Soja fecha no misto, mas mantém tendência de alta no curto prazo

Publicado em 04/06/2014 17:44 1492 exibições

Ainda dividido, o mercado internacional da soja fechou em campo misto nesta quarta-feira (4) na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa atuaram nesta sessão com bastante volatilidade, porém, o dia terminou com oscilações bem pouco expressivas para os contratos mais negociados. 

O julho e agosto/14 fecharam o dia subindo de 1,25 a 2,25 pontos, cotados a US$ 14,82 e US$ 14,16 por bushel, respectivamente. Já o setembro/14 e o março/15 recuaram e encerraram o pregão valendo US$ 12,69 e US$ 12,27. 

Suporte no curto prazo

No curto prazo, o cenário permanece inalterado e as cotações continuam encontrando suporte nos fundamentos. Apesar de um quadro de escassez de produto nos Estados Unidos, o volume de escoamento continua evoluindo e, até a última semana, o país já havia embarcado, de acordo com números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) quase 43 milhões de tonelada. 

No entanto, ainda faltam 13 semanas para o final desse ano comercial e a última estimativa do departamento para a toda temporada é de 43,5 milhões de toneladas. 

Frente a isso e a presença ainda muito forte da demanda, os Estados Unidos também vem importando soja em um bom ritmo e, para alguns analistas, esse número poderia ser reajustado para cima no próximo boletim de oferta e demanda que o USDA divulga no dia 11 de junho. 

Até esse momento, o país já importou cerca de 1,63 milhões de toneladas de soja, de acordo com estimativas de traders e participantes do mercado, tendo como principais origens o Canadá e a América do Sul. Atualmente, com essas compras, os EUA são o quarto maior importador do produto brasileiro. Isso se deve, em partes, por um melhor fluxo dos embarques e escoamento nos portos do Brasil.  

A demanda interna por soja, além das exportações, também está aquecida, principalmente com a procura da oleaginosa para esmagamento e produção da farelo para ração animal. Como explicou Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest, as margens de esmagamento no país estão positivas e incentivam ainda mais esse consumo. Com isso, em muitas regiões dos EUA onde há produção de suínos e aves já estão sendo registradas importações de soja para processamento. 

"Se os preços nos EUA caem muito em relação ao Brasil, essa janela de importações se fecha e quando sobe muito, essa janela fica mais aberta e as importações acontecem em um ritmo maior", explica Vanin. 

Longo prazo tem pressão da nova safra 

Enquanto as posições mais próximas são incentivadas pela falta de soja nos Estados Unidos, os contratos mais distantes já sentem a pressão sazonal que chega com a evolução da nova safra dos Estados Unidos.

As primeiras estimativas são de que o país produza, na temporada 2014/15, mais de 98 milhões de toneladas e, até esse momento, as condições climáticas têm se mostrado bastante favoráveis para o desenvolvimento ds lavouras. O último boletim do USDA mostrou que, até domingo passado (1), 78% da área estimada já havia sido plantada, e esse número ficou bem acima da média dos últimos anos. 

Além disso, as últimas previsões climáticas indicam um continuidade desse bom cenário e evolução dos trabalhos de campo por mais 10 a 15 dias. No entanto, ao mesmo tempo, analistas consideram o nervosismo do mercado frente às incertezas climáticas, típicas desse período do mercado, e que devem se intensificar no período de enchimento de grãos.    

Mercado Interno

Para o analista da Agrinvest, o produtor deve estar muito atento à movimentação do mercado daqui para a frente e não deixar passar boas oportunidades de comercialização. Os preços deverão ser pressionados mais adiante pelas expectativas de uma safra recorde nos Estados Unidos, mesmo diante de uma dificuldade que deverá ser observada para uma recomposição dos estoques norte-americanos de forma adequada. 

"Esse ano, todo o mercado está esperando uma safra recorde nos EUA e isso contribui para que as esmagadoras americanas comprem, cada vez mais, "da mão para a boca", deixando para comprar a safra nova, que deve ter preços bem pressionados", acredita o analista da Agrinvest. 

Paralelamente às exportações, os produtores podem ter boas oportunidades também internamente, com uma tendência de aumento sazonal dos prêmios nos portos brasileiros, porém, de olho no comportamento da taxa de câmbio. "Mas, se Chicago recuar muito, isso não será o suficiente para compensar esse movimento", diz. 

Além disso, as margens de esmagamento no Brasil há muito tempo são negativas e não favorecem uma disputa no mercado interno, o que poderia pesar sobre as cotações também, de acordo com o analista da Agrinvest. "Além disso, as exportações brasileiras vão concorrer com os EUA, que terão uma soja mais barata no segundo semestre". 

Veja também como fechou o mercado do milho nesta quarta-feira:

Milho: Com proximidade da colheita da segunda safra, preços estão mais baixos no mercado interno

Por Fernanda Custódio

As cotações futuras do milho negociadas na BMF&Bovespa operam com ligeiros ganhos na sessão desta quarta-feira (4). As principais posições da commodity exibem uma reação após as perdas recentes. O vencimento julho/14 era negociado a R$ 27,18, com valorização de 0,33%.

