Mercado espera redução dos estoques nos EUA e soja sobe na CBOT

Publicado em 26/06/2014 07:26 2414 exibições

Na manhã desta quinta-feira (26), o mercado da soja na Bolsa de Chicago trabalha com pequenas altas. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os futuros da oleaginosa subiam pouco mais de 4 pontos e o avanço, segundo analistas, reflete a possível diminuição dos estoques trimestrais norte-americanos no próximo boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que será divulgado no próximo dia 30. 

As expectativas do mercado apontam para uma redução dos números dos estoques. Uma pesquisa feita pela agência internacional Bloomberg mostrou que analistas acreditam em estoques trimestrais de cerca de 10,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1977. Já o banco Société Génerale aposta em estoques ainda mais apertados, na casa dos 9,55 milhões de toneladas. 

"A expectativa é de que venha um número apertado, já que a demanda americana, tanto interna quanto para exportação, segue muito forte, tem números bastante elevados, e assim, são esperados números que consolidem a expectativa de pouca disponibilidade de soja nos próximos meses até a entrada da nova safra americana", acredita o consultor de mercado Flávio França. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: mercado espera novos números do USDA e fecha com leve alta

Nesta quarta-feira (25), os futuros da soja fecharam o dia registrando ligeiras altas na Bolsa de Chicago. O mercado, no entanto, se mostra sem uma direção definida nesse momento, e deve se manter assim, segundo analistas, até que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traga seus dois novos boletins, sendo um dos estoques trimestrais do país em 1º de junho e o primeiro sobre a área oficial de plantio da safra 2014/15. 

Os relatórios serão divulgados na próxima segunda-feira (30) e a espera pelos números tem intensificado essa ansiedade por parte dos traders, que buscam encontrar um melhor posicionamento antes dos reportes. Na última semana, os fundos de investimentos venderam mais de 40 mil contratos nos último dias, deixando suas posições compradas em vencimentos mais distantes, acreditando que as cotações, principalmente no longo prazo, possam vir a assumir uma tendência mais negativa, ainda de acordo com analistas. 

Assim, depois de um expressivo recuo na sessão anterior, o mercado passou por um movimento de correção técnica, uma vez que ainda não conta com novidades que possam estimular novos movimentos, tanto de alta quanto de baixa, mais intensos. 

Com isso, o contrato novembro/14, o mais negociado neste momento e referência para a safra norte-americana, fechou o dia valendo US$ 12,24 por bushel, com alra de 4,20 pontos. No melhor momento da sessão, esse vencimento chegou a bater nos US$ 12,34, enquanto a mínima foi de US$ 12,23. São mais de 58 mil contratos sendo negociados nessa posição. Já o vencimento agosto fechou o dia valendo US$ 13,61, com ganhos de pouco mais de 3 pontos. 

Estoques menores nos EUA

Um dos boletins que o USDA traz na semana que vem é o de estoques trimestrais em 1º de junho nos Estados Unidos. As expectativas do mercado apontam para uma redução desse número. Uma pesquisa feita pela agência internacional Bloomberg mostrou que analistas acreditam em estoques trimestrais de cerca de 10,4 milhões de toneladas, o menor volume desde 1977. Já o banco Société Génerale aposta em estoques ainda mais apertados, na casa dos 9,55 milhões de toneladas. 

"A expectativa é de que venha um número apertado, já que a demanda americana, tanto interna quanto para exportação, segue muito forte, tem números bastante elevados, e assim, são esperados números que consolidem a expectativa de pouca disponibilidade de soja nos próximos meses até a entrada da nova safra americana", acredita o consultor de mercado Flávio França. 

Aumento de área nos EUA

Em contrapartida, o USDA poderá trazer, também no dia 30, um aumento na área de cultivo de soja na temporada 2014/15 nos Estados Unidos, o que já limita o potencial de altas das cotações, principalmente as de mais longo prazo, ao lado do bom desenvolvimento da nova safra do país. 

O boletim do dia 30 é o primeiro efetivo com o plantio já finalizado, com números até o dia 1º de junho e, segundo França, deverá ser o mais importante do dia. "Esse relatório vai confirmar o que vem sendo esperado, com um bom aumento para a área de soja e uma redução para o milho. Precisamos saber quanto aumentou para a soja e quanto caiu para o milho", diz. 

No entanto, possíveis perdas de área por conta das excessivas chuvas dos últimos dias no Meio-Oeste norte-americano não serão apresentadas nesse boletim e, caso sejam confirmadas, deverão aparecer somente no reporte de agosto. 

"Quando o problema são as chuvas, o impacto sobre a safra, normalmente, é muito menor do que quando não há chuva, principalmente nessa fase. Pode haver algumas inundações, mas é possível replantar, claro que existe a recomendação técnica de encerrar o plantio da soja em junho, mas isso não quer dizer que áreas deixarão de ser plantadas", explica o consultor. 

Mercado interno

No mercado brasileiro, para Flávio França, ainda poderão ser registradas algumas boas oportunidades de comercialização. "Há um degrau de preços, mas precisamos considerar que também há os prêmios de exportação e a taxa de câmbio". 

Não há, nesse momento, um grande volume de negócios acontecendo, porém, para setembro já há indicativos de prêmios sendo pagos nos portos do Brasil que superam US$ 1,30 por bushel, superiores ao já altos valores de agosto, que passam dos 70 cents de dólar.

Paralelamente, os produtores devem estar atentos ainda à movimentação do dólar. "O governo vai tentar segurar essa taxa pelo menos até as eleições e, possivelmente, até o final do ano. O fato é que a tendência para pós-eleição é de uma certa valorização da taxa de câmbio, o mercado financeiro aposta nisso. Isso só não vai acontecer em função da política do governo de tentar controlar o câmbio", acredita o consultor.

Nesta quarta, o dólar dólar fechou em queda de quase 1%, ficando em R$ 2,20 e, como noticiou o G1, o recuo veio após as intervenções do Banco Central terem sido prorrogadas até o final do ano e também em função dos dados negativos sobre a economia dos Estados Unidos. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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