Expectativas de grande safra nos EUA pesam e soja fecha em queda

Publicado em 24/06/2014 16:32 e atualizado em 24/06/2014 17:22 2464 exibições

O mercado internacional da soja fechou os negócios desta terça-feira (24) em baixa na Bolsa de Chicago. Os vencimentos mais negociados recuaram durante todo o dia e terminaram a sessão regular perdendo entre 4 e 10 pontos. De acordo com informações da agência internacional de notícias Bloomberg, os futuros da oleaginosa registraram a maior perda em quatro semanas. 

Segundo analistas, o mercado internacional de grãos - soja, milho e trigo - fechou do lado negativo da tabela nesta terça em função do bom desenvolvimento da nova safra dos Estados Unidos. As cotações do farelo também recuaram na CBOT e as do óleo, por outro lado, encerraram o pregão com ligeira alta. 

De acordo com o último boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), 72% das lavouras de soja foram classificadas como boas ou excelentes até o último domingo (22), registrando a melhor classificação para o período desde 1986. Para o milho, são 74% das plantações em boas condições.

Condições das lavouras nos EUA - Imagem: ODS Serviços em Agronegócio

Imagem: ODS Serviços em Agronegócio

As chuvas excessivas que chegaram ao Meio-Oeste americano nos últimos dias não foram suficientes para causar danos severos às lavouras e as previsões climáticas indicam que os próximos dias serão de condições favoráveis para a continuidade do bom desenvolvimento da nova safra. De acordo o instituto meteorológico Commodity Weather Group, pelos próximos 15 dias, os níveis de umidade continuarão adequado para soja e milho em quase todas as áreas, com um pequeno risco de inundações para os estados de Iowa e Nebraska, dois dos mais importantes no cultivo da oleaginosa. 

Previsão do Tempo para os EUA - Imagem: ODS Serviços em Agronegócio

Previsão do Tempo para os EUA - de 22 a 28 de junhoImagem: ODS Serviços em Agronegócio

Segundo explicou Mario Mariano, analista de mercado da Novo Rumo Corretora, essas condições deverão resultar em uma produtividade de cerca de 46,1 bu/ac, com uma produção com grandes possibilidades de chegar a um volume entre 98 milhões e 99 milhões de toneladas. A última estimativa do USDA para a área de plantio da temporada 2014/15 era de 32,98 milhões de hectares, entretanto, estimativas do mercado já apontam que essa área poderá chegar ao recorde de 33,27 milhões. 

"90% das lavouras estão emergindo adequadamente, isso faz com que o mercado encontre, em relação ao ano passado, condições muito melhores para os próximos dias, mesmo com as chuvas excessivas que chegaram na última semana", acredita o analista. "Toda a chuva que tem caído por lá está sendo benéfica para o desenvolvimento da soja e do milho e não deverá trazer uma preocupação de perdas de lavoura", completa. 

Assim, Mariano acredita que o entendimento do mercado nesse momento é de que mesmo algumas áreas que chegaram a receber de quatro a seis vezes mais chuvas do que o ano passado não devem sofrer perdas, mas somente danos no curto prazo que poderão ser revertidos mais adiante. 

Demanda na América do Sul e prêmios altos

Outro fator que pesa sobre os preços da soja praticados na Bolsa de Chicago é a transferência da demanda dos Estados Unidos para a América do Sul, principalmente Brasil e Argentina. Com um produto norte-americano mais caro em relação ao brasileiro e ao argentino por conta da baixa disponbilidade, os compradores têm se voltado para esses outros exportadores, reduzindo a demanda pela soja dos EUA. 

"A demanda existe, está presente na América do Sul e, portanto, os preços na bolsa devem ser reduzidos porque a demanda nos EUA também fora reduzida", explica o analista. No último boletim do USDA sobre os embarques semanais, foram reportadas somente 62 mil toneladas de soja para a semana que terminou em 19 de junho, contra mais de 200 mil da semana anterior. 

O termômetro para essa demanda aquecida são os altos prêmios pagos nos portos brasileiros pela soja nessa época do ano. Nesta terça-feira, o vencimento julho fechou em 36 centavos de dólar positivos e o agosto 78 cents sobre os preços praticados em Chicago. São esses valores que têm impedido que as perdas no mercado internacional tenham uma influência ainda mais negativa sobre as cotações no mercado interno brasileiro. 

Assim, os valores da soja tanto no Porto de Paranaguá quanto no de Rio Grande têm registrado poucas oscilações e se mantêm entre R$ 70,00 e R$ 71,00 por saca para o produto disponível. Com esses preços e esse cenário, os vendedores continuam retraídos e limitam ainda mais a oferta no Brasil, situação que se repete na Argentina. 

As vendas futuras, com referência nos contratos em Chicago da nova safra americana, também acontecem em um ritmo mais lento, segundo explica Vlamir Brandalizze, já que os futuros mais distantes da soja flutuam entre os US$ 12 e US$ 13 por bushel, enquanto o alvo dos produtores brasileiros era o dos US$ 14.

"Com essas expectativas para safra americana e de crescimento para a safra da América do Sul também, esse patamar está difícil de ser concretizado diante dessas condições de clima favorável. Então, ainda temos muitas resistências até chegarmos lá e a primeira delas é a safra nova nos US$ 13 por bushel", explica o consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Movimentação dos Fundos

Completando esse quadro de preços mais pressionados, há ainda a movimentação dos fundos de investimentos de deixarem parte de suas posições compradas e venderem alguns contratos. Fundos que gerenciam recursos deixaram 50% dessas posições compradas na última semana, vendendo cerca de 40 mil contratos, acreditando que não será possível um desenvolvimento mais altista para os preços frente a esse bom desenvolvimento das lavouras americanas. 

