Soja: Chicago perde mais de 20 pts nesta 5ª e portos do BR fecham com mais de 2% de queda

Publicado em 08/12/2016 16:49 947 exibições

Os recentes e fortes ganhos da soja nas últimas sessões abriram espaço para um intenso movimento de realização de lucros na Bolsa de Chicago na sessão desta quinta-feira (8), que foi intensificado por um ajuste das cotações por parte dos traders às vésperas da divulgação de um novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que é o último de 2016. 

Assim, as posições mais negociadas terminaram o dia com perdas de mais de 20 pontos, levando o janeiro/17 a US$ 10,30 e o maio/17, referência para a safra brasileira, a US$ 10,49 por bushel. 

A maior espera, como tradicionalmente acontece, é pelos números dos estoques finais norte-americanos. Em três dos últimos quatro anos, o USDA reduziu sua estimativa para os estoques finais americanos do boletim de novembro para o de dezembro. 

A média esperada pelo mercado para os estoques finais de soja dos Estados Unidos é de 12,85 milhões de toneladas, ligeiramente menor do que o reportado em novembro de 13,06 milhões. O intervalo das projeções é de 11,95 milhões a 13,99 milhões de toneladas. Ainda assim, o total esperado para esta temporada é bem maior do que os estoques da safra 2015/16, de 5,36 milhões. 

No quadro mundial, também é esperada uma ligeira redução nos estoques finais de soja, os quais  poderiam cair de 81,5 milhões para 81,2 milhões de toneladas, que é a média esperada pelo mercado. O intervalo das expectativas é de 78,1 milhões a 83 milhões de toneladas. Na temporada 2015/16, os estoques globais da oleaginosa ficaram em 77,1 milhões. 

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Como pressão sobre as cotações, a cena política norte-americana também ganhou espaço entre os negócios do complexo soja neste pregão. Segundo explicam analistas de mercado da Agrinvest Commodities, a indicação de Donald Trump de Scott Pruitt para a Agência de Meio Ambiente dos EUA não foi bem recebida pelo mercado, uma vez que ele é contra as atuais políticas do governo Obama, entre elas a do uso de biocombustíveis e os futuros do óleo cederam mais de 2% ao longo do dia.

"O mercado tomou essa nomeação com pessimismo após a elevação do mandatório de mistura de biocombustíveis no final do mês passado", diz a Agrinvest. Assim, o vencimento janeiro/17, que começou o pregão com 37,63 cents de dólar por libra, fechou o dia abaixo dos 37 cents nesta quinta. 

A previsão de algumas chuvas na América do Sul onde são bastante necessárias, principalmente na Argentina, também pesaram sobre o mercado, como explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter. Essas precipitações, porém, chegam mais à região do norte argentino, enquanto o Centro-Su do país, onde a situação climática do país preocupa mais, ainda sente apenas algumas pancadas. 

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E essa movimentação negativa das cotações se deu paralelamente às notícias que continuam chegando do front da demanda ainda muito favoráveis aos negócios, mantendo um suporte importante aos futuros da commodity. Segundo as informações da alfândega chinesa, as compras de soja do país alcanaçaram, em novembro, 7,84 milhões de toneladas, registrando um aumento de mais de 50% em relação ao volume de outubro e ainda 6% maiores do que as importações de novembro de 2015. 

Além disso, nesta quinta também, o USDA trouxe novos anúncios de venda do complexo, sendo 136 mil toneladas do grão e mais 20 mil toneladas do óleo, ambos os volumes da safra 2016/17. Ainda vindos do departamento norte-americano, os números das vendas semanais para exportação do país ficaram acima das expectativas do mercado mais uma vez, elevando o total acumulado no ano comercial a superar os 43 milhões de toneladas. 

As vendas de soja norte-americanas, na semana encerrada em 1º dezembro, somaram 1.467,7 milhão de toneladas, contra projeções dos traders de 1 milhão a 1,4 milhão de toneladas. Do total, 1.461,7 milhão foram da safra 2016/17 e mais 6 mil da 2017/18. No caso da temporada atual, o principal destino foi a China e, da nova, destinos não revelados.

Preços no Brasil

Nessa toada de baixa do mercado futuro em Chicago nesta quinta-feira, as cotações da soja nos portos do Brasil acompanharam o recuo e também terminaram o dia em terreno negativo. Além da CBOT, o mercado nacional sentiu ainda a pressão do dólar, que fechou com baixa de 0,62% e abaixo dos R$ 3,40, encerrando a sessão cotado a R$ 3,3830. 

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Nos portos do Brasil, as perdas se intensificaram e o produto disponível perdeu a referência dos R$ 80,00 por saca tanto em Rio Grande, onde fechou com R$ 79,10 e queda de 2,94%, como em Paranaguá, com R$ 79,00 e baixa de 2,47%. Já no mercado futuro, os valores para a oleaginosa da nova safra brasileira cederam de forma ainda mais intensa. No terminal paranaense, recuo de 3,61% para R$ 80,00 por saca e, no gaúcho, de 2,91% para R$ 83,50. 

No interior do Brasil, a maior parte das principais praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas encerrou a quinta-feira com estabilidade. Algumas baixas, porém, puderam ser registradas nas praças do Rio Grande do Sul, de até 1,4%, ou em Jataí, Goiás, com uma baixa de 0,3%. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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