Soja: mercado espera novos números do USDA e fecha com leve alta

Publicado em 25/06/2014 17:39 1275 exibições

Nesta quarta-feira (25), os futuros da soja fecharam o dia registrando ligeiras altas na Bolsa de Chicago. O mercado, no entanto, se mostra sem uma direção definida nesse momento, e deve se manter assim, segundo analistas, até que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traga seus dois novos boletins, sendo um dos estoques trimestrais do país em 1º de junho e o primeiro sobre a área oficial de plantio da safra 2014/15. 

Os relatórios serão divulgados na próxima segunda-feira (30) e a espera pelos números tem intensificado essa ansiedade por parte dos traders, que buscam encontrar um melhor posicionamento antes dos reportes. Na última semana, os fundos de investimentos venderam mais de 40 mil contratos nos último dias, deixando suas posições compradas em vencimentos mais distantes, acreditando que as cotações, principalmente no longo prazo, possam vir a assumir uma tendência mais negativa, ainda de acordo com analistas. 

Assim, depois de um expressivo recuo na sessão anterior, o mercado passou por um movimento de correção técnica, uma vez que ainda não conta com novidades que possam estimular novos movimentos, tanto de alta quanto de baixa, mais intensos. 

Com isso, o contrato novembro/14, o mais negociado neste momento e referência para a safra norte-americana, fechou o dia valendo US$ 12,24 por bushel, com alra de 4,20 pontos. No melhor momento da sessão, esse vencimento chegou a bater nos US$ 12,34, enquanto a mínima foi de US$ 12,23. São mais de 58 mil contratos sendo negociados nessa posição. Já o vencimento agosto fechou o dia valendo US$ 13,61, com ganhos de pouco mais de 3 pontos. 

Estoques menores nos EUA

Um dos boletins que o USDA traz na semana que vem é o de estoques trimestrais em 1º de junho nos Estados Unidos. As expectativas do mercado apontam para uma redução desse número. Uma pesquisa feita pela agência internacional Bloomberg mostrou que analistas acreditam em estoques trimestrais de cerca de 10,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1977. Já o banco Société Génerale aposta em estoques ainda mais apertados, na casa dos 9,55 milhões de toneladas. 

"A expectativa é de que venha um número apertado, já que a demanda americana, tanto interna quanto para exportação, segue muito forte, tem números bastante elevados, e assim, são esperados números que consolidem a expectativa de pouca disponibilidade de soja nos próximos meses até a entrada da nova safra americana", acredita o consultor de mercado Flávio França. 

Aumento de área nos EUA

Em contrapartida, o USDA poderá trazer, também no dia 30, um aumento na área de cultivo de soja na temporada 2014/15 nos Estados Unidos, o que já limita o potencial de altas das cotações, principalmente as de mais longo prazo, ao lado do bom desenvolvimento da nova safra do país. 

O boletim do dia 30 é o primeiro efetivo com o plantio já finalizado, com números até o dia 1º de junho e, segundo França, deverá ser o mais importante do dia. "Esse relatório vai confirmar o que vem sendo esperado, com um bom aumento para a área de soja e uma redução para o milho. Precisamos saber quanto aumentou para a soja e quanto caiu para o milho", diz. 

No entanto, possíveis perdas de área por conta das excessivas chuvas dos últimos dias no Meio-Oeste norte-americano não serão apresentadas nesse boletim e, caso sejam confirmadas, deverão aparecer somente no reporte de agosto. 

"Quando o problema são as chuvas, o impacto sobre a safra, normalmente, é muito menor do que quando não há chuva, principalmente nessa fase. Pode haver algumas inundações, mas é possível replantar, claro que existe a recomendação técnica de encerrar o plantio da soja em junho, mas isso não quer dizer que áreas deixarão de ser plantadas", explica o consultor. 

Mercado interno

No mercado brasileiro, para Flávio França, ainda poderão ser registradas algumas boas oportunidades de comercialização. "Há um degrau de preços, mas precisamos considerar que também há os prêmios de exportação e a taxa de câmbio". 

Não há, nesse momento, um grande volume de negócios acontecendo, porém, para setembro já há indicativos de prêmios sendo pagos nos portos do Brasil que superam US$ 1,30 por bushel, superiores ao já altos valores de agosto, que passam dos 70 cents de dólar.

Paralelamente, os produtores devem estar atentos ainda à movimentação do dólar. "O governo vai tentar segurar essa taxa pelo menos até as eleições e, possivelmente, até o final do ano. O fato é que a tendência para pós-eleição é de uma certa valorização da taxa de câmbio, o mercado financeiro aposta nisso. Isso só não vai acontecer em função da política do governo de tentar controlar o câmbio", acredita o consultor.