"O mercado observou esse volume de vendas futuras dos grandes fundos e o quadro climático americano favorável. Esses dois estão pesando fatores vão limitar altas mais fortes nos últimos dias", afirma Vlamir Brandalizze. 

Milho: Nos EUA, boas condições das lavouras pressionam preços e mercado encerra pregão em queda

Por Fernanda Custódio

Nesta terça-feira (24), as cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, as principais posições da commodity diminuíram as perdas, mas fecharam o dia com leves quedas, entre 1,50 e 2,25 pontos. Os contratos alcançaram os menores patamares dos últimos três meses e o julho/14 terminou a sessão cotado a US$ 4,43 por bushel.

As boas condições das lavouras norte-americanas de milho seguem como o principal fator de pressão sobre os preços em Chicago. Nesta segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) apontou que cerca de 74% das plantações apresentam boas ou excelentes condições e, apesar do recuo em relação à última semana, na qual, cerca de 76% das lavouras tinham boas e excelentes condições, o percentual é o melhor desde 1999.

Ainda segundo o departamento, em torno de 21% das plantações estão em situação regular e 5% em condições ruins ou muito ruins. Na semana anterior, os números eram de 20% e 4%, respectivamente. Os dados do órgão são referentes até o dia 22 de junho. 

E a expectativa é que a umidade permaneça adequada para as culturas de milho e soja, em quase todas as áreas no país, nos próximos 15 dias, conforme informações divulgadas pela agência internacional de notícias Bloomberg. Contrariamente, nos dois últimos pregões, as cotações registraram altas, impulsionadas pelas especulações de excesso de chuvas nos EUA, que poderiam até mesmo afetar o potencial produtivo das plantas e inundar alguns campos.

Em contrapartida, as informações de agências internacionais é que as inundações provocadas pelas fortes precipitações no Meio-Oeste deverão ser uma preocupação temporária para os produtores norte-americanos. As previsões climáticas para o final de semana já indicam que as chuvas deverão perder força. De acordo com o Serviço de Meteorologia dos EUA, choveu seis vezes acima da média nas últimas duas semanas em Dakota, norte de Iowa e sul de Minnesota.

Frente a esse cenário, cada dia é maior o sentimento dos participantes do mercado de que os EUA deverão colher uma safra recorde nesta temporada. Segundo o USDA, a produção do país deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas. Do mesmo modo, a produtividade das plantações está estimada em 174,95 sacas por hectare, no entanto, a perspectiva dos investidores é que o departamento revise para cima a projeção nos próximos relatórios de oferta e demanda.

Segundo informações do boletim da ODS (Serviços em Agronegócios), no curto prazo, as notícias de clima nos EUA devem exercer influência nas cotações do cereal, porém a confirmação de uma grande safra no país poderá manter as cotações em patamares mais baixos em médio e longo prazo. Já na análise técnica, os preços do milho ainda têm potencial para buscar os US$ 4,20 por bushel.

BMF&Bovespa

Após as altas registradas nas últimas sessões, os futuros do cereal na BMF&Bovespa voltaram a cair a trabalham em queda nesta terça-feira. O contrato julho/14 era cotado a R$ 25,23 a saca, uma desvalorização de 1,25%. No Brasil, os preços acompanharam o movimento negativo registrado no mercado internacional.

Além disso, o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, destaca que os preços nos Portos giram em torno de R$ 26,00 a R$ 26,50 a saca. “O mercado está praticamente parado, o produtor não quer vender a preços baixos e nesta safra se preparam com silos bolsas, especialmente no Centro-Oeste. Os produtores não precisam de dinheiro imediatamente e não acham as cotações vantajosas no momento”, explica o consultor.

Exportações brasileiras

Enquanto isso, as exportações de milho do Brasil somaram 32,7 mil toneladas, com média diária de 2,3 mil toneladas, até a terceira semana de junho. Em comparação com o mês anterior, houve uma redução de 61,2% no volume embarcado. No mesmo período, a receita com os embarques foi de US$ 7,2 milhão, com média diária de US$ 0,5 milhão. Já o preço médio da tonelada foi de US$ 221,1. 

Em relação a junho de 2013, os números representam uma baixa de 85,7% no valor total exportado, recuo de 83,1% na quantidade total embarcada e desvalorização de 15,3% no preço médio. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

Colheita da safrinha

No Mato Grosso, a colheita da segunda safra de milho já alcança 5,2% da área, cerca de 156 mil hectares cultivados nesta temporada. Em algumas localidades do estado, a colheita ainda está mais lenta devido ao índice de umidade dos grãos, conforme dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária).

Até o momento, a produtividade média, segundo a área colhida é de 94,5 sacas do grão por hectare. Assim, em torno de 885 mil toneladas de milho já estão no mercado, situação acaba pressionando as cotações do milho, que já recuam à medida que as atividades nos campos evoluem, segundo destaca o instituto. 

Já no Paraná, a colheita da safrinha atinge 2% da área cultivada, de acordo com o último boletim do Deral (Departamento de Economia Rural). Cerca de 89% das plantações apresentam boas condições e a comercialização atinge 6% da produção do cereal. Por outro lado, o presidente da Aprosoja PR, José Eduardo Sismeiro, destaca que os produtores paranaenses estão antecipando a colheita do cereal devido ao excesso de chuvas. O objetivo é reduzir os prejuízos ocasionados pelos grãos ardidos, que acabam sendo descontados dos agricultores no momento da entrega do produto nas cooperativas.

Em outros lugares do país, como Patos de Minas (MG) e Dourados (MS), os agricultores também já iniciaram a colheita da safrinha. Nas duas regiões, a perspectiva é de boa produtividade, uma vez que o clima, em grande parte do desenvolvimento das plantas, foi favorável. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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