Com mercado comprador, soja avança no Brasil e em Chicago

Publicado em 23/07/2014 11:30 e atualizado em 23/07/2014 12:19 2638 exibições

As notícias recentes sobre a demanda mundial por soja seguem no foco do mercado internacional, que trabalha em campo positivo nesta quarta-feira (23) na Bolsa de Chicago e vem ampliando seus ganhos na sessão  regular de hoje. As altas mais expressivas, novamente, podem ser vistas nos contratos mais próximos, como o agosto/14 que, por volta de 11h (horário de Brasília), subia 13,22 pontos, valendo US$ 11,96 por bushel. Nos demais vencimentos, os ganhos eram de pouco mais de 4 pontos. 

Entre segunda e terça-feira dessa semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou a venda de 540 mil toneladas de farelo de soja e 20 mil toneladas de óleo da safra nova e mais 120 mil toneladas de soja em grão da temporada 2013/14 para a China. 

Essas notícias, segundo explicam analistas, devem ficar ainda um pouco mais no mercado, dando suporte às cotações, uma vez que os fundamentos climáticos e as perspectivas de uma safra recorde nos Estados Unidos já são conhecidos e vêm sendo precificados em Chicago. Amanhã, o USDA traz seu novo relatório com as exportações semanais e números atualizados também podem mexer com o andamento dos preços. 

No Brasil, a demanda também está aquecida, tanto no mercado interno quanto para as exportações. Nas três primeiras semanas de julho as vendas externas brasileiras registrou um volume 10,1% maior do que no mesmo intervalo de 2013 e somou 3,793 milhões de toneladas. A receita gerada com esse montante foi de US$ 141,7 milhões, 6,5% maior do que no ano passado. 

E é essa demanda aquecida pela soja brasileira que tem mantindo os prêmios positivos nos portos do país, inclusive para posições referentes à nova safra. A oferta disponível é menor e o consumo continua crescente e ainda muito presente. Frente a isso, para entrega setembro/14 o prêmio pago em Paranaguá está em US$ 2,15 acima do valor praticado em Chicago. Ontem, com esse cenário e apesar das perdas no mercado internacional, os preços no Brasil fecharam o dia em alta. 

Oferta x Demanda

Observando essa demanda aquecida, o produtor não só do Brasil, mas também do Paraguai e da Argentina tem segurado suas vendas buscando atingir suas metas de valores, reduzindo ainda mais a pressão de oferta no mercado disponível neste momento. De outro lado, os compradores seguem ativos e tentando garantir seu abastecimento. 

"Os grandes compradores estão se protegendo pois sabem que terá demanda crescente a partir de novembro - com o aumento da mistura do biodiesel no diesel passando de 6 para 7%, o setor de rações está aquecido e a demanda internacional está muito forte e isso está trazendo os prêmios para cima", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. "A demanda está vindo mais rápida. Os compradores estão vindo ao mercado porque ele precisa do grão e, mesmo com Chicago em baixa, ele sabe que o produtor norte-americano não vai vender a preços tão baixos", completa. 

Evolução da demanda chinesa

Ainda de acordo com Brandalizze, há cerca de quatro anos, a China tinha entre 17 e 18 milhões de toneladas de soja em estoques e consumia, na mesma época, pouco mais de 55 a 60 milhões de toneladas. Hoje, os estoques variam entre 12 e 13 milhões de toneladas e o consumo já pode subir para 85 milhões de toneladas. "Então, se houver um excedente, certamente os chineses vão pegar esse volume, melhorar seus níveis de estoques e correr menos riscos de inflação", explica.  

Nova safra dos EUA

Ainda assim, o desenvolvimento da nova safra dos Estados Unidos continua dividindo a atenção dos investidores com as informações sobre a demanda. A última estimativa do USDA indicou a colheita de 103,42 milhões de toneladas na temporada 2014/15, com uma produtividade recorde de 51,25 sacas por hectare, em seu último boletim de oferta e demanda do dia 11 de julho. 

Até o momento, as condições de clima tem se mostrado muito próximas do que é considerado perfeito para o bom desenvolvimento das lavouras. Dessa forma, ainda de acordo com números do departamento norte-americano, 73% das plantações estao em boas ou excelentes condições, a melhor classificação desde 1994. 

Entretanto, já há algumas regiões do Meio-Oeste americano onde o clima estaria um pouco mais cedo, com os campos precisando de algumas chuvas de manutenção, já que, em agosto, as lavouras de soja entram em sua fase determinante para a definição da produtividade - a formação de vagens e o enchimento de grãos. 

Números de um relatório trazido também pelo USDA mostram que os índices de umidade adequada no solo diminuíram nos últimos dias. No estado de Indiana, por exemplo, o número caiu de 72 para 70 pontos em uma semana, no Missouri de 77 para 74, no Nebraska de 73 para 66 e na Dakota do Sul de 85 para 80. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Com esses prêmios negociados, será que alguém acredita que ainda existe muita soja disponível para a venda no Brasil ???

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