Soja: especulações e boatos tiram direção do mercado em Chicago

Publicado em 23/04/2014 12:47 e atualizado em 23/04/2014 14:29 1896 exibições

O mercado internacional da soja caminha de lado nesta quarta-feira (23), alternando oscilações entre os lados positivo e negativo da tabela. "Continua o movimento de proteção, de garantia de lucros, por parte dos investidores", explica o analista de mercado Steve Cachia, da Cerealpar. Por volta de 12h30 (horário de Brasília), os dois primeiros vencimentos registravam um ligeiro recuo, enquanto os dois últimos, entre os mais negociados, subiam levemente. 

Abril tem sido um mês de intensa especulação e muitos boatos para o mercado da soja, o que tem intensificado a volatilidade entre os negócios na Bolsa de Chicago. Além disso, há ainda uma grande participação dos agentes financeiros e dos fundos de investimentos, o que também acentua esse movimento das cotações. No entanto, entre os fundamentos nada mudou e o quadro permanece positivo. 

"Toda especulação em torno da China tem deixado o mercado bastante conturbado e, obviamente, os investidores, principalmente os especuladores, aproveitam esse momento para realizar lucros e sair do mercado", diz Cachia. 

Entre os boatos que ainda estão sendo confirmados, um deles é de que navios de soja brasileira estariam indo para a China sendo redirecionados para os Estados Unidos, porém, com volumes ainda insuficientes para aliviar o quadro ajustado de oferta e demanda dos EUA, principalmente por conta dos estoques extremamente baixos no país. 

"Há de 2 a 4 navios confirmados, mas o governo norte-americano já está trabalhando com a necessidade de importação de soja de quase 2 milhões de toneladas para o ano comercial, ou seja, ainda não dá pra dizer que a situação esteja aliviada nos EUA até o final da temporada". 

Outra informação que chegou ao mercado foi a de que  China estaria bem abastecida nesse momento e, assim, faria um leilão de 3 milhões de toneladas de seus estoques de soja para o mercado interno chinês, com o objetivo ainda de valorizar o produtor local. Segundo o analista, essa é uma prática comum e usual na nação asiática. "Esses leilões a China faz sempre, é até uma estratégia de suporte para os produtores locais. Mas, nesse atual momento, uma notícia como essa acaba influenciando o mercado de uma forma negativa". 

Nos vencimentos mais distantes, as informações que começam a ganhar força no mercado são referentes ao clima para a safra 2014/15 dos Estados Unidos. "Essa é a fase de preparo de solo e plantio por lá, e sabemos que a produção americana, dentro de uma demanda mundial aquecida, deve ser cheia esse ano e o consumidor devem ficar muito atentos à perspectiva de potencial de produtividade da safra norte-americana", acredita Cachia. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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