Decisão de produtores argentinos em segurar soja já impacta nas exportações de óleo e farelo no país

Publicado em 02/06/2017 10:23
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A decisão dos agricultores argentinos de postergar ao máximo possível a comercialização da soja não faz distinção entre o governo de Kirchner e o governo de Macri. Depois da redução a zero dos direitos de exportação do trigo e do milho disposta pelo atual Governo, a oleaginosa se converteu na principal moeda de troca retida pelos produtores depois das colheitas. Uma ampla variedade de créditos para o setor agropecuário sustenta essa prática, que permite preservar a soja para comercialização somente sob necessidades muito pontuais e, sobretudo, quando o valor oferecido pelas fábricas e pelos exportadores se mostra muito atrativo para as expectativas do setor.

Como um dos resultados desta realidade comercial, o Ministério da Agroindústria da Argentina elevou, recentemente, os estoques finais de soja da safra 2015/16, em 6,9%, para 8,10 milhões de toneladas. Assim, este total se soma às 58 milhões de toneladas previstas pelo órgão para a colheita 2016/17 e consolidam um volume total de 66,10 milhões de toneladas para a oferta nacional.

Em função deste volume, a Direção de Mercados Agrícolas informou que, no dia 24 de maio, as compras de soja conjuntas da exportação e da indústria somaram 21.338.900 toneladas, 12,3% abaixo do volume adquirido a um ano atrás, de 24.334.200 toneladas. O volume informado pelo órgão é equivalente a 32,3% da oferta negociável detalhada anteriormente.

E a consequência da falta de fluidez nas vendas locais de soja já estão se mostrando em menores exportações de farelo e de óleo de soja, dois produtos dos quais a Argentina é o primeiro abastecedor mundial.

O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) informou na terça-feira que as exportações de farelo de soja durante o primeiro quadrimestre de 2017 caíram 38,6% em relação ao mesmo período de 2016, ao passar de 8.889.453 a 5.457.735 toneladas. O Vietnã continua sendo o principal destino do farelo de soja argentino, com 956.164 toneladas, mas as compras caíram cerca de 30% - anteriormente, elas somaram 1.358.799 toneladas.

Em situação ainda mais complicada, está a queda nas exportações de óleo de soja. Seguno o Senasa, as 324.263 toneladas negociadas durante o primeiro quadrimestre de 2017 representam uma queda de 82,7% em relação ao volume comercializado há um ano, de 1.871.574 toneladas. No período analisado, a Índia voltou a ser o primeiro mercado para o produto argentino, com importações de 141.443 toneladas. Esse volume implicou em uma queda de 87% nas suas compras em relação às 1.090.997 toneladas do mesmo período de 2016.

No mesmo período em que caem as exportações de farinha e de azeite de soja, as vendas externas de pellets de soja evidenciam uma queda interanual de 3%, passando de 580.480 a 561.080 toneladas.

Tradução: Izadora Pimenta

Fonte: La Nación

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