Argentina: Baixa gradual das retenciones da soja deverá ter impacto limitado

Publicado em 04/10/2016 10:39 e atualizado em 05/10/2016 12:42
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A baixa prevista para a taxação sobre as exportações de soja da Argentina, as chamadas "retenciones", deverá ser postergada pelo presidente Mauricio Macri e sua equipe. Segundo informações do site argentino Infocampo, o presidente o ministro da Agroindustria, Ricardo Buryaile se reuniram nos últimos dias com as lideranças das quatro principais instituições rurais do país para informar a decisão. 

O anúncio oficial foi feito nesta manhã de terça-feira, 4 de outubro e mostra que Macri não conseguirá cumprir sua proposta anterior de reduzir em cinco pontos percentuais por ano. O objetivo agora, segundo disse o presidente, é baixar a taxa em 0,5 ponto por mês a partir de 30 de janeiro do ano que vem até 31 de dezembro de 2019. Dessa forma, em 1º de janeiro de 2020, a taxação sobre as vendas internacionais de soja será de 18%. 

Assim que assumiu a presidência, Macri zerou a taxação para as exportações de trigo e milho do país e baixou os da soja de 35% para 30%. 

Das quatro entidades que estiveram reunidas com o ministro e o presidente argentinos, apenas uma se opôs à postergação, dado que as demais parecem entender as necessidades fiscais do governo federal. "Esta medida ameaça os produtores da região norte do país. Macri deveri proporcionar segurança para o futuro, e uma medida como essa impacta forte e diretamente os mercados. A melhor maneira de ajudar os agricultores não é tirando mais dinheiro deles", disse, em entrevista ao Infocampo, Dardo Chiesa, chefe da Confedereaciones Rurales Argentinas (CRA).

A produtividade de províncias do norte da Argentina registra, em média de 2 mil quilos de soja por hectare, enquanto em outras localidades esse índice sobe para 4,5 mil. 

Entretanto, os anúncios indicam ainda que haverá ainda um reembolso de 5 pontos percentuais para os produtores de dez províncias que são contempladas pelo chamado Plano Belgrano e estão localizadas no norte argentino já na próxima colheita. "Isso permitirá que a proposta atual se aproxime muito do proposto originalmente, permitindo que todos tenham mais segurança", disse o presidente em uma conferência nesta terça. 

Para Camilo Motter, analista e economista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais, o impacto deste anúncio deverá ser bastante limitado sobre as cotações. " Analisando isoladamente, somente esta decisão, ela é negativa para os produtores ao tornar a produção local menos competitiva. No entanto, com algo a menos de oferta global, poderíamos ver sinais positivos para os preços. Acredito, porém, em impactos mínimos", diz. 

Segundo o ministro Buryaile, essas baixas graduais das retenciones já bem definidas em 0,5% mensalmente ajudará a evitar especulações neste período e, para Motter, esse também é um ponto positivo. 

"Apesar de romperem parcialmente com o plano anterior, a redução da taxa terá continuidade pela frente, inclusive com uma pitadinha a mais do que proposto anteriormente. Isto também ajuda a evitar especulações sobre a manutenção da taxa nos atuais patamares", completa o analista da Granoeste. 

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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