Soja fecha com baixas de dois dígitos em Chicago com mercado de olho em possível área recorde nos EUA

Publicado em 14/03/2018 18:07
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Os preços da soja despencaram na tarde desta quarta-feira (14) na Bolsa de Chicago. As cotações foram pressionadas, entre outros fatores, por novos números de uma pesquisa de área de plantio feita pela consultoria norte-americana Allendale indicando números maiores para a soja, se comparados ao ano passado e às primeiras projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) durante o Agricultural Outlook Forum, em fevereiro. 

Nesse cenário, a Allendale espera ainda uma produção de soja de 120,54 milhões de toneladas, com uma média de produtividade de 55 sacas por hectare. Foram estimados em 37,27 milhões de hectares , contra 36,42 milhões projetados pelo USDA e acima também do número do ano passado de 36,48 milhões. 

Dessa forma, os contratos mais negociados na CBOT fecharam o dia perdendo mais de 16 pontos, o que levou o maio/18 a terminar a sessão com US$ 10,32 por bushel, e o mais distantes a perderem os US$ 10,50. 

Leia mais:

>> Consultoria aumenta área plantada de soja nos EUA e muda mercado

"O mercado de soja encarou baixas de dois dígitos com os traders de olho em uma possibilidade de área recorde nos Estados Unidos em 2018", disse o analista do portal internacional Farm Futures, Ben Potter. 

Enquanto a safra da América do Sul vai se encerrando com as preocupações em relação à Argentina pesando menos sobre a formação dos preços dos grãos, os traders começam a especular de forma mais acentuada sobre a temporada 2018/19 dos Estados Unidos.

Da área plantada, passando pelos custos de produção e chegando às condições climáticas em que essa safra irá se desenvolver, todos este componentes já ampliam seu espaço entre os radares do mercado internacional. 

Previsões climáticas atualizadas pelo NOAA - o serviço oficial de clima do governo norte-americano - mostram que tempo mais frio do que o normal para o leste, enquanto no oeste se esperam temperaturas acima da média para esta quinta-feira. Algumas chuvas poderiam também alcançar as Planícies e o oeste do Corn Belt. Para o restante do mês de março, as previsões do NOAA indicam tempo mais úmido do que o normal para uma grande porção do Meio-Oeste americano. 

Mercado Nacional

As cotações da soja nos portos do Brasil acompanharam as baixas em Chicago e também cederam nesta quarta-feira. Em Paranaguá, os indicativos voltaram aos R$ 78,00 por saca, tanto no dispnonível quanto na referência maio, com baixas de 1,89%. Já em Rio Grande, os preços ficaram em R$ 77,20 e R$ 77,70 por saca, perdendo 0,77%. 

No interior, algumas praças do interior registraram perdas de mais de 1%, principalmente no Centro-Oeste do Brasil. Em Santa Catarina, cotações estáveis e, no Rio Grande do Sul e em Cascavel, no Paraná, os preços subiram, mantendo-se ainda no intervalo de R$ 69,00 e R$ 76,00 por saca. 

O mercado nacional, além da pressão em Chicago, também não encontrou suporte no dólar, que fechou estável frente ao real nesta quarta-feira. A cautela parece estar pautando o mercado cambial e, nesta sessão, a divisa fechou os negócios caindo tímidos 0,03% para R$ 3,2610. 

Veja mais:

>> Dólar fecha praticamente estável sobre o real monitorando exterior

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Rodrigo Tonet Campo Mourão - PR

    Esse aumento de área dos EUA representa um aumento de pouco mais de 3 milhões de toneladas de soja, enquanto a argentina tem uma quebra consolidada de mais de 15 milhões de toneladas. A safra brasileira não é cheia no Paraná por excesso de chuvas (na minha região fala-se em produtividades de 10% a menos que ano passado), Rio Grande do Sul com problema de seca. Se a redução de produtividade for extrapolada para todo Paraná só ai temos uma redução de quase 2 milhões de toneladas. Sem contar que os estoques estão bem mais baixos. Ano passado o estoque de passagem do Brasil era de 2 milhões de toneladas a projeção para esse ano (ainda com as projeções normais de produtividade) seria de 500 mil tons. Assim me parece que o impacto desse aumento de área está superestimado. E tem mais, não vi nenhum comentário sobre a disputa comercial Eua China, onde a China pode retaliar os EUA na soja. Aí sim uma coisa que atinge Chicago em cheio. Na minha opinião, isso é motivo para tiramos os olhos de Chicago e voltarmos para a movimentação nos portos brasileiros e nos prêmios pagos nos portos.

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