Argentina: Área de soja da safra 2014/15 poderá ser menor, aponta Oil World

Publicado em 21/10/2014 15:07 501 exibições

 A área de plantio de soja na Argentina deverá ser menor nessa nova temporada, segundo uma estimativa da consultoria alemã Oil World. Em uma nota divulgada pela empresa nesta terça-feira (21), a estimativa da empresa é de que sejam cultivados 19,6 milhões de hectares na safra 2014/15, contra 19,8 milhões do ciclo anterior. A área argetina total, incluindo as outras culturas, deverá somar 31,5 milhões de hectares, também menor se comparada à da temporada 2013/14, de 31,81 milhões de toneladas. E, caso isso se confirme, esse será o segundo recuo de área consecutivo no país. 

"Há, atualmente, uma grande possibilidade de que o plantio de soja na Argentina não aumente na temporada 2014/15. As margens de lucro estão apertadas, particularmente no norte do país, então, é preciso observar qual o percentual de produtores irá reduzir o plantio combinado de grãos e oleaginosas", informou a consultoria. 

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago despencaram esse ano, bem como as cotações de milho e trigo no mercado futuro nort-americano, resultado das expectativas de uma safra recorde nas três culturas, e esse tem sido um fator determinante para as decisões dos produtores. 

Além disso, uma queda do peso - moeda local argentina - frente ao dólar também tem desestimulado os produtores, inclusive a efetivar novas vendas do que resta da safra velha de soja, assim como as incertezas e as crescentes preocupações com a economia do país. A comercialização da temporada 2013/14 está bastante atrasada no país e pelo menos 35% da temporada 13/14 ainda está nas mãos dos produtores. 

Contraponto

Por outro lado, o diretor da Globaltecnos, da Argentina, Sebastian Gavalda, acredita que o país deverá registrar um aumento de área de cultivo da soja que poderia chegar a 2% em relação à safra anterior. O plantio se desenvolve bem no país, com boas condições de clima e adversidades somente localizadas. 

"No ano passado, o plantio de soja ficou perto de 20,3 milhões de hectares e hoje se fala em uma área de 20,6 milhões, principalmente por conta de uma queda muito forte no plantio de milho. Aqui se fala em uma baixa de cerca de 20% no cultivo de milho e nessa área os produtores devem plantar mais soja", explica Gavalda. 

A estimativa da Oil World para a área de milho no país sulamericano é de 4,2 milhões de hectares, contra 4,8 milhões cultivados no ano passado. 

Aumento das áreas de pastagem

Na Argentina, os preços em alta do gado podem estimular também uma migração dos produtores para áreas de pastagem, ainda segundo a Oil World. Os valores pagos pela carne bovina estão em níveis recordes e praticamente dobraram em relação aos patamares praticados no ano passado. A expectativa dos analistas, dessa forma, é de que esse cenário se mantenha, com preços crescentes diante de uma produção menor. 

Ainda segundo Gavalda, os produtores que estão optando pela pecuária à produção de soja são aqueles em que estão em locais mais longe dos portos argentinos e, consequentemente, acabam sofrendo com margens de lucros ainda menores. 

"Aqui há 35% de impostos sobre as exportações de soja. Hoje, o produto da safra nova tem um valor de, aproximadamente, US$ 240,00 por tonelada no Porto de Rosário, e um frente que fica entre US$ 60,00 e US$ 70,00 e, por isso, a soja não compensa", diz o diretor. "Com esse valor, não há lucro na Argentina. De 50 a 60% do plantio acontece em área arrendada, e quem teve que pagar o arrendamento receberá ainda menos", completa. 

Falta de Crédito

Outro fator que também poderia contribuir para uma menor área de plantio da oleaginosa na Argentina é a falta de crédito dos produtores locais. A situação, de acordo com informações de Gustavo Grobocopatel, executivo do grupo Los Grobo, a situação é bastante severa nas regiões de Córdoba, San Luís e a porção Noroeste do país. 

"Há muitos que acreditam que a área vai diminuir por conta da falta de acesso ao financiamento ou porque o finaciamento é caro demais. Houve um tempo em que havia uma renda extraordinária, agora o que existe são perdas extraordinárias", disse o executivo ao portal AgroSouth News. 

Com informações da Bloomberg e do AgroSouth News

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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