Soja espera por novidades fortes e atua com estabilidade na manhã desta 2ª feira na CBOT

Publicado em 03/10/2016 08:06
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O mercado internacional da soja segue operando com estabilidade e movimentações bastante tímidas na manhã desta segunda-feira (3). Os futuros da oleaginosa subiam, por volta das 7h30 (horário de Brasília), de 1,25 a 1,75 ponto nos contratos mais negociados. O novembro/16 era cotado a US$ 9,55 e o maio/17, referência para safra do Brasil, a US$ 9,73 por bushel. 

Os negócios ainda refletem a observação dos traders sobre a conclusão da safra dos Estados Unidos e, de acordo com informações de agências internacionais, a semana poderá ser de clima mais chuvoso no Meio-Oeste americano, segundo as últimas previsões, podendo atrapalhar novamente os trabalhos de colheita por lá. 

Há ainda, como suporte para os preços, a comercialização que pouco evolui nos EUA - com os produtores aguardando por preços mais atrativos - e os fundos investidores também atuando com mais calma neste início da semana e do quarto trimestre do ano. Além disso, a demanda forte pela soja norte-americana também tem sido um fator de suporte para as cotações. Mas, de outro lado, os mercados chineses deverão ficar fechados durante toda esta semana em função de um novo feriado e podem, mesmo que momentaneamente, reduzir o peso da demanda nas negociações. 

"E o mercado pode, porém, ter um potencial rally limitado pelos bons reportes de produtividade que chegam do Corn Belt, apesar de algumas regiões sofrerem com condições adversas para a colheita", diz o analista de mercado Joe Lardy, da CHS Hedging, em entrevista ao Agrimoney. 

Ainda nesta segunda, chegam também os boletins semanais de embarques de grãos dos EUA e de acompanhamento de safras, o qual deverá atualizar, principalmente, os dados da colheita no país. Ambos serão reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Veja como fechou o mercado na última semana:

Soja encerra a semana em Chicago com ligeiras quedas diante da grande safra norte-americana

Por Fernanda Custódio

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as principais posições da soja encerraram o pregão desta sexta-feira (30) com ligeiras altas. O vencimento novembro/16 era cotado a US$ 9,54 por bushel, com alta de 3,75 pontos e o janeiro/17 a US$ 9,59 por bushel, com ganho de 3 pontos. Já no balanço semanal, os futuros da oleaginosa acumularam leves perdas, entre 0,10% e 0,18%, conforme levantamento realizado pelo economista do Notícias Agrícolas, André Lopes.

Segundo dados do site internacional Farm Futures, os preços foram sustentados pelas informações reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ao longo do dia. Ainda hoje, o órgão indicou os estoques de soja, na posição 1º de setembro, em 5,36 milhões de toneladas, um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de 5,2 milhões de toneladas. Porém, o número ficou ligeiramente abaixo da média das expectativas, de 5,5 milhões de toneladas.

Além disso, o departamento também divulgou a venda de 118 mil toneladas de soja para a China. O órgão ainda informou a venda de 198 mil toneladas da oleaginosa para destinos desconhecidos. Ambos os volumes negociados deverão ser entregues na campanha de comercialização 2016/17.

"Apesar dos números, o mercado se volta para a colheita de uma safra recorde nos EUA. Estamos confirmando uma produtividade boa, com uma safra que pode superar os 115 milhões de toneladas e uma produtividade média ao redor de 56,7 sacas por hectare", disse o analista de mercado da Lansing Trade Group, Marcos Araújo.

E, ainda segundo dados dos sites internacionais, o clima mais seco devem favorecer o andamento da colheita nos EUA. “Os relatórios de progresso de colheita e previsões meteorológicas estarão em foco por mais algumas semanas e, em seguida, a atenção se deslocará para a demanda”, disse Bob Burgdorfer, editor e analista do portal Farm Futures.

Até o início da semana, cerca de 10% da área havia sido colhida com a soja no país. O número ficou bem abaixo do registrado no mesmo período de 2015, de 17%. O USDA atualiza as informações na próxima segunda-feira (3).

Ainda na visão do analista, a soja continua com maior potencial de alta se comparada os preços do milho e do trigo. "O grande fornecedor de soja nesse momento é os EUA, porém, ainda não há garantias do suprimento ao longo de 2017, uma vez que dependemos da safra da América do Sul", completa.

Mercado brasileiro

A semana foi de ligeira movimentação aos preços da soja no mercado interno brasileiro. Em Avaré (SP), a cotação caiu 9,21% e fechou a semana a R$ 67,41 a saca. Na região de Assis (SP), o recuo foi de 5,27%, com a saca da oleaginosa a R$ 70,34. No Porto de Santos, o valor também caiu 3,10%, com a saca a R$ 78,10.

Já em Itapeva (SP), os preços registraram ligeira alta, de 1,36%, com a saca a R$ 72,29. Na região de Ponta Grossa (PR), o ganho foi de 2,60%, com a saca da soja a R$ 79,00. Em Sorriso (MT), o ganho foi de 1,43%, com a saca a R$ 71,00.

Assim como no caso do milho, as negociações ocorrem bem lentamente no mercado brasileiro. "Os produtores rurais estão ausentes do mercado, focados no plantio da safra 2016/17, especialmente no Centro-Oeste", destaca o analista de mercado. Ainda hoje, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) reportou que o plantio da soja já está completo em 4,5% da área prevista para essa temporada.

Os trabalhos nos campos estão mais acelerados nas regiões do Médio-Norte e o Oeste do estado. Localidades que receberam maior volume de chuvas. Porém, em grande parte de Mato Grosso, os produtores rurais ainda aguardam a umidade no solo para iniciar a semeadura do grão com segurança.

No caso do Paraná, em torno de 14% da área projetada para essa safra já foi semeada, segundo informou o Deral (Departamento de Economia Rural) essa semana. No caso de Mato Grosso do Sul, os trabalhos caminham lentamente e, apenas 3% da área foi plantada com a oleaginosa, devido às chuvas irregulares, conforme dados reportados pela Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul).

Dólar

A moeda norte-americana fechou o dia a R$ 3,2517 na venda, com queda de 0,12%. O movimento é decorrente da notícia de que o Deutsche Bank estaria perto de um acordo para reduzir significativamente uma multa aplicada por autoridades dos Estados Unidos, o que trouxe de volta a busca por ativos de risco, informou a Reuters.

Confira como fecharam os preços nesta sexta-feira:

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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