Soja: após fortes altas, mercado busca estabilidade na CBOT

Publicado em 15/10/2014 10:21 e atualizado em 15/10/2014 15:23 1728 exibições

Depois de duas sessões consecutivas de expressivas altas, o mercado da soja opera com estabilidade na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (15), mas em campo negativo. Por volta das 9h50 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados registravam pequenas baixas de pouco mais de 2 pontos. 

O mercado foi pressionado pelos números sobre o avanço da colheita nos Estados Unidos divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) no final da tarde de ontem. O índice veio em 40% e ficou acima das expectativas do mercado, que variavam de 27 a 31% para o intervalo até o último domingo (12). 

Apesar disso, a quarta-feira ainda é de chuvas significativas no Meio-Oeste americano, onde a situação só deve melhorar efetivamente a partir dos dias 18 e 19 de outubro, segundo informações de institutos meteorológicos do país. Dessa forma, apesar de ficar acima do esperado, a colheita ainda se mostra atrasada em relação à média dos últimos cinco anos, que é de 53% para esse período. 

Veja como fechou o mercado fechou nesta terça-feira:

Com clima adverso e demanda forte, soja tem mais um dia de boas altas na CBOT

 

As preocupações com o atraso da colheita nos Estados Unidos e o plantio no Brasil em função de adversidades climáticas levaram o mercado a mais um dia de fortes altas na Bolsa de Chicago. Os principais vencimentos fecharam a sessão regular desta terça-feira (14) com altas de mais de 20 pontos e registraram os melhores patamares em três semanas. 

Há chuvas excessivas nos Estados Unidos e a falta delas no Brasil dando força ao mercado internacional neste momento, incentivando o avanço das cotações. Abaixo, uma imagem de radar mostra as severas precipitações mais ao leste dos Estados Unidos e a seca em importantes regiões produtoras do Brasil, principalmente no Centro-Oeste, além de elevadas temperaturas. Veja:

EUA Radar - Fonte: Accuweather

EUA - Radar - Fonte: AccuWeather (17h30 horário de Brasília)

Radar Meio-Oeste - Fonte: Farm Futures

Radar Meio-Oeste - Fonte: Farm Futures

Brasil - Satélite - Fonte: AccuWeather

Brasil - Satélite - Fonte: AccuWeather

Além das informações de clima, outro dado que contribuiu para o tom positivo adotado pelo mercado foram os números dos embarques semanais divulgados nesta terça pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Os EUA embarcaram, na semana que terminou em 9 de outubro, 1.428,094 milhão de toneladas, número que ficou acima das expectativas - de 930 mil a 1,09 milhão de toneladas - e também do volume registrado na semana anterior, de 991,780 mil toneladas. Em 2013, nesse mesmo período, os embarques somavam 1.290,861 milhão. 

Assim, no acumulado do ano comercial, os embarques norte-americanos de soja já totalizam 3.921,406 milhões de toneladas, contra 3.113,060 milhões da mesma época da temporada anterior. O USDA estima as exportações de soja dos EUA da safra 2014/15 em 46,270 milhão de toneladas. 

Segundo Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, esses números já indicam que o ritmo de embarques este ano está ainda mais acelerado e deixam claro o crescimento e força da demanda mundial pela oleaginosa. 

Completando o quadro, os prêmios no mercado norte-americano estão positivos e em alta, mesmo em período de colheita no país. Os valores que, há uma semana, trabalhavam na casa de US$ 1,05 por bushel sobre o valor praticado em Chicago subiram e agora trabalham entre US$ 1,35 e US$ 1,40. "Há disputa pela soja disponível que chega ao mercado norte-americano e isso está sendo refletido nos prêmios", diz Brandalizze. 

Para o consultor, o mercado é climático no momento e acredita que os preços ainda têm espaço para crescer enquanto essas condições permanecerem no Meio-Oeste norte-americano e no Brasil, com a falta de chuvas atrasando o plantio da nova safra. "Agora crescem os olhos de analistas,  bancos, fundos, investidores para o clima, inclusive na América do Sul. Nós estamos no meio de outubro e as temperaturas já estão extremamente altas, o que causa um temor de que, mais adiante, esse calor excessivo comprometa a safra do Brasil", explica. 

Assim, Brandalizze acredita que o mercado também ainda conta com uma forte vertente técnica nesse momento e que, por conta disso, as boas altas das últimas sessões foram capazes de consolidar o vencimento novembro, referência para a safra americana, em US$ 9,50 por bushel, e aproximar os contratos março e maio/15 dos US$ 10,00, importante patamar psicológico para os negócios. 

