Apesar de USDA morno, soja fecha semana com forte queda na CBOT

Publicado em 10/10/2014 17:32 e atualizado em 10/10/2014 18:03 1709 exibições

Nesta sexta-feira (10), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualizou seus números de oferta e demanda e, apesar um relatório morno, o mercado internacional da soja exibiu uma expressiva realização de lucros no fechamento da sessão regular. Os principais vencimentos terminaram o dia com mais de 19 pontos de baixa depois de uma sessão de muita volatilidade e realização de lucros. 

A safra 2014/15 de soja dos Estados Unidos foi revisada para cima e passou de 106,41 milhões para 106,88 milhões de toneladas, número bem abaixo do esperado pelo mercado, que apostava em algo perto dos 108,20 milhões de toneladas. Na produtividade, o número veio em 53,3 sacas por hectare, em linha com as expectativas dos traders. 

O USDA trouxe ainda mudanças nos números de área da nova safra norte-americana. A área plantada caiu de 34,32 milhões para 34,08 milhões de hectares, enquanto a colhida recuou de 34,03 para 33,75 milhões de hectares. Além disso, o USDA mostrou ainda uma ligeira redução dos estoques finais de soja 12,93 milhões para 12,25 milhões de toneladas. 

Para Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora, o mercado voltou-se, nesse mês, para os números do USDA sobre área em relação à produtividade. "O mercado ficou mais focado na redução de plantio e colheita, os demais dados foram consequência disto. A produtividade é muito alta. O USDA cortou na área, mas ainda assim tem ganhos na produção total", explicou. 

No cenário mundial, o departamento também não trouxe números que pudessem motivar baixas tão acentuadas, segundo analistas. A nova safra global foi estimada em 311,2 milhões de toneladas, contra as 311,13 milhões do boletim de setembro, e os estoques finais passaram de 90,17 milhões para 90,67 milhões de toneladas. 

Colheita atrasada nos EUA

No entanto, para Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, o USDA se mostrou conservador nesse relatório diante das condições adversas de clima nos Estados Unidos que têm provocado um significativo atraso da colheita no Meio-Oeste. 

Com chuvas excessivas, bem acima da média para o período em muitos estados importantes do Corn Belt, o ritmo dos trabalhos de campo está comprometido e, até o último domingo (5), a colheita estava concluída somente em 20% da área, contra uma média de 35% para este mesmo período do ano. Na próxima segunda-feira (13), o USDA atualiza esses números e o mercado deve refletir também essas informações. 

"Como esse atraso na colheita norte-americana é uma verdade, o USDA não foi tão agressivo nesse relatório. Vários produtores dos Estados Unidos confirmam produtividades acima do esperado, mas agora, temos que ver se isso será confirmado com a colheita norte-americana. Para o final do mês de outubro, a média para a colheita nos EUA é superior a 80%, vamos observar se essa produtividade enorme será confirmada", explica Araújo. 

As últimas previsões climáticas mostram que, somente na segunda quinzena de outubro, a situação deverá apresentar alguma melhora para os trabalhos de campo, com chuvas menos intensas e um quadro climático mais favorável. 

Por outro lado, para a próxima semana, o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA aponta para mais precipitações, principalmente na região sul do Meio-Oeste. E, ainda de acordo com Marcos Araújo, essas chuvas podem não mexer muito no tamanho da grande safra norte-americana, porém, atrasam a chegada dessa nova oferta ao mercado e alguns contratos precisam sair. 

"O clima e a colheita nos Estados Unidos devem guiar os negócios no mercado futuro americano agora que os números do USDA já foram divulgados. Um clima mais seco para o Meio-Oeste só é esperado para o final de outubro, o que deverá vir acompanhado de uma retomada do ritmo de trabalho nos campos", disse o analista de mercado Bob Burgdorfer, do site norte-americano Farm Futures. 

Perspectivas

Apesar do quadro atual, os analistas acreditam que os números do USDA deverão passar por um reajuste mais expressivo no próximo boletim, em novembro, quando a colheita já estará mais próxima de ser finalizada. 

"O relatório de novembro é um relatório mais limpo, mais próximo da realidade. Assim, não dá para descartar que venham números maiores. Por isso, ainda é muito cedo para se comemorar esses dados porque ainda temos o boletim de novembro e aí sim, depois disso, é difícil de mexer nos números", explicou o consultor de mercado Flávio França, da França Junior Consultoria. 

Queda no mercado interno

Com um cenário já conhecido sobre os negócios na Bolsa de Chicago, essa foi mais uma semana de pouca movimentação para os preços no Brasil. Os principais vencimentos negociados no mercado futuro norte-americano - novembro/14 e maio/15 - fecharam com baixas de 2,12 e 1,76%, respectivamente, terminando a semana em US$ 9,22 e US$ 9,47 por bushel. Paralelamente, o dólar, na semana,  acumulou queda de 1,55%, após valorizar-se quase 10% ao todo nas quatro semanas anteriores e fechou valendo R$ 2,42 nesta sexta. 

Dessa forma, nas praças de comercialização onde foi registrada uma desvalorização do preço, as baixas foram menos acentuadas. No interior do país, o preço recuou 0,93% em Tangará da Serra/MT de R$ 54,00 para R$ 53,50; 0,96% em Luís Eduardo Magalhães de R$ 52,00 para R$ 51,50; e 0,26% em Jataí/GO, de R$ 50,00 para R$ 49,87. 

Nos portos, as oscilações foram mais expressivas. A soja no porto de Rio Grande, com entrega em maio/15, recuou 1,72% e passou de R$ 58,00 para R$ 57,00 por saca. Em Paranaguá, a baixa foi de 1,25% e o valor caiu de R$ 56,00 para R$ 55,30/saca.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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