Com alta do dólar, soja volta a superar R$ 63 no porto de Rio Grande apesar do recuo na CBOT

Publicado em 03/11/2014 16:55 777 exibições

Na sessão desta segunda-feira (3), os futuros da soja fecharam com mais de 20 pontos de baixa na Bolsa de Chicago. O contrato janeiro/15, o mais negociado nesse momento, encerrou o dia valendo US$ 10,27 por bushel, enquanto o maio/15, referência para a safra brasileira, ficou em US$ 10,41. O dia foi de intensa realização de lucros.

No mercado interno, as perdas de Chicago foram neutralizadas pela alta de 0,88% do dólar - que fechou em R$ 2,50 - e as cotações no Brasil avançaram nos portos e no interior do país. Nas principais praças de comercialização, os ganhos foram de quase 1%, segundo um levantamento do Notícias Agrícolas, enquanto nos portos as altas foram mais expressivas. 

No terminal de Paranaguá, a soja futura encerrou o dia valendo R$ 62,50, com alta de 2,46%. Já em Rio Grande, o ganho foi de 1,57% para o produto disponível, que ficou em R$ 64,50, e de 0,78% para o produto com entrega em maio/15, que fechou os negócios a R$ 63,50. Em Não-Me-Toque/RS, o preço ficou em R$ 58,00, com alta de 0,87%; em Cascavel/PR R$ 59,00, subindo 0,85%; em Jataí/GO, R$ 51,00; com alta de R$ 0,67%. Em Dourados/MS, a soja está sendo cotada a R$ 60,00 por saca e se manteve estável nesta segunda.   

Bolsa de Chicago 

Depois de uma semana muito agitada e de rally de preços, os fundos de investimentos, que continuam muito presentes entre os negócios, liquidaram boa parte de suas posições - em partes, motivados pelas notícias positivas de clima para o Brasil e os EUA - em busca de garantir alguns ganhos nesta segunda.

E esse movimento, segundo explicou a analista de mercado Ana Luiza Lodi, da FCStone, deve continuar permeando os negócios nessa semana. Além disso, Ana Luiza acredita também que o desempenho do mercado do farelo de soja deverá ser acompanhado por mais um tempo. Este pregão também foi de baixas para o derivado, que fechou o dia perdendo entre 6,20 e 18,30 pontos em Chicago. Nos últimos dias, o rally de preços desse produto também foi um  motivador das altas da soja em grão. 

"Nessa semana, o mercado deve continuar acompanhando o desempenho do farelo de soja em Chicago porque, e embora a colheita esteja se normalizando nos Estados Unidos, ainda leva um tempo para o mercado e o esmagamento se ajustarem, e também o clima será acompanhado. Os fundos também devem continuar atuando nos mercado e influenciando bastante as cotações, além dessa ser a semana que antecede o novo boletim (mensal de oferta e demanda do USDA) e são divulgadas muitas estimativas de consultorias privadas que têm o poder de mexer com o mercado", explica a analista da FCStone.

Paralelo ao movimento dos fundos, o mercado deve atuar também diante das informações de melhores condições de clima favorecendo a colheita no Meio-Oeste americano - que se encaminha para a fase final - e esse acabou sendo um fator de pressão para as cotações nesta segunda-feira, já que o índice de área colhida será atualizado pelo USDA e as expectativas indicam um aumento de 70 para 79%. 

"O clima não parece ser um problema para a colheita nos Estados Unidos e, na América do Sul, já começam a ser registradas melhores condições para o plantio. Assim, o mercado de grãos se mostra pressionado diante desse movimento de realização de lucros e da expectativa do progresso da colheita americana", disse Paul Georgy, presidente da consultoria Allendale à agência Bloomberg. 

Além disso, há notícias ainda de melhores chuvas no Brasil. Entretanto, essas são informações ainda divergentes já que, apesar de previsões apontarem para boas precipitações favorecendo o desenvolvimento do plantio, as mesmas não têm se confirmado e seguem comprometendo a semeadura da safra 2014/15. As principais regiões produtoras ainda aguardam por boas chuvas para que o plantio se desenvolva normalmente no Brasil. Previsões da Somar Meteorologia, uma nova frente fria deve se formar e atingir as regiões Centro-Oeste e Sudeste entre os dias 8 a 12 de novembro. 

Porém, o analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora de Cereais, afirma que as previsões climáticas são feitas com imagens de satélites e, por isso, não conseguem trazer uma precisão sobre as chuvas. "Os satélites vêm as nuves e não se realmente choveu. O volume de chuvas ainda é muito baixo, então, amanhã ou depois, isso chega ao mercado com impacto positivo. Parecia que ia chover muito, mas as chuvas foram mínimas. No Paraná, por exemplo, as precipitações foram muito esparsas e apenas algumas regiões receberam chuvas melhores, e o noticiário lá fora ainda não viu isto". 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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