Oil World: Elevadas exportações de soja do Brasil reduzem estoques do país

Publicado em 08/07/2014 14:49 1482 exibições

As elevadas exportações de soja do Brasil, maior fornecedor mundial da oleaginosa, reduziram os estoques do país mesmo depois de uma colheita recorde da safra 2013/14, informou um boletim divulgado pela Oil World nesta terça-feira (8).

De acordo com números da consultoria alemã, o Brasil exportou, em junho, 6,89 milhões de toneladas de soja, frente ao volume de 6,5 milhões do mesmo mês em 2013. As vendas de farelo de soja, por sua vez, totalizaram 1,68 milhão de toneladas, se igualando ao recorde que foi registrado em junho de 2011.  Em 1º de julho, os estoques brasileiros eram de 36,5 milhões de toneladas, 2,7% menores do que o registrado nesse mesmo período do ano passado.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento brasileiro, as vendas de soja na primeira semana de julho foram de 1,669 milhão de toneladas, com uma média diária de 424,9 mil toneladas por mês. Em relação à media diária de junho, houve um aumento de 24,2% no volume exportado, de 23,3% no volume embarcado e um incremento de 0,8% no preço médio. O aumento no volume embarcado é ainda mais expressivo em relação a junho do ano passado - 72,7%.

Na última semana, a Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais) elevou sua projeção para as exportações de soja do Brasil em 2,33% para 44 milhões de toneladas neste ano. Em 2013, o volume foi 2,8% menor e totalizou 42,796 milhões de toneladas. Em entrevista à Agência Estado, o secretário geral da associação, disse que até setembro as vendas deverão permanecer fortes, já que o Brasil "estará praticamente sozinho para suprir o mercado. Os Estados Unidos não tem muito estoque e a Argentina está reticente na comercialização em função de eventuais mudanças no câmbio".

Preços x Prêmios

Essa intensa demanda pela soja brasileira aliada a esses baixos estoques no país são os fatores que têm permitido que as fortes baixas que vem sendo registradas em Chicago nas últimas semanas sejam amenizadas por altos prêmios pagos pela soja nos portos brasileiros. Para o contrato agosto o oferecido é de US$ 1,15 acima do valor praticado em Chicago. Para setembro, no Porto de Paranaguá, esse valor é de US$ 1,80 e, em alguns casos, chega a passar dos US$ 2,00 para grandes lotes.

Ainda assim, os preços observados nos portos têm exibido um ligeiro recuo, bem como os preços pagos pela soja nas praças do interior do país. Nesta terça-feira (7), a saca fechou o dia valendo R$ 68,00 em Paranaguá, estável em relação ao fechamento de ontem, e  no porto de Rio Grande a desvalorização foi de 1,93% e o mercado fechou com o valor indicativo de R$ 66,20/saca.

Nos melhores momentos da temporada, esses valores chegaram a superar a casa dos R$ 70,00. Em 2 de junho, segundo um levantamento do economista André Lopes, do Notícias Agrícolas, o valor chegou a bater nos R$ 73,30 em Rio Grande para a soja disponível, e o mais baixo patamar atingido em junho foi o de R$ 69,50. Ainda em junho, a cotação mais alta atingida em Paranaguá foi a de R$ 74,00 por saca, contra a mais baixa de R$ 70,00. Assim, o preço médio nos dois portos, no último mês, foi de R$ 70,72 e R$ 70,85, respectivamente.  

Evolução dos preços nos portos e no mercado interno

Soja - Mercado Interno

Exportações da América do Sul e Importações da China

De janeiro a junho, as exportações de soja da América do Sul atingiram o recorde de 43,3 milhões de toneladas e o principal destino das vendas foi a China, maior consumidora global da commodity. "A aceleração do ritmo das exportações sulamericanas foi necessária e mais expressiva desde abril, quando as vendas externas dos Estados Unidos apresentaram uma ligeira baixa", afirma a Oil World.

A China importou cerca de 7,3 milhões de toneladas de soja em junho e as compras em julho, ainda de acordo com a consultoria, devem superar as 6 milhões de toneladas. A partir de outubro, os Estados Unidos devem recuperar uma parcela de sua participação no mercado de exportações da oleaginosa com a chegada do resultado de sua nova safra e com preços possivelmente menores podendo atrair, novamente, os compradores, informou o relatório da Oil.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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