Soja: Mercado espera números do USDA e inicia semana na estabilidade

Publicado em 10/11/2014 07:31 1458 exibições

Os preços da soja começam a semana buscando manter a estabilidade, porém, oscilando entre os dois lados da tabela na Bolsa de Chicago à espera dos três relatórios que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta segunda-feira (10). Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos subiam entre 3,50 e 4,75 pontos. 

Hoje, o departamento agrícola norte-americano traz seu novo boletim mensal de oferta e demanda e as expectativas do mercado indicam para um aumento na safra de grãos do país, tanto de soja quanto de milho. Para a soja, o esperado é que a projeção do USDA aumente de 106,8 milhões para 108 milhões de toneladas. 

Além disso, hoje serão divulgados ainda os números dos embarques semanais norte-americanos - que estão acontecendo em um ritmo muito mais forte do que o registrado em anos anteriores, e também os de acompanhamento de safra, que trazem a evolução da colheita nos Estados Unidos até o último domingo (9). 

Na segunda-feira passada (3), os embarques de soja vieram em 2.770,997 milhões de toneladas e o acumulado na temporada em 1.009,500 milhões de toneladas. Sobre a colheita de safra, o USDA mostrou que 83% da área já havia sido colhida e assim se alinhava com a média dos últimos cinco anos. O esperado para o relatório de hoje é um número já acima de 90%. 

No Meio-Oeste americano, as condições climáticas continuam a favorecer os trabalhos de campo, segundo informações do MDA Weather Service. Segundo o instituto meteorológico, há um padrão de clima mais seco no Corn Belt e há portanto, no mínimo, uns 10 bons dias para a colheita. "O mercado ainda observa um cenário um pouco mais confortável nos estoques", afirma um analista internacional à Bloomberg. 

Paralelamente, o mercado espera ainda a consolidação da safra da América do Sul. No Brasil, as chuvas ainda não estão generalizadas e de volume adequado para que o plantio possa transcorrer no ritmo habitual e anular o atraso que vem sendo registrando em quase todas as regiões produtoras. Na Argentina e no Rio Grande do Sul, a situação é oposta, já que o excesso de chuvas também vem comprometendo o cultivo da nova safra. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira (7):

Soja tem melhor momento da safra 2014/15 e fecha semana a R$ 65 em Rio Grande

O mercado internacional da soja fechou a sessão desta sexta-feira (7) em campo positivo na Bolsa de Chicago. O contrato janeiro/15 subiu 0,68% na semana e ficou em US$ 10,36 por bushel, enquanto o ganho semanal do maio/15, referência para a safra brasileira, foi de 0,48% com fechamento de US$ 10,39. A semana foi bastante agitada para os futuros da oleaginosa, com uma série de fatores caminhando juntos para a formação dos preços. Além disso, o mercado ainda presenciou uma presença maciça dos fundos de investimento sobre o negócios, acentuando a volatilidade, e também uma movimentação bastante expressiva do dólar frente à cesta das principais moedas. 

E foi essa movimentação do dólar que elevou os preços da soja nos portos brasileiros nesta sexta-feira, fazendo o mercado fechar a semana com o melhor momento da temporada no porto de Rio Grande - R$ 65,00 por saca para o produto com entrega maio/15. A alta na semana foi de 2,36%. Já o produto disponível acumulou uma alta ainda mais expressiva de 3,66% e passou de R$ 64,50 para R$ 67,00. No porto de Paranaguá, o ganho semanal foi de 0,8% com R$ 63,00 no fechamento desta sexta. 

O dólar fechou o dia quase estável ante o real, segundo mostra a agência Reuters, porém, ao longo da sessão se aproximou dos R$ 2,60, bateu nos R$ 2,60 e assim, a alta acumulada na semana é de surpreendentes 3,4%. De nove das últimas semanas, o dólar subiu durante oito e tem uma alta nesse período de quase 15%, ainda segundo informações da Reuters. "O mercado vai continuar se protegendo no dólar enquanto não tivermos mais detalhes sobre o futuro", disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo à agência de notícias.

Esses bons preços têm estimulado os produtores brasileiros a aquecer um pouco mais o ritmo dos negócios da safra 2014/15 ao avançarem um pouco mais nas fixações, segundo o analista de mercado Stefan Tomkiw, da Jefferies Corretora. "Os produtores têm aproveitado esses bons momentos e isso pode manter o ritmo dos negócios um pouco mais razoável nos próximos dias". 

No interior do país, os preços também passam por um bom momento no interior do país e registraram altas de 1,69 a 3,54% de alta entre as principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas. Em Cascavel/PR, a cotação fechou a semana a R$ 60,50, a R$ 60,00 em Londrina e R$ 58,00 em Não-Me-Toque/RS. Em Mato Grosso do Sul, as principais praças têm preços acima dos R$ 60,00. 

Com a oferta do produto da safra 2013/14 já muito ajustada, uma demanda interna muito aquecida e o mercado interno se descolando do futuro norte-americano, em algumas praças de comercialização no interior do país os valores chegam a estar acima da paridade de exportação. 

Segundo explicou o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora, que fica em Cascavel, no oeste do Paraná, nem mesmo a queda registrada pelos preços da soja em algumas sessões desta semana na Bolsa de Chicago pressionaram os preços no interior, os quais seguem no mesmo nível. "Ou seja, os preços estão acima de paridade e sendo definidos pelas pressões locais e regionais de oferta e demanda", diz.

Bolsa de Chicago

As altas na Bolsa de Chicago, ainda segundo Tomkiw, foram motivadas ainda pelo bom momento do farelo. Na semana, o vencimento dezembro/14 passou de US$ 372,70 para US$ 392,30 por tonelada curta, acumulando altas de 5,26%. No maio, esse ganho foi 3,88% e a semana fechou com US$ 348,30. "O mercado ainda sente uma demanda muito forte pelo farelo, além de problemas com a logísitica para a distribuição desse produto, que vem competindo com a energia", explicou o analista da Jefferies. 

Para Tomkiw, esse cenário ainda tem alguma força e deve continuar influenciando o mercado da soja em grão, dando sustentação às cotações da commodity. No entanto, alerta para a divulgação do novo boletim de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na próxima segunda-feira (10) com a possibilidade de aumento na safra norte-americana, que vem reportando altos índices de produtividade.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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