Soja tem semana agitada, mas fecha 6ª feira com boas altas

Publicado em 13/06/2014 17:49 1903 exibições

Nesta sexta-feira (13), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o pregão em alta, refletindo um movimento de correção técnica depois das últimas baixas acumuladas ao longo da semana. 

O mercado vem contando com uma forte influência da atuação dos fundos de investimento nos últimos dias, o que acentua as realizações de lucros e liquidações de posições no mercado internacional. Como explicou Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting, "a bolsa tem conseguido flutuar de 10 a 20 pontos diariamente, que são níveis que os grandes investidores buscam para garantir lucratividade. Ele força o mercado até o seu suporte e depois os preços voltam". 

Afinal, ainda segundo analistas, as cotações se mantém sustentadas no curto prazo pelos fundamentos de oferta e demanda, que permanecem positivos e ainda bastante pertinentes aos negócios. Há uma demanda ainda presente que se depara, frequentemente,  

"Os Estados Unidos continuam vendendo o que não tem', diz Brandalizze sobre a atual situação dos Estados Unidos. No país, as vendas para exportação passam de 45 milhões de toneladas. A última estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) paras exportações de toda a temporada 2013/14, no entanto, é de 43,55 milhões de toneladas. 

Além desse quadro já conhecido, as grandes expectativas para a nova safra dos Estados Unidos começam a ganhar força com o passar dos dias. O quadro climático no Meio-Oeste norte-americano se mostra bastante favorável e vem contribuindo para o bom desenvolvimento das lavouras, com 75% delas em boas ou excelentes condições nos principais estados produtores. 

"O mercado caiu, mas tem se mantido entre US$ 14,20 e US$ 14,30, até por conta desse aperto no mercado americano. No ano passado, a soja também ficou bem firme nesse mesmo período, mesmo com projeções boas de produção, por conta do mercado físico norte-americano. As cotações só começaram a esfriar no meio de julho, quando as fábricas reduziram suas compras, esperando as novas safra, o que também poderia acontecer esse ano", explicou Glauco Monte, consultor de grãos da FCStone. 

Assim, Monte acredita que o mercado aguarda, portanto, uma melhor definição da nova safra dos Estados Unidos. Com isso, o comportamento do clima nos Estados Unidos nas próximas semanas. A previsão para os próximos sete dias é de boas chuvas para importantes regiões de produção, melhorando ainda mais o cenário atual. E esse mercado climático deverá acentuar ainda mais a volatilidade no mercado internacional. A última estimativa do USDA é de que os Estados Unidos colham na temporada 2014/15. 

Veja também como fechou o mercado do milho nesta sexta-feira:

Milho: Após perdas recentes, mercado fecha a semana com leves ganhos em Chicago 

Por Fernanda Custódio

No pregão desta sexta-feira (13), as principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) terminaram do lado positivo da tabela. As posições da commodity encerraram o dia com ganhos entre 3,00 e 3,75 pontos. O contrato julho/14 era cotado a US$ 4,47 por bushel.

Após as perdas expressivas acumuladas durante a semana, o mercado, em movimento técnico, buscou uma recuperação.  Ao longo dos últimos dias, as cotações perderam importantes patamares de suporte e o vencimento julho/14 chegou a alcançar o menor patamar desde 11 de fevereiro na última sessão. 

Apesar da reação, analistas destacam a tendência para o mercado no curto prazo é baixista e que os preços ainda têm espaço para recuar. No momento, o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americana permanece sendo o principal fator de pressão sobre as cotações em Chicago. Para as próximas duas semanas, a expectativa é de chuvas, sol e temperaturas mais quentes para área de produção no país.

No último relatório de acompanhamento de safras, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou que, em torno de 75% das lavouras de milho estão em condições boas e excelentes. Consequentemente, os investidores já especulam sobre um possível aumento na estimativa da produtividade das plantas norte-americanas, para 177,27 sacas por hectare, número maior do que a última projeção do órgão, de 174,95 sacas por hectare.

Ainda nesta sexta-feira, o site de meteorologia internacional AccuWeather, divulgou que há um grande potencial para uma safra recorde nos EUA nesta temporada. Por enquanto, a produção norte-americana está projetada e 353,97 milhões de toneladas para a safra 2014/15, conforme estimativa do último relatório de oferta e demanda do USDA. 

Entretanto, o analista de mercado da Safras & Mercado, Paulo Molinari, afirma que é preciso acompanhar o desenvolvimento das plantações nos EUA, especialmente no momento em que as lavouras estiverem em fase de polinização. “Mas até agosto teremos oscilações na Bolsa de Chicago”, diz Molinari.

Mercado interno

Durante a semana, as negociações no mercado brasileiro foram lentas e nesta quinta-feira quase não houve negócios devido à Copa do Mundo. Os preços do cereal ainda são pressionados pela queda na taxa de câmbio e pelos recentes recuos registrados na Bolsa de Chicago. Além disso, o início da colheita da segunda safra também contribui para pressionar as cotações do cereal.

Essa semana, o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) informou que no Mato Grosso, a colheita já atinge 1,5% da área que foi cultivada. No Paraná, a colheita alcançou 1% da área estimada, segundo informações do Deral. Entre primeira e segunda safra, o Brasil deverá colher cerca de 77,9 milhões de toneladas, conforme projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). 

Nesta sexta-feira, a consultoria Agroconsult, estimou a produção da segunda safra brasileira em 46,6 milhões de toneladas. Se confirmada, a produção será apenas 1% menor do o registrado na safrinha do ano passado, de 46,9 milhões de toneladas. 

Já as exportações brasileiras somaram, nos cinco primeiros dia do mês de junho, 0,2 mil toneladas, com média diária de 0 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 308,4. Entre maio e junho, houve uma queda de 99,1% no valor médio exportado, uma desvalorização de 99,3% no volume e uma alta de 34,8% no preço médio. 

Em relação ao mesmo período do ano passado, houve uma redução de 99,7% no valor total exportado, uma diminuição de 99,7% na quantidade embarcada e valorização de 18,2% no preço médio. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram reportadas pela Secretaria de Comércio Exterior.

Diante desse cenário, analistas afirmam que o país dependerá das exportações para tentar equilibrar o quadro de oferta e demanda no mercado. A expectativa é que as exportações brasileiras ganhem ritmo a partir do segundo semestre.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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