Soja fecha com mais de 20 pts de alta após semana volátil

Publicado em 25/04/2014 16:12 3130 exibições

Na sessão desta sexta-feira (25), a soja fechou com boas altas na Bolsa de Chicago. Os primeiros vencimentos voltaram a se aproximar dos US$ 15,00 por bushel e fecharam com ganhos superiores a 20 pontos, no mesmo ritmo, o vencimento setembro/14 conseguiu superar o patamar dos US$ 13 por bushel. 

"O mercado tentou recuperar parte das perdas da semana, que foram provocadas por muitos rumores de cancelamento da China, importações de soja pelos Estados Unidos, e ouvimos todo tipo de boato sobre essas questões durante toda a semana, o que fez o mercado recuar", explicou Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar. "É muita especulação, e o mercado reage. Hoje há uma grande participação do mercado financeiro", completa. 

Com o foco dos negócios voltado aos fundamentos, os preços da soja dispararam no mercado internacional, se recuperando de uma semana de intensa especulação e volatilidade. Apesar de positivos, os fundamentos já são conhecidos pelo mercado e, como explicam analistas, já vinham sendo, dia a dia, precificados pelo mercado, o que limitou o potencial de novas altas. Paralelamente, fundos de investimentos realizaram seus lucros ao longo das últimas semanas, uma vez que vinham carregando fortes posições compradas. 

Porém, o quadro de oferta e demanda está extremamente apertado nos Estados Unidos e o principal responsável por racionar esse consumo pelo produto norte-americano ainda é o mercado, através de preços mais altos. Isso reflete, inclusive, os prêmios pagos nos EUA com patamares acima de 70 centavos de dólar acima dos preços praticados em Chicago. 

"Para esse ano de 2014, muita soja já foi embora dos Estados Unidos e eles vão terminar o ano, queira ou não queira, mesmo com novos washouts da China, com os estoques historicamente baixos e eles precisando importar produto", diz Cachia. 

Aos poucos, no entanto, o foco dos investidores deve se voltar para a situação do clima nos Estados Unidos e o início do plantio da safra 2014/15. O plantio do milho já teve início e, de acordo com o último boletim de acompanhamento de safra divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), até o último domingo (20), estava concluído em 6% da área. 

Em relação à média dos últimos cinco anos para esse período - 14% - o processo exibe um ligeiro atraso, que é justificado, segundo analistas, pelas condições de clima adverso. As temperaturas ainda são muito baixas para essa época do ano e chuvas intensas previstas para a próxima semana podem comprometer ainda mais o andamento dos trabalhos de campo. De acordo com informações do site norte-americano AccuWeather, já há precipitações esperadas para toda a próxima semana em regiões da Iowa e Illinois, os dois maiores estados produtores de grãos do país. 

"No caso do milho, há algumas áreas atrapalhando o plantio e o ritmo de preparo do solo, por outro lado, há problemas também com o trigo, com especulações de El Niño, e tudo isso, até agora, ajuda o mercado a continuar trabalhando no positivo", diz o analista da Cerealpar. 

Mercado Interno 

No mercado interno, os negócios com a soja acontecem de forma mais lenta e a semana foi marcada por um recuo nas cotações das principais praças de comercialização. Além da volatilidade em Chicago, que acabou tirando importantes patamares dos preços, o dólar ainda pressionado e os prêmios negativos comprometem a formação do preço no quadro brasileiro. Frente a isso, os produtores evitam a efetivação de novas vendas, apostando em uma retomada das cotações. Segundo analistas, há ainda de 20 a 40% da safra 2013/14 de soja brasileira para ser comercializada.  

"Nós temos uma redução de safra significativa no Brasil. São Paulo, paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, uma parte de Minas Gerais e uma boa parte de Goiás perderam no rendimento por conta do clima. Isso fez com que a produção brasileira se reduzisse para cerca de 87 milhões de toneladas, previamente esperada em 92 milhões de toneladas, portanto, essa diferença fará com que não haja essa oferta disponível para que o produtor tenha uma vantagem no segundo semestre. Mas, é preocupante dizer que a indústria vai precisar de um volume maior para manter o esmagamento no segundo semestre. Independente de bolsa e de câmbio, as indústrias serão obrigadas a trabalhar com um preço maior para garantir o abastecimento, e esse é um fator altista. Então, provavelmente, teremos uma condição melhor pela indústria para dar um preço melhor ao produtor brasileiro", explicou Mário Mariano, analista de mercado da Novo Rumo Corretora. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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