Soja: Mercado no Brasil pode ser favorecido por mais uma alta do dólar

Publicado em 02/10/2014 13:23 1306 exibições

O mercado internacional da soja, nesta quinta-feira (2), opera com volatilidade e sem direção na Bolsa de Chicago. Depois de iniciar o dia em baixa, as cotações voltaram a subir nos principais vencimento, em seguida passaram para o campo positivo na sessão regular, mas, por volta de 12h40 (horário de Brasília), trabalhavam com pequenas oscilações e em campo misto. 

Segundo analistas, o mercado futuro norte-americano ainda trabalha com foco nas notícias sobre a nova e grande safra dos Estados Unidos, estimada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em 106,5 milhões de toneladas. 

Apesar de algumas chuvas estarem previstas para os próximos dias no Meio-Oeste norte-americano e, se confirmadas, poderem causar algum atraso na colheita, as informações sobre produtividades acima do esperado e os trabalhos de campo ainda avançando seguem tomando a atenção dos investidores. 

"São esperadas chuvas acima do normal para esse período na região mais a nordeste do Meio-Oeste, mas isso não deve ser 'o fim do mundo'. O mercado, diante disso, busca agora encontrar e manter estabilidade", disse o analista internacional Bryce Knorr, também editor do site norte-americano Farm Futures. 

No Brasil, o destaque continua sendo o avanço do dólar, que, nesta quinta-feira já bateu nos R$ 2,49. Por volta das 13h, a moeda norte-americana registrava alta de 0,16%, e com os ganhos, a taxa de câmbio pode continuar favorecendo a formação dos preços no mercado interno. Para soja disponível, o valor da saca no porto de Rio Grande, segundo o último indicativo, era de R$ 60,00 e, para a entrega em maio/15, o valor oscilava entra R$ 57,50 e R$ 58,00 por saca. 

Paralelamente, prêmios mais altos para nova safra do Brasil continuam sendo pagos nos portos brasileiros e complementam uma melhor formação das cotações no Brasil. Para março/15, o valor é de 85 cents de dólar sobre o valor praticado em Chicago e, para março e abril/15, de 64 centavos. 

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Esses prêmios positivos e mais altos do que os registrados há algumas semanas e, principalmente em relação aos valores praticados há um ano, nesse mesmo período de colheita norte-americana, sinalizam que continua forte o interesse dos compradores internacionais. 

No entanto, as vendas antecipadas, principalmente no Brasil, continuam travadas e, segundo analistas, mesmo com esses prêmios, os produtores ainda não se sentem estimulados a voltarem ao mercado de forma significativa. A situação se repete nos Estados Unidos e por lá os prêmios também estão positivos e firmes. 

O último levantamento feito pela consultoria Safras & Mercado mostrou que cerca de apenas 13% da safra 2014/15 do Brasil está vendida e, nos EUA, esse número também é baixo, ligeiramente acima dos 20%. Isso é reflexo, entre outros fatores, de uma baixa acumulada de 30%, desde janeiro, para as cotações na Bolsa de Chicago. 

Demanda

Do lado da demanda, os números são positivos, porém, refletidos de forma menos intensa e mais lenta pelo movimento dos preços, segundo avaliam os analistas de mercado. 

As importações da China foram estimadas pelo USDA em 74 milhões de toneladas nesta temporada, entretanto, muitos consultores e analistas afirma que esse número possa superar a casa dos 76 milhões. 

"A China precisa comprar mais de 1 milhão de toneladas de soja por semana para atender suas necessidades em um ano. E, nesse momento, a soja dos Estados Unidos é a mais barata que há no mercado", disse à agência internacional Bloomberg, Helen Pound, especialista sênior em commodities da KCG Futures, de Minneapolis, EUA. 

O USDA divulgou, nesta quinta, um novo boletim semanal de vendas para exportação com números um pouco mais baixos para soja Porém, ainda assim, as exportações da oleaginosa ficaram acima da média das expectativas do mercado. 

De acordo com o reporte, as vendas da safra 2014/15, na semana que terminou em 25 de setembro, ficaram em 869,1 mil toneladas, contra 2.565,5 milhões de toneladas da semana anterior. A média das expectativas do mercado era de 850 mil toneladas. Da safra 2015/16 foram vendidas 21,5 mil toneladas. 

No acumulado do ano comercial, as vendas para exportação da safra 2014/15 dos EUA já totalizam 28.899,6 milhões de toneladas frente ao esperado pelo USDA para ser exportado em toda a temporada de 46,270 milhões de toneladas. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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