Soja fecha com quase 40 pts de alta na CBOT e bate nos R$ 66 em Rio Grande

Publicado em 11/11/2014 17:30 1764 exibições

Nesta terça-feira (11), os preços da soja fecharam o dia com altas de quase 40 pontos na Bolsa de Chicago, avançando mais de 3%. O mercado, segundo analistas, foi motivado pela boa demanda pelo produto norte-americano e também pela nova puxada dos preços da farelo na CBOT, que hoje subiram 5% em suas posições mais negociadas, com o dezembro superando os US$ 400,00 por tonelada curta. 

No mercado brasileiro, o dia também foi bastante positivo para a oleaginosa. As altas em Chicago mais o bom avanço do dólar frente ao real resultou em uma valorização da commodity tanto nos portos quanto no interior do país. Nesta terça, a moeda norte-americana subiu 0,27% e fechou em R$ 2,56. 

O preço da soja com entrega para maio/15 fechou o dia com 3,13% de alta a R$ 66,00, atingindo o melhor preço da temporada 2014/15. Em Paranaguá, o valor subiu para R$ 64,00, com ganho de 1,59%. Em São Gabriel do Oeste, no MS, a alta foi de 1,64% com R$ 62,00 por saca, de 0,95% em Jataí/GO para R$ 53,25. Já as demais praças mantiveram sua estabilidade nesta terça. 

Bolsa de Chicago

Os fortes ganhos que vem sendo registrados pelo farelo de soja têm sido reflexo de uma complicação na logística norte-americana para a entrega desse produto. A demanda tem se mostrado muito forte e a produção e distribuição não têm conseguido atender aos setores, os quais estão bastante compradores, explicou o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora. 

Mariano explica ainda que houve muito de uma movimentação técnica também na sessão desta terça, com os fundos que estavam vendidos saindo do mercado tendo que comprar novas posições, realizando prejuízo, porém, estimulando o avanço das cotações. "Isso aumentou a demanda e quebrou a média móvel de 100 dias", disse. "Mercado técnico apoiado em um momento aquecido do farelo", completa. 

Além desse quadro para o mercado do farelo, os preços da soja também têm sido beneficiados pelo crescimento e força da demanda e pelos produtores norte-americanos que seguem evitando efetivas novas vendas, o que acaba limitando a oferta de produto disponível entre os negócios. Dessa forma, os prêmios nos principais canais de escoamento da produção norte-americana estão ainda positivos e trabalhando na casa de US$ 1,00 sobre os valores praticados em Chicago,mesmo em plena colheita americana.

"O mercado hoje já observa a maior demanda, as maiores exportações norte-americanas e o maior potencial dessa demanda, principalmente pelos chineses e outros compradores, que estão aparecendo para o mercado mundial da soja, que segue com a demanda acelerada", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe ontem seu novo boletim mensal de oferta e demanda e aumentou as exportações norte-americanas em pouco mais de 500 mil toneladas, o que fica bem aquém do ritmo que está sendo observado tanto nas vendas para a exportação quanto dos embarques nos Estados Unidos. Dessa forma, esse número deve continuar a ser revisado para cima, mesmo que de forma comedida a cada mês, e as exportações dos EUA poderiam encerrar o ano comercial em cerca de 50 milhões de toneladas, segundo Brandalizze. 

Com isso, para o consultor, o mercado em Chicago continua atuando com um intervalo entre US$ 10,00 e US$ 12,00 para os principais vencimentos e os preços deverão passar por um crescimento sustentado daqui em diante, mesmo que não disparem. 

Além disso, explica ainda que, além dessa força da demanda, os produtores nos principais países exportadores - Estados Unidos, Brasil e Argentina - estão evitando participar de novas vendas, está controlando sua oferta e isso também tem sido um fator positivo para as cotações. Ao mesmo tempo, os grandes compradores continuam tentando garantir seu produto, haja vista a situação de prêmios ainda positivos tanto no Brasil quanto nos EUA, onde os valores superam US$ 1,00 sobre o preço praticado em Chicago. 

"Os grandes compradores estão puxando rapidamente o que podem dos Estados Unidos porque temem que, com esse atraso da safra no Brasil, a soja deve começar a ser ofertada somente a partir de maio. E eles têm que comprar agora porque, provavelmente, nas próximas semanas começa a nevar no Meio-Oeste americano e a movimentação de cargas fica quase inviabilizada", explica Brandalizze. 

Comercialização

Para Mário Mariano, essa puxada nas cotações cria boas oportunidades para o produtor brasileiro. O cenário tem se mostrado positivo com bons patamares sendo praticados em Chicago, a alta do dólar frente ao real e ainda bons prêmios sendo pagos nos portos brasileiros. Apesar de apresentarem um ligeiro recuo em relação aos últimos dias, Paranaguá ainda tem 72 centavos de dólar sobre o valor da CBOT para janeiro e março/15 e 35 cents para abril e maio/15.   

Tags:
Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • leandro frizzo São Miguel das Missões - RS

    Daqui alguns dias vão estar falando que o Liones tinha razão.

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