Soja fecha com baixas de dois dígitos em Chicago nesta 2ª com realização de lucros e pressão do trigo

Publicado em 16/04/2018 16:42 e atualizado em 16/04/2018 17:16
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Nesta segunda-feira (16), o mercado da soja começou o dia com estabilidade, porém, começou a perder força ao longo da tarde e fechou o pregão na Bolsa de Chicago com perdas de mais de 10 pontos entre os principais vencimentos. 

Segundo explicaram analistas internacionais, parte da baixa sentida pelas cotações da oleaginosa veio das perdas registradas entre os futuros do trigo, que marcaram na CBOT suas mínimas em 10 dias. A previsão de chuvas chegando à areas produtoras americanas que vêm sofrendo com a seca têm pesado sobre o mercado do grão. 

Dessa forma, o vencimento maio/18 da soja foi a US$ 10,42 por bushel, enquanto o julho e o agosto/18 terminaram o dia abaixo dos US$ 10,60, que era uma posição que vinha tentando ser mantida pelos traders. 

Além disso, ainda como explicam analistas ouvidos pela Reuters Internacional, uma onda de venda de posições também pesou sobre as cotações da soja, com os investidores aproveitando o início da semana para realizar lucros depois de os preços terem alcançado, na última sexta-feira (13), suas máximas em mais de um mês. 

Ainda nesta segunda-feira, como explicou o analista de mercado da Cerealpar e diretor do Kordin Grain Terminal, de Malta, Steve Cachia, o mercado também sentiu uma pressão dos conflitos geopolíticos mais intensa, após os ataques americanos à Síria. 

Em um quadro de incertezas, principalmente, sobre os impactos de uma movimentação como esta nas economias envolvidas nos conflitos - incluindo os EUA e a Rússia - os investidores deixam as commodities, especialmente as agrícolas, que contam com maior índice de risco - para buscarem ativos mais seguros, como o dólar. 

E ainda na questão geopolítica, o mercado se atenta ainda aos desdobramentos da disputa comercial entre China e Estados Unidos, especialmente em função da taxação dos chineses sobre a soja americana. Embora a nação asiática já tenha sinalizado que irá tarifar a oleaginosa dos EUA, ainda não deu detalhes da medida, o que segue dando espaço para especulações e negociações em torno dessa pauta. 

Também nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe seus números dos embarques semanais com dados que ficaram dentro das expectativas do mercado. Na semana encerrada em 12 de abril, os EUA embarcaram 444,987 mil toneladas da oleaginosa, contra expectativas que variavam de 300 mil a 600 mil toneladas. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, as cotações recuaram neste início de semana. As baixas acompanharam as perdas mais intensas na Bolsa de Chicago e um recuo que foi observado também no dólar frente ao real. A moeda america, porém, ainda se mantém na casa dos R$ 3,40 e segue como importante fator de suporte para as referências internas. 

E apesar das baixas, os preços da soja nacional permanecem ainda fortes e em patamares, segundo especialistas, atrativos para os sojicultores brasileiros. O ritmo dos negócios, no entanto, se mostra um pouco mais lento, dado os melhores momentos observados nos últimos dias e na tentativa do produtor de aguardar por preços melhores. 

"(O momento) depende muito de cada vendedor, de cada produtor, como está sua comercialização. O fato é que vale a pena correr um pouco de risco, mas também temos que levar em conta que estamos trabalhando em patamares relativamente elevados. Na minha opinião, temos que participar com esses patamares", diz Steve Cachia. 

Nesta segunda, as baixas no interior do Brasil - que não foram generalizadas - ficaram entre 0,67% e 4,17%. Algumas praças, porém, ainda registraram alguma valorização, como Jataí e Rio Verde, em Goiás, para R$ 68,00 por saca. 

Nos portos, Paranaguá terminou o dia com R$ 87,00 por saca, estável no disponível. Já em Rio Grande, R$ 85,50 no disponível e R$ 86,00 para a referência maio, com os indicativos perdendo 0,35% em ambos os casos. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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