Nesta quarta, o dólar dólar fechou em queda de quase 1%, ficando em R$ 2,20 e, como noticiou o G1, o recuo veio após as intervenções do Banco Central terem sido prorrogadas até o final do ano e também em função dos dados negativos sobre a economia dos Estados Unidos. 

Milho: Mercado encerra pregão do lado negativo da tabela com foco na safra dos EUA

Por Fernanda Custódio

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram o pregão desta quarta-feira (25) em queda. As principais posições da commodity deram continuidade ao movimento de baixa iniciado no começo da semana e fecharam o dia com perdas entre 0,50 e 2,00 pontos. O contrato julho/14 fechou a sessão cotado a US$ 4,41 por bushel. 

O mercado permanece focado no clima favorável nos Estados Unidos, que contribuem para o bom desenvolvimento da safra norte-americana, até o momento. De acordo com o último boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados), cerca de 74% das lavouras apresentam boas ou excelentes condições, melhor percentual desde 1999.

Após as preocupações iniciais com o clima nos EUA, as condições climáticas têm se mostrado favorável ao desenvolvimento da safra norte-americana. De acordo com informações de agências internacionais, nos próximos 15 dias, a umidade deverá permanecer adequada tanto para o milho, como para a soja.

E, diante desse cenário, a estimativa é que o país colha uma safra cheia em torno de 353,97 milhões de toneladas na temporada 2014/15, conforme projeção do USDA. A produtividade também foi estimada em um recorde de 174,95 sacas por hectare.

Ainda neste pregão, o anúncio da venda e 217.400 mil toneladas de milho para destinos não revelados, deram sustentação aos preços em Chicago. As informações foram reportadas pelo USDA, que ainda divulgou a venda de 116.00 mil toneladas de sorgo.

Além disso, os participantes do mercado começam a buscar um melhor posicionamento frente aos relatórios de área plantada e estoques trimestrais do departamento norte-americano. Os boletins serão divulgados na próxima segunda-feira (30).

Mercado interno

O avanço da colheita da segunda safra de milho continua pressionando os preços do cereal no mercado interno brasileiro. Esta semana, o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) informou que cerca de 5,2% da área cultivada no Mato Grosso já foi colhida, o equivalente a 156 mil hectares cultivados nessa temporada. E, por enquanto, a produtividade é de 94,5 sacas do grão por hectare. 

No Paraná, os produtores estão adiantando a colheita do milho, em função do excesso de chuvas. A intenção é reduzir os prejuízos ocasionados, especialmente pelos grãos ardidos. Segundo o último boletim do Deral (Departamento de Economia Rural), até a semana anterior, a colheita já tinha evoluído para 2% da área plantada.

Em outras regiões do país, como em Patos de Minas (MG), Dourados (MS) e Caarapó (MS), os produtores iniciaram a colheita recentemente e, em ambas as regiões, a perspectiva é de boa produção. Apesar da redução da área cultivada nesta temporada e da diminuição nos investimentos em tecnologia, a projeção é que o país colha uma safra ao redor de 45.663,3 milhões de toneladas de milho na segunda safra, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

De acordo com o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza, frente a essa estimativa, as indústrias estão bem abastecidas e especulam as melhores ofertas. Do outro lado, os produtores rurais tentam segurar o produto à espera de preços mais altos. “Isso acontece com a safra velha, já com a safra nova, os agricultores precisam liquidar devido à falta de espaço para armazenar e quanto maior a oferta, os compradores se retiram do mercado”, explica.

Exportações brasileiras

Ainda na visão do analista, o cenário só apresentará uma modificação com o aquecimento das exportações brasileiras. A Conab projeta os embarques de milho ao redor de 20 milhões de toneladas nesta safra, número abaixo do registrado no anterior, em torno de 27 milhões de toneladas. Entretanto, os embarques permanecem mais lentos, até o momento.

As exportações de milho do Brasil somaram 32,7 mil toneladas, com média diária de 2,3 mil toneladas, até a terceira semana de junho. Em comparação com o mês anterior, houve uma redução de 61,2% no volume embarcado. No mesmo período, a receita com os embarques foi de US$ 7,2 milhão, com média diária de US$ 0,5 milhão. Já o preço médio da tonelada foi de US$ 221,1. 

Em relação a junho de 2013, os números representam uma baixa de 85,7% no valor total exportado, recuo de 83,1% na quantidade total embarcada e desvalorização de 15,3% no preço médio. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

“As exportações estão enfraquecidas devido à demanda internacional mais fraca, consequentemente, os preços não ficam atraentes nos Portos. Por enquanto, o quadro não é favorável, mesmo que Chicago suba, a oferta de milho no mercado interno é alta. Precisamos avançar nos embarques para ter cotações melhores”, ratifica Corazza.

A tendência é que as cotações melhorem no mercado interno nos meses de novembro, dezembro e janeiro, após a pressão da colheita da safrinha, conforme sinaliza o analista de mercado. 

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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