Em semana de USDA, soja busca estabilidade na CBOT nesta 2ª

Publicado em 08/12/2014 09:37 374 exibições

Os preços da soja iniciam a semana tentando manter uma certa estabilidade no mercado internacional, depois de um fechamento de fortes altas na última sexta-feira (5) e de dias de forte volatilidade. E nesta segunda-feira (8), os futuros da oleaginosa na Bolsa de Chicago recuavam entre 4,75 e 5,75 pontos nas posições mais negociadas, com o contrato maio/15, referência para a safra brasileira, valendo US$ 10,42 por bushel. 

O mercado observa ainda os investidores operando mais na defensiva em uma semana em que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz um novo relatório mensal de oferta e demanda na próxima quarta-feira, 10 de dezembro. OS números, apésar de os boletins de dezembro serem tradicionais, devem trazer alguma movimentação para os preços, segundo analistas. 

Além disso, ainda nesta segunda-feira, o USDA traz um novo boletim semanal de embarques e o mercado também deve mexer, mesmo que levemente, com o humor do mercado. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Soja sobe mais de 2% na semana em Chicago e volta aos R$ 65 em Rio Grande

Os preços da soja fecharam a sessão desta sexta-feira (5) com altas de quase 30 pontos na Bolsa de Chicago. O mercado ganhou ainda mais força no final do pregão, levando o contrato janeiro/15 a encerrar a semana valendo US$ 10,38 por bushel, com alta de 27,75 pontos, enquanto o maio/15, referência para a safra brasileira, ficou em US$ 10,51, subindo 27,50 pontos. 

Embora durante a semana as duas primeiras posições tenham chegado a perder o patamar dos US$ 10,00 por bushel, as altas registradas nas duas últimas sessões promoveram uma recuperação para os preços e, dessa forma, o balanço semanal é positivo para a commodity na CBOT. O vencimento janeiro, de segunda (1) a sexta-feira (5) subiu 2,06% e o março 1,95%, para ficar em US$ 10,44. 

Nesses dois últimos pregões, as informações que protagonizaram o andamento das cotações vieram do lado da demanda. Novas vendas de soja foram anunciadas e as vendas para exportação ficaram bem acima das expectativas do mercado, ambas as notícias reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Além disso, segundo analistas, o mercado avançou também diante de uma demanda interna aquecida também nos Estados Unidos. 

De acordo com o último relatório semanal de vendas para exportação do USDA, o total acumulado de soja já comprometido da safra 2014/15 já passa de 39 milhões de toneladas, enquanto para todo o ano comercial corrente se espera que serão exportadas 46,81 milhões de toneladas. Com esse ritmo, as vendas já apresentam um ritmo 6,3% maior do que o registrado na temporada anterior para a soja em grão e 17% maior no farelo, segundo explica o analista de mercado Stefan Tomkiw, da Jefferies Corretora, de Nova York. 

Tomkiw diz ainda que o mercado vinha trabalhando com as expectativas de que o ritmo de contratações de soja poderia diminuir nessa semana e nas próximas, entretanto, isso não se confirmou, mas acaba trazendo uma fragilidade ao negócios no mercado futuro americano. Ainda assim, os investidores seguem observando esse forte apetite internacional pela soja norte-americana. 

Sobre a demanda nos Estados Unidos, o analista também explicou que a demanda segue aquecida, principalmente por farelo de soja, o que deverá exigir das indústrias esmagadoras norte-americanas a extenderem suas suas atividades por mais alguns dias para atender o consumo interno. 

Com esse cenário, Tomkiw acredita, bem como outros analistas internacionais, que o USDA tenha que rever algumas de suas projeções - de demanda e estoques - para se aproximar da realidade atual, das mudanças e desse ritmo acentuado das exportações americanas. Sobre os estoques, o analista aposta em uma redução de 12,25 milhões para algo próximo de 10,89 milhões de tonelas e, em contrapartida, um aumento de 820 mil toneladas nas exportações e de 540 mil no esmagamento doméstico. E essas revisões poderiam ser conhecidas já na próxima quarta-feira (10), no novo boletim mensal de oferta e demanda do departamento. 

A semana no Brasil

Se a semana fechou positiva para as cotações na Bolsa de Chicago, fechou ainda melhor para os preços nos portos brasileiros. No terminal de Rio Grande, o produto disponível teve alta de 6,98% e foi de R$ 64,50 para R$ 69,00, enquanto o produto com entrega em maio/15 registrou um avanço de 3,17% para R$ 65,00. Já em Paranaguá, ganho de 2,74%, passando de R$ 62,00 para R$ 63,70. 

Na semana, o dólar também acumulou uma alta, nesse caso de 0,84%, e fechou a R$ 2,5933 nesta sexta-feira (5). Na máxima da sessão, a moeda norte-americana bateu nos R$ 2,6110, porém, não conseguiu se firmar acima dos R$ 2,60. E esse tem sido, ao lado dos prêmios positivos e que seguem avançando, importante fator de estímulo às cotações da oleaginosa no país. 

Por outro lado, no mercado disponível, as altas não foram um movimento comum em todas as praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas junto às cooperativas e sindicatos rurais. Os ganhos variaram de 0,87%, em Não-Me-Toque/RS, para R$ 58,00, a 2,56% em Ubiratã e Londrina, ambas no Paraná, para R$ 60,00 por saca. Em Cascavel, o avanço foi de 1,71% para R$ 59,50 e, em São Gabriel do Oeste/MS, a cotação subiu 1,72% para R$ 59,00 por saca. Já em Luis Eduardo Magalhães, na Bahia, o preço recuou 10% e caiu de R$ 60,00 para R$ 54,00 por saca. Baixas foram contabilizadas ainda em Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso. 

 

 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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