Soja em Chicago volta a subir nesta 6ª e tem altas de dois dígitos; câmbio limita preços no Brasil

Publicado em 29/07/2016 12:41
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O momento é de volatilidade para o mercado internacional da soja e a sessão desta sexta-feira (29) não poderia ser diferente. Os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago iniciaram o dia em campo negativo, porém, no começo da tarde, as cotações recuperaram o fôlego e, por volta de 12h10 (horário de Brasília), trabalhavam com altas de dois dígitos entre os principais contratos. Os ganhos variavam de 12,25 a 16,75 pontos, levando o agosto/16 de volta aos US$ 10,20 por bushel e o novembro/16, referência para a safra dos EUA, a US$ 9,91. 

"Esse é um movimento natural do mercado para este momento", explica o consultor em agronegócios Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, uma vez que os preços vieram, nos últimos dias, testando algumas mínimas e agora procuram uma retomada de fôlego. "Se a safra americana for 105 milhões ou 109 milhões de toneladas, isso já está no preço. Acredito que dificilmente veremos um mercado abaixo dos US$ 9,30, porque isso se distancia muito do custo de produção do produtor americano", diz. 

Ainda nesta sexta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe um novo anúncio de venda de soja em grão de 129 mil toneladas e também favorece o movimento positivo das cotações. Durante esta semana, outros dois anúncios de vendas foram feitos totalizando um volume de 588 mil toneladas, com operações referentes à ambas as temporadas, e os mesmos também contribuíram para essa recuperação, mesmo que pontual das cotações.

Segundo Fernandes, a demanda pela soja norte-americana se mostra bastante aquecida neste momento e, portanto, permanece no radar dos traders internacionais ao lado das especulações sobre o clima no Meio-Oeste americano. "O mês de agosto vem se mostrando mais quente nas previsões, mas isso já estava no preço, mas vai motivar alguns movimentos especulativos", explica. 

No Brasil

Na contramão de Chicago, o dólar voltava a recuar frente ao real nesta sexta-feira, pressionando, mais uma vez, os preços da soja no Brasil. O câmbio continua sendo um forte limitador das cotações no mercado interno e, assim, além da pouca oferta disponível, a comercialização do país segue completamente travada, ainda de acordo com Ênio Fernandes. 

A moeda norte-americana, por volta de 12h50 (Brasília), perdia quase 2% e era cotada  aR$ 3,24. "Sem o BC atuando (com swaps reversos), o dado dos EUA faz mais efeito sobre o mercado brasileiro", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado em entrevista à agência de notícias Reuters.

Com isso, em Rio Grande, a soja, na tarde desta sexta-feira, tinha estabilidade no disponível em R$ 81,50 por saca, mesma referência de fechamento do dia anterior, enquanto no mercado futuro o preço perdia 0,63% para chegar aos R$ 79,00 por saca. 

"Uma outra venda é realizada somente em regiões onde o produtor precisa liberar os armazéns para a entrada do milho", explica. "Mas os produtores não estão vendendo, principalmente a soja disponível", completa o o consultor. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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