variam devido a alguns fatores, como o tipo de solo predominante na região, do histórico da área e do sistema de manejo do solo e do sistema de produção adotado.

No caso do fósforo, a correção é realizada gradualmente devido ao elevado custo do adubo fosfatado. Além disso, a correção gradual diminui a perda da eficiência do adubo fosfatado em decorrência das reações de adsorção e fixação que ocorrem no solo.

Estudos realizados pelo pesquisador Kurihara, na Embrapa Agropecuária Oeste, indicaram que, em um prazo de três safras de soja, em Sistema Plantio Direto (SPD), o uso de uma fonte solúvel de fósforo, como o superfosfato triplo, aplicado anualmente na linha de semeadura da soja, resultou em um efeito residual médio de apenas 12 % do nutriente aplicado.

“O restante ficou retido no solo por meio de reações de adsorção e fixação, ou então foi imobilizado pelos micro-organismos e em formas orgânicas diversas; outra parte do fósforo aplicado também foi extraído pela soja e exportado pelos grãos”, relata. O efeito residual foi ainda menor quando o fósforo foi aplicado em grande parte no primeiro ano de cultivo, uma vez que a fixação deste nutriente no solo aumenta com o tempo de contato do mesmo com o solo.

Considerando os resultados dessa mesma pesquisa, Kurihara ressalta que a elevação da disponibilidade de fósforo em um solo muito argiloso, “em 1 mg/dm³, avaliado pelo extrator Mehlich-1, na camada de 0 a 10 cm de profundidade, há a necessidade de se aplicar algo em torno de 43 kg/ha do adubo superfosfato triplo, na linha de semeadura da soja. Caso a disponibilidade de fósforo no solo seja avaliada pelo extrator Resina, então haverá a necessidade de se aplicar cerca de 25 kg/ha de superfosfato triplo para a elevação do teor de P em 1 mg/dm³”.

Manejo sucessão soja/milho safrinha

Resultados de pesquisas em andamento, realizadas por Carlos Kurihara e Gessí Ceccon, demonstram que, em solos com elevada disponibilidade de fósforo e potássio, é possível adequar o manejo da fertilidade do solo, para atender outras demandas. “Pode ser aplicado todo o adubo previsto para o sistema de produção constituído pela sucessão soja/milho safrinha, no cultivo da gramínea, sem que haja prejuízos na produtividade da leguminosa”, exemplifica Ceccon.

Kurihara cita outro exemplo: “Também se pode efetuar a distribuição antecipada do adubo previsto para a cultura da soja, algum tempo antes da época de seu cultivo. Em ambos os casos, tem-se como vantagem a agilização do processo de semeadura da soja”. Ele salienta, porém, que a alta disponibilidade de fósforo e potássio é um requisito básico, mas não suficiente, para a decisão sobre adequações no manejo da adubação no SPD.

“É muito importante que haja, do mesmo modo, adequada manutenção da cobertura vegetal, que permita a reciclagem de potássio e outros nutrientes; a minimização de eventuais perdas de nutrientes por erosão hídrica; a manutenção de um intervalo hídrico ótimo por um período mais prolongado, com a consequente continuidade do fluxo difusivo de fósforo; e a promoção da atividade da micro, meso e macrofauna, favorecendo a imobilização de fósforo na biomassa microbiana, o transporte de fósforo e potássio pelas galerias dos organismos no perfil do solo”.

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Embrapa

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