Soja nos portos do Brasil fecha com altas de mais de 1% junto aos ganhos de Chicago

Publicado em 10/01/2017 18:36 e atualizado em 10/01/2017 19:56
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O mercado internacional da soja fechou a sessão desta terça-feira (10) em campo positivo. As cotações da oleaginosa encerraram o dia com ganhos entre 8 e 9 pontos, e o janeiro/17 de volta à casa dos US$ 10,00 por bushel, sendo cotado a US$ 10,05. O maio/17, que é referência para a safra do Brasil, ficou em US$ 10,22. 

A retomada dos futuros da commodity, que chegaram a testar o lado negativo da tabela ainda neste pregão, se deu com o foco dos traders ainda voltado para o clima na América do Sul e as preocupações que o cenário ainda inspira, como explicou o analista de mercado João Schaffer, da Agrinvest Commodities.

O excesso de chuvas em importantes regiões produtoras argentinas castiga a safra 2016/17 de soja e já cria especulações ainda sobre a oferta de farelo no país, que é o maior exportador mundial. Os preços do derivado, também de olho neste quadro, registraram valorizações e ajudaram a puxar o grão. 

Em contrapartida, as novas estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para sa safra brasileira de soja de mais de 103 milhões de toneladas acabam amenizando o efeito desse estímulo causado pelas adversidades na Argentina, ainda como explica Schaffer. No entanto, produtores da região Matopiba vêm sofrendo, novamente, com um novo ano de falta de chuvas e já temendo as perdas que poderiam ser ocasionadas pelo clima. 

Na região Oeste da Bahia, as lavouras de soja já estão há quase um mês sem chuvas e, caso elas não cheguem de forma satisfatória e suficiente para aliviar o estresse hídrico pelo qual passam as plantas, as perdas podem começar a ocorrer, segundo o engenheiro agrônomo Armando Ayres de Araújo. Previsões indicam a chegada de boas precipitações a partir desta quarta-feira (11). 

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Paralelamente, atenção à demanda. Schaffer lembra também que as compras da China, principalmente, começam a se voltar para a América do Sul e pesar, inevitavelmente, sobre a formação das cotações em Chicago. Além disso, há ainda a proximidade do feriado de Ano Novo Lunar no país, que poderá "tirá-lo" do mercado durante esse período e, consequentemente, reduzir o fôlego dessa perna entre os fatores de formação das cotações. 

Ao lado desses fundamentos, porém, especulações e espera pelo novo reporte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mensal de oferta e demanda e que chega nesta quinta-feira, 12 de janeiro. 

"O USDA poderia vir a revisar as exportações americanas desta temporada, já que há um total embarcado acumulado de 34,6 milhões de toneladas. Isso é um recorde, está bem acima do ano passado, e com essa questão da proximidade do boletim, também refletiu em altas nesse pregão", explica o analista da Agrinvest. 

No link abaixo, confira a íntegra da entrevista de João Schaffer ao Notícias Agrícolas no fechamento do mercado desta terça-feira:

>> Fatores baixistas podem se sobrepor aos fundamentos positivos para os preços da soja na CBOT

Preços no Brasil

Nos portos do Brasil, os preços da soja subiram nesta terça-feira. Em Rio Grande, a referência no disponível foi a R$ 76,50, com ganho de 2,96% e, no mercado futuro, com junho/17 como indicativo, a R$ 77,80 por saca e alta de 1,30%. Já em Paranguá, nos dois casos o avanço foi de 1,35% para R$ 75,00 por saca. 

Os preços subiram em Chicago, trazendo espaço para a valorização da oleaginosa nos portos nacionais, ao lado dos prêmios ainda positivos e em bons patamares - os quais têm variado, no terminal paranaense, entre 48 e 65 centavos de dólar sobre os valores praticados na Bolsa de Chicago nas principais posições de entrega - e de um dólar que encerrou o dia com estabilidade. 

A moeda americana fechou a terça com uma ligeira valorização de 0,06% e valendo R$ 3,1986. "A captação da Petrobras gerou expectativa de ingresso de recursos. Por outro lado, no exterior, havia cautela com o pronunciamento de Trump amanhã", comentou o operador de câmbio da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva Filho à Reuters. 

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"O mercado da soja no Brasil, nesta terça-feira, mostrou, novamente, um dia de poucos interessados em vender em função do câmbio, fraco mais uma vez", explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. 

No link a seguir, confira as cotações completas da soja para esta terça:

>> PREÇOS DA SOJA

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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