China amplia importações de soja em dezembro e Brasil ainda é melhor opção

Publicado em 12/01/2018 11:56 e atualizado em 12/01/2018 12:30
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A China importou, em dezembro, 9,55 milhões de toneladas de soja e registrou o segundo maior volume para o mês da história. De acordo com dados da Administração Geral de Alfândega, divulgados nesta sexta-feira (12), em relação ao mês anterior, o aumento foi de 10% e se comparado a dezembro de 2016, de 6%.

As boas margens de esmagamento registradas no país neste momento, ao lado dos preparativos para o feriado do Ano Novo Lunar, que acontece no próximo mês, motivaram essa intensidade da demanda, que já vinha bastante forte durante todo o ano, segundo analistas ouvidos pela Reuters Internacional. Esse é o mais importante e mais longo feriado da nação asiática e um dos picos do consumo de carne no país.

Em todo o ano, ainda de acordo com os números oficiais, os chineses importaram um total de 95,54 milhões de toneladas, 13,9% a mais do que no ano anterior. 

"A demanda geralmente é forte em dezembro, uma vez que os produtores de ração constroem estoques alguns meses antes do Festival da Primavera. As margens de esmagamento também estão boas, suportando uma demanda robusta por parte das esmagadoras", disse o analista sênior da First Futures à Reuters Internacional, Tian Hao.

Origem: Brasil x EUA

Nesse momento, a soja brasileira segue mais competitiva do que a norte-americana, principalmente frente aos compradores chineses, que seguem muito ativos no mercado. "A China continua comprando e esmagando bastante e vem apresentando crescimento", explica o analista de mercado da Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin, em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Enquanto os prêmios sobre a soja brasileira permanecem quase que estáveis - mesmo com as baixas em Chicago e do câmbio - nos EUA esses valores vêm subindo, ainda diante de estoques maiores e vendas mais lentas nesse momento, sobem e acabam afastando os importadores. Como explica o executivo, de 18 de dezembro até agora, as posições de embarque fevereiro e março já subiram 24 cents de dólar por bushel, sendo que no Brasil essa alta foi de 15 cents no mesmo intervalo.

"Na primeira quinzena de dezembro, os EUA estava mais barato do que o Brasil, já custo e frete na China, para os embarques fevereiro e março, eram de US$ 3,00 a US$ 4,00 por tonelada a soja americana era mais barata do que a brasileira. Com essa puxada dos prêmios, agora inverteu e o Brasil volta a ficar mais barato de março para frente e limita o potencial americano de exportação", diz Vanin. 

Além dos preços, há ainda um estremecimento nas relações comerciais EUA x China que também comprometem essas possibilidades maiores para a soja americana. "Desde que o Trump entrou, o coro nos EUA, entre políticos, que questiona a China em termos de manipulação da moeda, etc e tal, vem agravando também a vida das empresas", explica o analista da Agrinvest. 

Em novembro, o Serviço de Quarentena da China e seu Departamento Comercial colocaram algumas dificuldades sobre aprovações no país de soja transgênica norte-americana. Além disso, de acordo com informações do Serviço de Inspeção de Saúde Animal e Fitossanitário dos EUA, a partir de 1º de janeiro já começam a valer novos procedimentos para o atendimento de requisitos fitossanitários, ou seja, maior atenção ao percentual de matéria 'estranha' nos carregamentos da oleaginosa. 

Ao mesmo tempo, o Brasil vem apresentando uma qualidade de sua soja cada vez melhor, o que também amplia o espaço do produto brasileiro entre os chineses, além de um percentual menor dessa matéria 'estranha' em suas cargas.

"A soja que já colhemos tem um prêmio em cima da soja americana em função da proteína no farelo, que é mais alta no produto brasileiro, e também do aproveitamento para óleo. A soja brasileira tem uma média, nos grãos colhidos em 2017, de até 20,5%, enquanto a americana apresenta abaixo de 18,5%, em função de problemas (de clima) que os EUA teve no ano passado, com um maior percentual de soja ardida", acrescenta Eduardo Vanin.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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