Soja tem estabilidade na CBOT; no Brasil, prêmios favorecem os preços

Publicado em 16/10/2014 07:44 1469 exibições

O mercado internacional da soja, nesta quinta-feira (16), trabalha ainda buscando manter a estabilidade na Bolsa de Chicago. Os principais vencimentos, por volta das 7h30 (horário de Chicago), registravam pequenas baixas, as quais não chegavam a 1 ponto.

Os investidores, segundo consultores e analistas,  mantêm-se mais na defensiva nesse momento, depois de duas fortes altas consecutivas nesta semana, estimuladas pelos problemas de clima e atraso na colheita nos Estados Unidos. Entretanto, as condições já se mostram mais favoráveis no Meio-Oeste e devem melhorar ainda mais nos próximos dias. 

De acordo com informações do Commodity Weather Group, as chuvas deverão ser bastante limitadas nas próximas duas semanas, permitindo que a colheita tanto da soja quanto do milho "volte aos eixos". Até o último domingo (12), 40% da área norte-americana já havia sido colhida, segundo números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). A média para esse período, no entanto, é de 53%. 

No Brasil, os preços têm sido favorecidos pelo avanço do dólar das últimas sessões e pelos prêmios positivos nos portos. Ontem, a soja para entrega maio/15 fechou o dia valendo R$ 59,10 por saca, com alta de 1,90%, diante de um ganho de mais de 17% no prêmio para o mesmo vencimento - que ficou em 68 cents de dólar positivos sobre a CBOT - e do dólar fechando em R$ 2,45. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Soja: Apesar do recuo na CBOT, negócios superam R$ 59 em Rio Grande

A sessão regular desta quarta-feira (15) foi de intensa volatilidade para o mercado internacional de soja e os futuros da oleaginosa encerraram o dia perdendo mais de 12 pontos nos vencimentos mais negociados. O contrato novembro/14, referência para a safra americana, fechou o dia valendo US$ 9,52 por bushel, enquanto o maio/15 terminou o pregão cotado a US$ 9,78. 

Apesar do recuo observado em Chicago nesta terça-feira, os preços da soja futura nos portos brasileiros subiram e, em Rio Grande, já se aproximam dos R$ 60,00. O dia terminou com a oleaginosa cotada a R$ 59,10 por saca, registrando um ganho de 1,90%. Em Paranaguá, o valor se manteve estável em R$ 55,00. Os ganhos foram motivados pela alta do dólar e pela valorização dos prêmios. 

No mercado disponível, Não-Me-Toque/RS, Ubiratã/PR, Londrina/PR, Cascavel/PR, Jataí/GO registraram ganhos de mais de 0,9% e os preços variam entre R$ 53,50 e R$ 55,00, com exceção da praça goiana, onde o preço ficou em R$ 50,25. 

Dólar e Prêmios - Outros dois fatores que exigem a atenção do produtor nesse momento é o andamento do dólar e a volatilidade que esse ativo tem apresentado frente ao real, em partes, por conta da corrida presidencial e do período de campanha eleitoral no Brasil, e os prêmios pagos nos portos.

Sobre o dólar, França afirma que ainda "há o lado internacional, com a preocupação mundial sobre o ritmo da recuperação da economia da zona do euro, e percebemos que há uma corrida ao dólar, o que é natural quando há uma maior aversão ao risco por parte do mercado financeiro". 

Nesta quarta, a moeda norte-americana encerrou o dia valendo R$ 2,45, atingiu R$ 2,46 na máxima da sessão, e teve a maior alta diária desde 21 de agosto de 2013, quando subiu 2,39%, de acordo com informações da agência de notícias Reuters. 

Paralelamente, os prêmios seguem positivos nos portos brasileiros. Com uma menor oferta de venda por parte dos produtores, o valor de pagamento para o contrato maio/15 é de 68 centavos de dólar sobre o valor praticado em Chicago, que registrou, nesta terça, uma alta de 17,24% em relação ao preço do dia anterior. 

"Nessa faixa de 60 cents são prêmios amplamente positivos, mesmo com expectativa de uma super safra também na América do Sul. Então, devemos ter preços menores, naturalmente, para os vencimentos abril e maio, em tempos de colheita, do que os que estão sendo praticados agora. Em outras palavras, prêmios acima dos 60 cents são bons para fixação", orienta França Jr. 

Bolsa de Chicago

O recuo para os preços veio depois de duas sessões de consecutivas e expressivas altas de mais de 20 pontos, com o mercado sendo estimulado por condições adversas de clima no Brasil, mas principalmente nos Estados Unidos. Porém, as últimas previsões já indicam um cenário melhor para o Meio-Oeste e essas informações acabaram incentivando uma movimento de realização de lucros. 

