América do Sul: Cordonnier reduz estimativa para safra de soja da Argentina e mantém para o BR

Publicado em 16/11/2016 15:29
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Com a conclusão da safra dos Estados Unidos e a colheita já na reta final, os olhos dos mercados pelo mundo todo se voltam agora para a produção da América do Sul e o momento, como não poderia deixar de ser, é de forte especulação, tanto para a soja quanto para o milho. O quadro climático, portanto, vem sendo acompanhando bem de perto e deverá ser, segundo explicam analistas e consultores, o principal driver dos preços nos próximos meses. 

Para o consultor internacional Michael Cordonnier, um dos mais respeitados do setor, a safra sul-americana de soja deverá ficar entre 163,9 milhões e 179 milhões de toneladas, com uma média de 172,2 milhões. A safra 2015/16 foi de 165,5 milhões de toneladas. No caso do milho, ele acredita que a produção da Améric do Sul  seja de algo entre 118,6 e 134,6 milhões de toneladas, com média de 125,3 milhões. 

Soja Argentina

Em sua última projeção, o especialista reduziu em 2 milhões de toneladas o esperado para a safra de soja da Argentina para 56 milhões de toneladas em relação a números da semana anterior em razão de problemas climáticos que já começam a comprometer os trabalhos de campo. O plantio, afinal, foi iniciado sob tempo bastante úmido e frio, e já está em ritmo mais lento se comparado ao ano anterior. Há cerca de 11% da área já semeada, contra 20% do mesmo período de 2015 e frente aos 18% de média dos últimos anos, de acordo com números da Bolsa de Grãos de Buenos Aires. 

"A principal área a ser observada na Argentina será a região sudoeste, incluindo Buenos Aires, o norte de La Pampa e o sul de Córdoba. Essa é uma área de, aproximadamente, 600 mil hectares que registrou severas inundações na última semana. Áreas dessas regiões terão de ser replantadas. O trigo está completamente perdido, a soja vai sofrer um atraso e até mesmo alguns volumes da oleaginosa que estavam estocadas em silo bags também foram perdidas. Assim, qualquer chuva a mais que chegue por lá pode manter os solos saturados por um período extenso de tempo", diz Cordonnier. 

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Soja Brasil

Para o Brasil, Cordonnier projeta uma safra que possa ficar entre 97 milhões e 104 milhões de toneladas, com uma média projetada em 101 milhões. Em sua análise, o consultor afirma que pensou em até elevar suas estimativas, porém, achou mais cauteloso mantê-las inalteradas diante da irregularidade climática que pôde ser observada nos últimos dias e, apesar de um bom início registrado nos estados de Mato Grosso e Paraná. 

"O clima foi bom no Brasil, porém, mais seco do que a média na região Sul. E para esta semana, as previsões indicam que essas condições mais favoráveis se mantêm no centro do país, enquanto um padrão de tempo mais seco se desenvolve no Sul", explica o consultor. 

Neste momento, as chuvas devem se concentrar sobre o Centro-Oeste e a região do Matopiba, podendo atrasar o plantio da soja, de acordo com as últimas informações de especialistas. Por outro lado, produtores que aguardaram para realizar a semeadura, em determinados pontos que sofriam com menores volumes de precipitações, foram beneficiados; outros que se anteciparam precisarão fazer o replantio.

Meteorologistas consultados pelo Notícias Agrícolas afirmam que, no intervalo de 16 a 20 de novembro, as chuvas poderão ficar mais escassas no Rio Grande do Sul, oeste do Paraná, Santa Catarina e São Paulo e o leste do Mato Grosso do Sul. A tendência é até mesmo do desenvolvimento de um veranico nessas áreas. 

E essas condições já inspiram preocupação entre os produtores, uma vez que a produtividade da soja pode ser comprometida nessas áreas. Afinal, os veranicos ainda poderão ser repetidos e, como explica o meteorologista do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Luiz Renato Lazinski, há ainda a possibilidade da chegada de uma nova onda de de frio que está subindo da Antártida e deve atingir o sul do Paraná e pode trazer geadas leves nas áreas de baixada. 

"Para o centro-sul do Brasil, são esperadas chuvas mais irregulares e abaixo da média nas próximas semanas, principalmente no Rio Grande do Sul e também na Argentina. Já para as regiões centro-oeste e áreas produtivas do nordeste, as chuvas, que estão atrasadas devem regularizar nas próximas semanas, inclusive com volumes acima da média (...) As temperaturas também seguem abaixo da média no sul do Brasil, com a entrada de massas de ar frio de forte intensidade para a época do ano", afirma Lazinski. 

E o meteorologista conclui: "Os agricultores não esperem um clima muito favorável, como o que ocorreu nas últimas três safras passadas no sul do Brasil. Por outro lado, as chuvas que não foram muito favoráveis ao desenvolvimento das lavouras no centro-oeste e áreas produtivas do nordeste nos últimos dois anos, devem ser mais abundantes, melhor distribuídas e apresentarem volumes acima da média nesta próxima safra de verão, que está começando".

Ainda na América do Sul, Michael Cordonnier espera uma safra de 9,1 milhões de toneladas do Paraguai; 3,1 milhões da Bolívia e mais 3 milhões do Uruguai. 

Milho Argentina

Sobre a safra de milho da Argentina, o consultor manteve sua projeção inalterada em 35 milhões de toneladas e, por ora, mantém um "viés neutro" para esta temporada. Entretanto, acredita que, assim como acontece com a soja, suas projeções possam sofrer mudanças daqui em diante em função das adversidades climáticas que vêm sendo registradas no país. 

Até o momento, os produtores argentinos conseguiram semear 40% da área prevista para o cereal, contra um ritmo médio de 45% para este período da temporada. "Em algumas áreas que estão mais saturadas, o milho plantado mais cedo sofreu com as cheias. E além disso, alguns produtores nem ao menos conseguiram realizar seus trabalhos de campo antes das inundações", diz. "E assim, em ambos os casos, o cereal pode começar a ser plantado durante a segunda fase do plantio, que começa no início de dezembro", completa.

Milho Brasil

Para a produção brasileira, os números também foram mantidos e, entre safra e safrinha, o esperado é de 83 milhões de toneladas. E até este momento, estima que o plantio do grão já esteja concluído no Rio Grande do Sul e no Paraná, e metade do esperado em Minas Gerais. 

E Cordonnier chama atenção ainda para os impactos do cenário climático para os próximos dias na safra de verão de milho do Brasil, principalmente em relação a este padrão de tempo mais seco no Sul do país que vem sendo esperado. "Caso isso de fato se confirme, pode ser bem ruim para a polinização e o enchimento de grãos do plantio mais tardio do milho", diz. Ainda assim, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em seu último reporte, aumentou sua projeção para a área da safra de verão em 117 mil hectares. 

No entanto, o analista de mercado da Scot Consultoria faz um alerta. "Apesar da expectativa de aumento da área plantada na safra de verão em 2016/17, o incremento na produção não será suficiente para recompor os estoques. Será preciso, pelo menos, uma segunda safra cheia". 

Sobre a safrinha, o consultor acredita em um aumento de área de plantio este ano, dado o bom potencial das lavouras semeadas mais precocemente e ainda à desvalorização da moeda brasileira. "Estou estimando uma alta de 5% na área de safrinha de milho na temporada 2016/17", diz. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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