Soja fecha o dia em alta na CBOT com foco na demanda nesta 5ª feira
Depois de algumas sessões de baixa na Bolsa de Chicago e de um pregão de forte volatilidade nesta quinta-feira (21), o mercado encerrou o dia em campo positivo. Os vencimentos mais negociados encerraram o dia subindo pouco mais de 0,50 ponto, com exceção do setembro/14, que liderou as altas e fechou valendo US$ 11,34, com ganho de 14,50 pontos.
A sustentação para as cotações, especialmente no curto prazo, se dá pela força da demanda. Mesmo com baixíssimos estoques da safra velha nos Estados Unidos, e volumes ajustados também no Brasil, além de vendedores retraídos, o consumo da oleaginosa permanece firme.
"Há uma baixa disponibilidade de soja nos Estados Unidos. Estamos vendo as processadoras aumentando seus basis (prêmios) sobre Chicago, justamente para tirar do produtor o pouco de soja que tem disponível na mão e, com isso, a gente vê o contrato setembro, que vence no próximo dia 15, sustentando a curva longa", explicou o analista de mercado João Schaffer, da Agrinvest.
Hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estasdos Unidos) divulgou seu novo boletim semanal de vendas para exportações e, mesmo com números negativos para a safra velha de soja, o boletim ainda pode ser considerado positivo se todos os outros dados forem analisados. Bons números foram reportados não só para a soja em grão, mas também para farelo e óleo.
As vendas semanais de soja da safra 2013/14 vieram negativas em 89,7 mil toneladas, contra as 61,4 mil toneladas da semana anterior. O volume ficou aquém das expectativas do mercado, que oscilavam entre 0 e 100 mil toneladas. No acumulado do ano, as exportações norte-americanas já totalizam 46.090,7 milhões de toneladas, frente à estimativa do USDA de 44.630,0 milhões de t para toda a temporada 2013/14.
Já da safra 2014/15, as exportações semanais totalizaram 1.420,6 milhão de toneladas, volume ligeiramente maior do que o registrado na semana anterior, de 1.081,8 milhão. O total ficou acima do esperado pelo mercado, que apostava em algo entre 800 mil e 1.050,0 milhão de toneladas.
Para Schaffer, essas vendas "negativas" são um movimento normal nesse momento do mercado, com o vencimento da temporada se aproximando e o total comprometido da safra 2013/14 superando expressivamente o estimado pelo USDA para o ano comercial. "Esses números negativos se tratam de rolagens de posição da safra velha para a nova e podemos ver isso nas próximas semanas", diz. "Mas o fator positivo desse relatório é a demanda para a soja da safra nova. Vemos que 1,4 milhão de toneladas é a maior venda que tivemos nas últimas semanas, mostrando o apetite dos compradores diante dos atuais níveis de preços", completa.
Por outro lado, as projeções elevadas para a nova safra norte-americana e as estimativas que chegam sobre a qualidade das lavouras e, principalmente, a produtividade da soja nos Estados Unidos ainda seguem limitando o avanço dos preços no médio e longo prazo.
Os tours feitos por consultorias privadas já apontam para um rendimento médio acima das últimas estimativas oficiais em muitos estados e as condições climáticas continuam favorecendo o bom desenvolvimento das lavouras no país.
E ainda de acordo com o analista da Agrinvest, com a chegada da primeira oferta dessa nova safra de soja dos EUA, o mercado em Chicago já deverá operar mais pressionado, buscando testar novas mínimas. "Ainda é cedo para falarmos de um cenário para preços. Podemos ver, até a entrada dessa primeira soja em setembro, os preços passando por alguns rallies, mas ainda não é possível definir", explica.
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