Nos últimos pregões, as cotações tem acompanhado o movimento de queda na Bolsa de Chicago. Além disso, o mercado precifica as previsões de boa colheita da segunda safra, com a proximidade da colheita da safrinha. Situação que também tem exercido pressão negativa nas cotações praticadas no mercado interno. Em maio, algumas praças, pesquisadas pelo Notícias Agrícolas, chegaram a registrar uma queda de 13,04%. 

Do mesmo modo, os valores praticados nos Portos brasileiros estão mais baixos. Em Paranaguá, a saca fechou o dia negociada a R$ 26,50, no entanto, o preço já esteve mais alto. Segundo consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, as negociações estão paradas, além do recuo nos preços, há um aumento nos valores dos fretes.

“E os preços podem recuar ainda mais com a evolução da colheita, mas o agricultor deve esperar a pressão da colheita para negociar mais adiante. Entretanto, se Chicago não reagir não teremos uma evolução em dólar nos Portos e daí a alternativa seria um câmbio mais favorável, e com níveis próximos de R$ 28,00 a R$ 30,00 teríamos grandes volumes de embarques”, destaca o consultor.

Ainda na visão do analista, cerca de 80% da safra ainda precisa ser comercializada. Nesse momento, os produtores rurais devem ter cautela para não vender o produto a preços mais baixos. “No final do ano, as cotações tendem a se recuperar e devem ser lucrativas novamente”, sinaliza Brandalizze. 

Acompanhamento de safras

Em algumas localidades, como no Paraná, os produtores já iniciaram os trabalhos nos campos, porém, a colheita deve ganhar ritmo a partir das próximas semanas. E, apesar das preocupações registradas no início da semeadura do grão, com excesso de chuvas em algumas regiões e ausência de precipitações em outras, as lavouras brasileiras, de modo geral, apresentam boas condições. No Mato Grosso, o retorno das chuvas favoreceram as plantas cultivadas fora da janela ideal.

De acordo com o consultor, na média, as plantas estão de regulares a boas no estado. E a expectativa é que a produtividade fique próxima de 80 até 100 sacas do grão por hectare. “Teremos um potencial produtivo próximo do registrado do ano passado, mas a safra será menor, uma vez que temos uma redução de 400 mil hectares e uma queda na tecnologia empregada”, afirma.

No Paraná, a colheita da safrinha já atinge 1% da área semeada nesta safra, conforme dados do Deral (Departamento de Economia Rural). Cerca de 89% das lavouras apresentam boas condições e 11% têm condições medianas. Em relação à comercialização, até o momento, 6% da safra foi negociada.

Já no Mato Grosso do Sul, segundo informações da Aprosoja/MS, a produção deverá totalizar 7,4 milhões de toneladas, número próximo ao obtido na safra anterior, de 7,8 milhões de toneladas. Os municípios de Ponta Porã e São Gabriel do Oeste vão liderar o ranking de produtividade de milho e colher aproximadamente 100 sacas de 60 kg. 

Ainda nesta quarta-feira, a INTL FCStone, consultoria de gerenciamento de risco com foco em commodities, aumentou para 73 milhões de toneladas a produção de milho safrinha da temporada 2013/14, diante das perspectivas favoráveis para a segunda safra. O número é maior do que reportado anteriormente, de 71,72 milhões de toneladas. Diante desse cenário, as cotações do milho no mercado interno estão baixas.

CBOT

Pelo segundo dia consecutivo, as cotações do milho negociadas na Bolsa de Chicago fecharam o pregão do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, os preços futuros até esboçaram uma reação, porém não conseguiram sustentar os ganhos e terminaram o pregão com leves quedas entre 0,25 e 2,00 pontos. O vencimento julho/14 era negociado a US$ 4,56 por bushel. 

Frente a boa evolução do plantio norte-americano do cereal e das condições das lavouras, o mercado tem perdido importantes patamares de suporte em Chicago. Consequentemente, a expectativa é que o clima no país permaneça favorável durante o ciclo da cultura, situação que aumenta as perspectivas de grande safra nos EUA na safra 2014/15.

Entretanto, de acordo com boletim da ODS (Serviços em Agronegócio), caso as previsões não se confirmem, as cotações do cereal podem apresentar novas valorizações, porém neste momento, o mercado precifica a safra norte-americana de milho, estimada em 353,9 milhões de toneladas. Somente no mês de maio, as cotações do cereal acumularam perdas de 10%, conforme informou a agência internacional de notícias Bloomberg. 

Do lado fundamental, o mercado deve continuar pressionado no curto prazo, refletindo o clima dos EUA e as exportações norte-americanas. Já na análise técnica, os preços do cereal devem oscilar entre US$ 4,75 e US$ 4,20 por bushel nas próximas semanas. Segundo analistas, ainda é preciso acompanhar as informações da demanda pelo cereal, assim como o consumo para o etanol, pois esses números podem ocasionar oscilações positivas nas cotações do milho.

Na última segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou os embarques semanais do produto em 976,06 mil toneladas até o dia 29 de maio. Apesar do recuo em relação à última semana, na qual foram embarcadas 1.160,14 milhão de toneladas, os números permanecem firmes. E no acumulado no ano comercial, o número é de 33.665,567 milhões de toneladas, contra 48.260,00 projetados pelo USDA. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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