Chuvas nos EUA de 20 a 24 de outubro - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA de 20 a 24 de outubro - Fonte: NOAA

Chuvas nos EUA de 21 a 25 de outubro - Fonte: AgWeb

Chuvas nos EUA de 21 a 25 de outubro - Fonte: AgWeb

Nas próximas semanas, os principais estados do Corn Belt deverão contar com um tempo um pouco mais quente e seco, o que deve permitir que os produtores norte-americanos retomem o ritmo dos trabalhos de campo, os quais estão atrasados tanto para a soja quanto para o milho em relação à média dos últimos cinco anos.

De acordo com os últimos números trazidos nesta terça-feira (14) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a colheita da soja, até o dia 12 de outubro, estava concluída em 40% da área, frente aos 20% da semana anterior, apesar das chuvas excessivas. O índice ficou acima das expectativas do mercado, que variavam de 27 a 31%. No entanto, apesar disso, o número fica ainda abaixo do registrado para a média dos últimos cinco anos que é de 53%. 

Segundo explicou o consultor de mercado Flávio França Junior, da França Junior Consultoria, essas condições de clima desfavoráveis foram o estopim para uma valorização momentânea para as cotações, bem como o plantio atrasado no Brasil, também em função de problemas de clima.

"Criou-se um ambiente de recompra de posições, os fundos entraram muito forte se reposicionando em um mercado que, a princípio estava sobrevendido, baixo demais", explicou França Jr. "Mas, até agora, não há nenhuma notícia sobre a grande safra dos Estados Unidos ou sobre perdas que possa mudar o contexto do mercado de uma produção próxima de 110 milhões de toneladas de soja", completa. 

Ainda de acordo com o consultor, esse movimento positivo para os preços deve ser temporário e a pressão sobre o mercado deve voltar a se acentuar a medida em que a colheita avança de forma mais significativa no Meio-Oeste americano. 

Demanda e Comercialização

Com essa volatilidade que o mercado deve manter, boa parte em função dessas adversidades e incertezas sobre o clima para a colheita nos Estados Unidos e para o plantio no Brasil, o consultor acredita que para o produtor brasileiro, nesse momento, não vale a pena fixar preços nos atuais patamares que estão sendo praticados em Chicago. 

"Acho que não vale a pena fazer grandes apostas a essa altura do campeonato. A cada momento que o mercado propicia momentos de bons negócios, de demanda, de presença de comprador, de preços entre R$ 1,00/R$ 1,50 melhores, eu acredito que vale a pena aproveitar e, aparentemente, é isso que o produtor brasileiro vem fazendo", diz França Jr. 

O sojicultor brasileiro, além das informações de oferta, deve estar atento também às informações de demanda, as quais se mostram positivos. As vendas norte-americanas, bem como os embarques de soja do país, estão em um ritmo mais acelerado do que o registrado no ano passado, e isso passa a ser um indicativo da força, da presença e do crescimento da demanda pela commodity. 

"A demanda está reagindo bem. Os preços caíram muito, estão competitivos, as indústrias chinesas passaram a ter margens amplamente positivas, então, percebemos que há um forte movimento vindo da demanda interna que, de tempos em tempos, aparece nos preços", acredita o consultor. "E isso dará suporte aos preços, que devem se aproximar, cada vez mais dos US$ 10,00 e se distanciar dos US$ 9,00". 

Dólar e Prêmios - Outros dois fatores que exigem a atenção do produtor nesse momento é o andamento do dólar e a volatilidade que esse ativo tem apresentado frente ao real, em partes, por conta da corrida presidencial e do período de campanha eleitoral no Brasil, e os prêmios pagos nos portos.

Sobre o dólar, França afirma que ainda "há o lado internacional, com a preocupação mundial sobre o ritmo da recuperação da economia da zona do euro, e percebemos que há uma corrida ao dólar, o que é natural quando há uma maior aversão ao risco por parte do mercado financeiro". 

Nesta quarta, a moeda norte-americana encerrou o dia valendo R$ 2,45, atingiu R$ 2,46 na máxima da sessão, e teve a maior alta diária desde 21 de agosto de 2013, quando subiu 2,39%, de acordo com informações da agência de notícias Reuters. 

Paralelamente, os prêmios seguem positivos nos portos brasileiros. Com uma menor oferta de venda por parte dos produtores, o valor de pagamento para o contrato maio/15 é de 68 centavos de dólar sobre o valor praticado em Chicago, que registrou, nesta terça, uma alta de 17,24% em relação ao preço do dia anterior. 

"Nessa faixa de 60 cents são prêmios amplamente positivos, mesmo com expectativa de uma super safra também na América do Sul. Então, devemos ter preços menores, naturalmente, para os vencimentos abril e maio, em tempos de colheita, do que os que estão sendo praticados agora. Em outras palavras, prêmios acima dos 60 cents são bons para fixação", orienta França Jr. 

Nos links abaixo, confira como ficam as cotações da soja nesta quarta-feira e a entrevista na íntegra de Flávio França:

>> Flávio França - Consultor de Mercado da França Junior Consultoria

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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