Para o analista de mercado e jornalista do site norte-americano Mike McGinnis, estas são altas temporárias. "A colheita nos Estados Unidos está atrasada, o plantio em Mato Grosso, no Brasil, também. Alguns produtores estão apostando em coberturas de posições curtas e isso é positivo para o mercado. Então, veremos. Mas, uma vez que o produtor norte-americano consiga ficar por alguns dias consecutivos nos campos a colheita caminhará rápido", acredita. "E sim, avanço na colheita é pressão no mercado", completa. 

Mercado Interno

No Brasil, os preços exibiram uma valorização de mais de 1% para a soja com entrega em maio/15 no porto de Rio Grande e fechou o dia a R$ 58,00/saca. Já o produto disponível subiu 2,54% e ficou em R$ 60,50. Em Paranaguá, bem como nas principais praças de comercialização do mercado interno, e terminou a terça em R$ 55,00. 

A alta do dólar, de 0,33% com a moeda norte-americana chegando a US$ 2,40, contribuiu para os ganhos juntamente com a forte alta das cotações no mercado futuro norte-americano, bem como os prêmios positivos pagos nos portos brasileiros. Para novembro, o valor é de 92 cents de dólar sobre o valor de Chicago e, no vencimeto maio, 58 cents. 

Clima nos EUA

A região mais afetada nesses últimos dias é o sul do Corn Belt, mas essas tempestades se movem, agora, para o leste do país. "Esse quadro limita um pouco a pressão exercida pela grande safra dos EUA (estimada pelo USDA em mais de 106 milhões de toneladas), mas o clima um pouco mais quente e seco na segunda quinzena do mês deve permitir a retomada do ritmo dos trabalhos de campo e voltar a pesar sobre os preços. E ainda não há ameaças de geadas que possam ser fortes o suficiente para provocar uma quebra na produção", explicou o analista de mercado e jornalista do site norte-americano Farm Futures, Bryce Knorr.

Grande parte dos Estados Unidos, segundo informações do site AccuWeather, está sob ameaça de condições severas de clima que se estende da costa do Golfo até o Vale do Tennessee, com uma linha de tempestades pesadas se encaminhando para o leste. 

"As tempestades estão trazendo a ameaça de ventos fortes, granizo, chuvas de grande inundação e até mesmo um tornado isolado", disse AccuWeather.com meteorologista Andy Mussoline. 

Nesta terça, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz um novo boletim semanal de acompanhamento de safras mostrando como foi a evolução da colheita na última semana. Os números, no entanto, só saem às 17h (horário de Brasília), depois do fechamento do pregão, mas as expectativas devem mexer com os ânimos do mercado. 

Chuvas nos próximos 7 dias - EUA - Fonte: NOAA

Chuvas nos próximos 7 dias - EUA - Fonte: NOAA

Knorr explica ainda que é preciso atenção nesse momento e que os ganhos para os preços, nesse momento, são mais circunstanciais do que indicam uma nova tendência. "Os fundos de investimentos estão prontos para iniciar um movimento de vendas e pressionar o mercado", diz. 

Chuvas de 19 a 23 de outubro nos EUA - Fonte: NOAA

Chuvas de 19 a 23 de outubro nos EUA - Fonte: NOAA

 

Clima no Brasil

De acordo com informações da Somar Meteorologia, o tempo excessivamente quente e seco do início de outubro paralisou os trabalhos de plantio nas regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Em algumas localidades, as adversidades climáticas provocaram até mesmo a morte das plantas por conta do déficit hídrico e trazem aos produtores brasileiros a necessidade de replantio de áreas pontuais. 

O quadro pode ser observado em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais, e em algumas regiões do Paraná. Por outro lado, altos acumulados de chuvas no Rio Grande do Sul também comprometem a semeadura da nova safra.

Somar - Boletim Culturas 1 

"Nesta semana pouca coisa muda, o tempo seguirá aberto e a chance de chuva é pequena para as regiões produtoras de soja do Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Há previsão de chuvas apenas para o oeste de Mato Grosso, região do Parecis. Isso porque, áreas de instabilidade vindas da Amazônia associadas ao forte calor, provocam pancadas de chuvas na faixa oeste de todo o país. Porém, não há garantias de que essas chuvas possam ocorrer nas áreas desejadas.Com o tempo seco nesta semana, o plantio permanecerá paralisado. A previsão é de chuvas para a semana que vem, a partir do dia 22 de outubro", disse o boletim da Somar Meteorologia.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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