Frente à falta de novidades, mercado da soja em Chicago tem novo dia de estabilidade

Publicado em 16/09/2016 08:48 e atualizado em 16/09/2016 09:23
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Na última sessão da semana, o mercado internacional da soja segue expressando estabilidade na Bolsa de Chicago. As cotações da oleaginosa trabalhavam com ligeiras baixas de 0,25 a 1 ponto, e o novembro/16 valendo US$ 9,49 por bushel. O maio/17, que já serve como referência para a nova safra brasileira, valia US$ 9,64.  

O mercado seguia caminhando de lado nesta manhã de sexta-feira diante da falta de notícias fortes, especialmente entre os fundamentos, que pudessem movimentar não só os futuros da oleaginosa, mas também dos grãos e dos derivados da soja. 

A atenção dos traders se divide ainda com as informações que chegam do financeiro neste momento, as quais também exibem um pouco mais de tranquilidade neste momento. O dólar index sobe hoje, pouco mais de 0,2%, enquanto o petróleo volta a ceder e perde mais de 1,5% tanto em Londres quanto em Nova York. 

Segundo explica o analista Stefan Tomkiw, da Société Genéralé, de Nova York, uma reação mais intensa do mercado deverá ser observada a partir do momento em que a colheita da soja ganhar mais ritmo nos EUA, confirmando todo o potencial, principalmente de produtividade, que está sendo estimado. 

Ao mesmo tempo, com o fim do vazio sanitário no Brasil, o mercado internacional passa a voltar seus olhos para a América do Sul e o começo da nova safra, que também conta com potencial bastante expressivo. 

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Soja: Mercado fecha em alta na Bolsa de Chicago nesta 5ª e novembro recupera os US$ 9,50

Na sessão desta quinta-feira (15), o mercado da soja fechou em alta na Bolsa de Chicago. Os futuros da oleaginosa, que operaram em campo positivo durante todo o dia, foram ampliando seus ganhos e, assim, as principais posições terminaram os negócios subindo mais de 7 pontos e levando o novembro/16, referência para a safra americana e o mais negociado do momento, de volta aos US$ 9,50 por bushel. 

O dia foi marcado pelas especulações sobre as atividades de campo no Brasil no dia em que marca o fim do vazio sanitário no país e o começo da nova safra. Segundo analistas internacionais, o clima seco e condições ainda não completamente adequeadas para o início da semeadura na maior parte dos principais estados produtores chamou a atenção dos traders. Já na região Sul do Brasil, no Paraná, o plantio já começou e se desenvolve bem, mas ainda com os produtores cautelosos.

"Tivemos registro de temperaturas de até 8ºC graus em algumas regiões do estado, então, mesmo com umidade no solo, os agricultores estão mais receosos. Especialmente em relação à germinação das sementes", afirma o presidente da Aprosoja Paraná, José Eduardo Sismeiro.

Já para a região Centro-Oeste, a situação exige mais atenção, uma vez que as chuvas deverão começar a se regularizar somente a partir da segunda quinzena de outubro ou primeira de novembro, de forma a permitir o avanço ou até mesmo o início do plantio. E o produtor desses estados irão procurar arriscar menos nessa temporada, já que muitos estão descapitalizados depois das severas perdas causadas por adversidades climáticas no ano passado. 

"Possivelmente teremos uma área menor de plantio na safra que inicia-se oficialmente nesta quinta", afirma o presidente da Aprosoja Brasil, Marcos da Rosa.

Ainda em Chicago, as últimas informações de oferta - com uma safra esperada nos EUA para chegar as 114 milhões de toneladas - já são conhecidas e foram absorvidas. O momento, portanto, deverá ser de ainda mais especulações não só sobre a safra do Brasil, mas da América do Sul de uma forma geral. 

Entre os fundamentos, os traders deram espaço também para números da demanda que foram reportados nesta quinta-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), como a venda de 110 mil toneladas de soja em grão para destinos desconhecidos e as vendas para exportação da semana encerrada em 8 de setembro. Os EUA venderam 1.012,1 milhão de toneladas, sendo 1.018,6 milhão da safra 2016/17 e mais um cancelamento de 6,5 mil toneladas da 2017/18. Da safra atual, o maior volume foi, mais uma vez destinado à China. O intervalo esperado era de 900 mil a 1,2 milhão de toneladas. O comprometimento da produção norte-americana destinada à exportação já passa em 39% o registrado no mesmo período do ano anterior. 

Paralelamente, atenção ao dólar. Frente ao real, a moeda americana recuou após altas consecutivas, fechou em queda de 1,24%, mas ainda na casa dos R$ 3,30, e o recuo também deu suporte ao avanço de algumas commodities nesta sessão. 

"O mercado está de olho no exterior, mas os investidores aproveitam os momentos. Hoje, por exemplo, houve uma janela de oportunidade", comentou o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado em entrevista à agência de notícias Reuters. Leia mais:

>> Dólar: Dados sobre economia americana dão tom sobre futuro dos juros nos EUA e do câmbio

No Brasil

No Brasil, os preços apresentaram estabilidade na maior parte das principais praças de comercialização. A exceção, em Mato Grosso, ficou por conta de Sorriso, com queda de 0,69% para R$ 71,50 por saca ou no Goiás, com Jataí subindo 0,38% para R$ 66,25 por saca nesta quinta-feira. Em Avaré, São Paulo, o preço subiu 4,72% para R$ 73,66. 

Nos portos, recuo em Paranaguá com R$ 79,50 no disponível e estabilidade nos R$ 80,00 para o mercado futuro, enquanto Rio Grande foi a R$ 78,30 e R$ 78,90, respectivamente. 

 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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